quinta-feira, maio 31, 2018

Livreto da Ocupação Antonio Candido - Itaú Cultural



Distribuído como catálogo da exposição, o livreto da Ocupação Antonio Candido é uma beleza. Capa e papel especial, uma diagramação especial e muito bem cuidada. Um livro, um luxo. Traz uma síntese biográfica, muitos manuscritos, fotos do arquivo pessoal ensaios (sobre a origem do romance e sobre a técnica de análise), além de artigos de jornais com resenhas críticas sobre "novíssimos" que ele descobriu: um deles, é apenas a Clarice Lispector (de Perto do coração selvagem) e o outro João Cabral de Melo Neto (resenha de Pedra do sono). 


Dá para baixar em PDF no site do ITAU CULTURAL. Link aqui

E est

Prestação de conta da Faperj

Ontem, estava no shopping Paulista com Mauro, e vi o email tão aguardado.



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quarta-feira, maio 30, 2018

Carta de Mestre João, sobre descoberta do Brasil



Trecho original da pouco lembrada Carta de Mestre João. Ele, que fazia parte da esquadra de Cabral, enviou-a ao rei D. Manuel, informando a posição exata de uma tal "Ilha de Vera Cruz", em 1/05/1500.



Señor

O bacharel mestre Johan fisico e cirurgyano de Vosa Alteza beso vosas reales manos. Señor porque de todo lo aca pasado largamente escrivieron a vosa alteza asy arias correa como todos los otros solamente escrevire dos puntos senor ayer segunda feria que fueron 27 de abril descendimos em terra yo e el, pyloto do capitan moor e el pyloto de Sancho de touar e tomamos el altura del sol al medyodya e fallamos 56 grados e la sonbra era septentrional por lo qual segund las reglas del estrolabio jusgamos ser afastados de la equinocial por 17 grados, e por consyguiente tener el altura del polo antarctico en 17 grados, segund que es magnifiesto en el espera e esto es quanto alo uno, por lo qual sabra vosa alteza que todos los pylotos van adiante de mi en tanto que pero escolar va adiante 150 leguas e otros mas e otros menos: pero quien disse la verdad non se puede certyficar fasta que en boa ora allegemos al cabo de boa esperança e ally sabremos quien va mas cierto ellos con la carta e con el estrolabio: quanto Señor al sytyo desta terra mande vosa alteza traer un mapamundy que tyene pero vaaz bisagudo e por ay podrra ver vosa alteza el sytyo desta terra, en pero aquel mapamundy non certyfica esta terra ser habytada, o no: es napamundi antiguo e ally fallara vosa alteza escrita tan byen la mina: ayer casy entendimos per aseños que esta era ysla e que eran quatro e que de otra ysla vyenen aqui almadias a pelear con ellos e los lleuan catiuos: quanto Señor al otro puncto sabra vosa alteza que cerca de las estrellas yo he trabajado algo de lo que he podido pero non mucho a cabsa de una pyerna que tengo mui mala que de una cosadura se me ha fecho una chaga mayor que la palma de la mano, e tan byen a cabsa de este navio ser mucho pequeno e mui cargado que non ay lugar pera cosa ninguna solamente mando a vosa alteza como estan situadas las estrellas del, pero en que grado esta cada una non lo he podido saber, antes me paresce ser impossible en la mar tomarse altura de ninguna estrella porque yo trabaje mucho en eso e por poco que el navio enbalance se yerran quatro o cinco grados de guisa que se non puede fazer synon en terra, e otro tanto casy digo de las tablas de la India que se non pueden tomar con ellas sy non con mui mucho trabajo, que si vosa alteza supiese como desconcertavan todos en las pulgadas reyrya dello mas que del estrolabio porque desde lisboa ate as canarias unos de otros desconcertavan en muchas pulgadas que unos desian mas que otros tres e quatro pulgadas, e otro tanto desde las canarias ate as yslas de cabo verde, e esto rresguardando todos que el tomar fuese a una misma ora, de guisa que mas jusgauan quantas pulgadas eran por la quantydad del camino que les paresçia que avyan andado que non el camino por las pulgadas: tornando Señor al proposito estas guardas nunca se esconden antes syenpre andan en derredor sobre el orizonte, e aun esto dudoso que non se qual de aquellas dos mas baxas sea el polo antartyco, e estas estrellas principalmente las de la crus son grandes casy como las del carro, e la estrella del polo antartyco, o sul es pequena como la del norte e muy clara, e la estrella que esta en riba de toda la crus es mucho pequena: non quiero mas alargar por non ynportunar a vosa alteza, saluo que quedo rogando a noso Señor ihesu christo la la vyda e estado de vosa alteza acresciente como vosa alteza desea. Fecha en uera crus a primero de maio de 500. pera la mar mejor es regyrse por el altura del sol que non por ninguna estrella e mejor con estrolabio que non con quadrante nin con otro ningud estrumento. do criado de vosa alteza e voso leal servidor.

Johannes

artium el medicine bachalarius.

Sobrescrito: A el Rey nosso senor




Senhor:

O bacharel mestre João, físico e cirurgião de Vossa Alteza, beijo vossas reais mãos. Senhor: porque, de tudo o cá passado, largamente escreveram a Vossa Alteza, assim Aires Correia como todos os outros, somente escreverei sobre dois pontos. Senhor: ontem, segunda-feira, que foram 27 de abril, descemos em terra, eu e o piloto do capitão-mor e o piloto de Sancho de Tovar; tomamos a altura do sol ao meio-dia e achamos 56 graus, e a sombra era setentrional, pelo que, segundo as regras do astrolábio, julgamos estar afastados da equinocial por 17°, e ter por conseguinte a altura do pólo antártico em 17°, segundo é manifesto na esfera. E isto é quanto a um dos pontos, pelo que saberá Vossa Alteza que todos os pilotos vão tanto adiante de mim, que Pero Escolar vai adiante 150 léguas, e outros mais, e outros menos, mas quem diz a verdade não se pode certificar até que em boa hora cheguemos ao cabo de Boa Esperança e ali saberemos quem vai mais certo, se eles com a carta, ou eu com a carta e o astrolábio. Quanto, Senhor, ao sítio desta terra, mande Vossa Alteza trazer um mapa-múndi que tem Pero Vaz Bisagudo e por aí poderá ver Vossa Alteza o sítio desta terra; mas aquele mapa-múndi não certifica se esta terra é habitada ou não; é mapa dos antigos e ali achará Vossa Alteza escrita também a Mina. Ontem quase entendemos por acenos que esta era ilha, e que eram quatro, e que doutra ilha vêm aqui almadias a pelejar com eles e os levam cativos. Quanto, Senhor, ao outro ponto, saberá Vossa Alteza que, acerca das estrelas, eu tenho trabalhado o que tenho podido, mas não muito, por causa de uma perna que tenho muito mal, que de uma coçadura se me fez uma chaga maior que a palma da mão; e também por causa de este navio ser muito pequeno e estar muito carregado, que não há lugar para coisa nenhuma. Somente mando a Vossa Alteza como estão situadas as estrelas do (sul), mas em que grau está cada uma não o pude saber, antes me parece ser impossível, no mar, tomar-se altura de nenhuma estrela, porque eu trabalhei muito nisso e, por pouco que o navio balance, se erram quatro ou cinco graus, de modo que se não pode fazer, senão em terra. E quase outro tanto digo das tábuas da Índia, que se não podem tomar com elas senão com muitíssimo trabalho, que, se Vossa Alteza soubesse como desconcertavam todos nas polegadas, riria disto mais que do astrolábio; porque desde Lisboa até às Canárias desconcertavam uns dos outros em muitas polegadas, que uns diziam, mais que outros, três e quatro polegadas, e outro tanto desde as Canárias até às ilhas de Cabo Verde, e isto, tendo todos cuidados que o tomar fosse a uma mesma hora; de modo que mais julgavam quantas polegadas eram, pela quantidade do caminho que lhes parecia terem andado, que não o caminho pelas polegadas. Tornando, Senhor, ao propósito, estas Guardas nunca se escondem, antes sempre andam ao derredor sobre o horizonte, e ainda estou em dúvida que não sei qual de aquelas duas mais baixas seja o pólo antártico; e estas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes quase como as do Carro; e a estrela do pólo antártico, ou Sul, é pequena como a da Norte e muito clara, e a estrela que está em cima de toda a Cruz é muito pequena. Não quero alargar mais, para não importunar a Vossa Alteza, salvo que fico rogando a Nosso Senhor Jesus Cristo que a vida e estado de Vossa Alteza acrescente como Vossa Alteza deseja. Feita em Vera Cruz no primeiro de maio de 1500. Para o mar, melhor é dirigir-se pela altura do sol, que não por nenhuma estrela; e melhor com astrolábio, que não com quadrante nem com outro nenhum instrumento. Do criado de Vossa Alteza e vosso leal servidor.

Johannes

artium et medicine bachalarius

terça-feira, maio 29, 2018

A livraria, de Isabel Coixet


A história se passa na Inglaterra dos anos 50 e gira em torno de uma viúva que decide reconstruir sua vida e, para isso, resolve abrir uma livraria. Enfrenta contudo a oposição de Violet Gamart, rica aristocrata que pretendia que a casa comprada se tornasse um centro de artes, articulando a partir daí tudo e todos para destruir a pequena livraria da viúva Florence Green.

Esperava bastante deste filme de Isabel Coixet, pois a diretora sabe criar filmes emocionais com um olhar para sociedade, mas este filme é uma decepção absoluta. O tom aristocrático, os diálogos duros, o andamento lento, e o fracasso da personagem protagonista com todas as vilanias só piora o filme, que tenta terminar com um aceno de esperança. Não, não vale. 


segunda-feira, maio 28, 2018

Novos ebooks da Amazon







Não tenho vida suficiente para tantas leituras que gostaria de fazer, então, vou zapeando os livros.

Uma foto antiga do Mauro que eu acho bem bonita


Museu de Arte Sacra de São Paulo

Leopoldina: independência e morte, de Macos Damigo




Assisti hoje, as 18h no CCBB SP, com Mauro. Uma surpresa, um espanto.

sábado, maio 26, 2018

Em pedaços, de Fatih Akin


Diane Krueger sentindo a dor escruciante de uma mulher que perde num atentado nazista o marido turco e o filho. A desconfiança, a falsa de apoio familiar, a desconfiança policial, a captura dos terroristas, o longo julgamento cínico, a injustiça, e a busca de vingança até o limite da autodestruição. Forte. Exasperante. . 

sexta-feira, maio 25, 2018

O último Superlativo, de Dom Casmurro


Este talvez seja dos capítulos de Dom Casmurro que mais me comovem. O personagem José Dias prima pelo tom afetado, bajulador, até cínico. É um enganador que se foi fazendo útil até tornar-se necessário à D. Maria, mãe de Bentinho. Convertido em agregado, de figura nefasta e oportunista passa, no final da vida, a ser tão somente uma figura patética. Bentinho, agora D. Casmurro, ao visita-lo adoentado e prestes a morrer, flagra (julga flagrar) seu interesse em se fazer querido, não só de Capitu, mas do filho Ezequiel. Contudo, esse olhar cruel de D. Casmurro para José Dias, mais revela o advogado desconfiado, ressentido, que vê fraude e malícia em tudo, do que o velho agregado. Mas o que me interessa é pensar este ato final de José Dias, que ao pedir para ver o céu, exclama num superlativo "Lindíssimo!", e morre. 

O que há de extraordinário nesta passagem é que o excessivo uso dos superlativos por José Dias serviam não somente para explicitar a afetação (e caráter homossexual do personagem), mas o sua natureza bajuladora. Nenhuma sinceridade havia nos seus "superlativos". No desfecho do personagem, entretanto, é justamente o superlativo lançado para o banal e singelo azul do céu, sem qualquer interesse, que o irá redimir. É seu primeiro "superlativo" sincero, a visão solar do céu azulado diante da cama onde expira. E o superlativo que servia para caracterizar a sua falsidade, é  a forma usado com uma triste contundência final, que termina por ser expressão de sinceridade, de verdade.

Mostra SOLOS E MONÓLOGOS no CCBB SP - abril-maio



Passando no CCBB SP, descobri que estava rolando uma mostra de monólogos todas as quartas, quintas e sábados, um monólogo novo a cada semana. Então, sempre que pude baixei lá para assistir.

SAPATO BICOLOR, direção de Polyana Horta
atuação e concepção Fabiano Persi


O monólogo mais bonito que vi na mostra, o mais energético/poético, engraçado e ainda assim denso. 

[Um homem em meio a reflexões sobre a sua vida, seu passado e sua ligação incondicional com a Soul Music. Um engraxate que encontra na dança seu alento e seu norte revive e compartilha lembranças de um passado ainda muito presente e necessário na sua vida. A dignidade retratada no microuniverso de quem muitas vezes é invisível para uma sociedade ainda muito excludente, mas que nas pistas de dança encontra seu orgulho e sua vontade de seguir adiante. Os pés ocultos naqueles sapatos carregam o homem pela vida, para o trabalho ordinário e de volta ao baile.] 

Há momentos de grande potência, mas outros muito irregulares. Aliás, esse o problema da peça, as vezes solta demais e com partes desarticuladas. No meio da peça, o personagem é abordado numa batida policial e engendra um discurso que vai do humor a indignação, uma fala política e intensa sobre a condição do homem negro e o desprezo da sociedade brasileira aos pobres, àqueles que ocupam as funções subalternas fundamentais para sustentação da própria sociedade. Mas a sequencia é quebrada bruscamente e o ator se empenha a retomar o fio de alegria que a peça propõe. Deslocando para o desfecho, esse momento se iluminaria e daria maior densidade e sentido à peça. Mas a opção foi terminar num baile, com convite a plateia a dançar, e a peça acaba sem sentido, como um "coito interrompido". Não só o texto como a atuação tem uma potência e uma verdade extraordinária.  

MURO DE ARRIMO, de Alexandre Borges
Texto de Carlos Queiroz Telles 
atuação de Fioravante Almeida


[A trama revive a Copa do Mundo por meio do personagem, o pedreiro Lucas. Ele está no alto de um prédio ouvindo, no seu radinho de pilha, o locutor falando sobre o fatídico jogo entre Brasil e Alemanha. Enquanto trabalha, contrasta euforia e meditação, já que apostou meio salário na vitória do Brasil.] 

Bela cenografia e um ator empenhado com poucos recursos expressivos e com  um texto promissor, instigante, mas que não avança, flutua no mesmo eixo da esperança simplória e decai sem revelar o sujeito que fala, sua classe, suas reais expectativas, o país, tudo que parecia a proposta inicial. O tom é monocórdico, não há surpresa no texto e o final é inconcluso, fraco, tolo, anticlimático. 


A HORA E VEZ, direção de Antonio Januzelli
Atuação e adaptação de Rui Ricardo Diaz


[Adaptação do conto A hora e vez de Augusto Matraga, de João Guimarães Rosa. Depois de cair na emboscada liderada por Major Consilva, Nhô Augusto é dado como morto. Socorrido por um casal de pretos consegue sobreviver. Quando se recupera, vai viver longe do Murici e decide dedicar sua vida ao trabalho, à penitência e à oração. Depois de anos de reclusão, no povoado do Tombador, decide partir. O destino o leva ao Arraial do Rala-Côco, onde o reencontro com o amigo e poderoso cangaceiro, Seu Joãozinho Bem-Bem, será decisivo para o desfecho de sua história, de sua Hora e Vez.]


Um ator repleto de recursos, voz potente e fisicalidade primorosa. Mas a opção de encadear e alternar diferentes vozes/personagens torna ao público que desconhece o conto original difícil de compreender, e principalmente, de envolver-se emocionalmente com o drama de Augusto. Compromete igualmente o humor, que é potente na trajetória, e que se perde por completa na mudança sucessiva de vozes e tons para "preencher" o palco com toda a galeria de personagens do conto. O fato de dar duas vozes distintas a Augusto Matraga, uma mais ponderada e outra ríspida, grave, satânica, em vez de expressar a dualidade da alma do personagem, converteu-o numa figura histriônica à beira da esquizofrenia. Não funcionou. O cenário não faz qualquer sentido, pois é sub aproveitado e o desfecho sentado numa mesa a escrever destoa da estrutura e forma do relato que vem da oralidade. Mas a entrega do ator é total e seu talento inconteste. Mas este Augusto não seduz, não comove, não transcende (como diria Rosa).

EUGÊNIA, de Sidnei Cruz
Texto de Miriam Halfin com atuação de Gisela de Castro


[Eugênia sai do túmulo afirmando "Estou morta e estou ótima!" e conta sua história tragicômica: nascida no Brasil em 1781, foi levada com 11 anos a Portugal para ser dama da corte de Carlota Joaquina. O príncipe regente Dom João VI faz dela sua amante. A corte do século XVIII se escandaliza com a gravidez da "bela brasileira" e ela é banida e exilada na Espanha. Morre aos 37 anos e sua filha, Eugênia Maria, vem ao Brasil para limpar o nome da família]. 


Há muita criatividade na peça. O figurino encantadoramente colorido e vivaz é trocado em cena, pontuando situações e passagens vivenciadas pela protagonista. O cenário se compõe de caixas e malas dispostas no centro do palco, de onde ela brechtianamente retira roupas e objetos de cena. Delas sai a fumaça que evoca a saída do mundo dos mortos. 

A beleza da atriz Gisela e sua fisicalidade intensa não são, contudo, suficientes para envolver o público na trama da morta que sai do túmulo para narrar sua história. Ela é menos interessante do que faria supor lendo a sinopse, e sua vida é contada de forma linear. Mas arregimentas um monte de fatos banais, uma adaptação dessas "narrativas hitóricas que destacam o comportamento politicamente incorreto de vultos nacionais. O que há de pior é o ritmo acelerado, na verdade, muito quebrado, excessivamente marcado ou "pontuado", até tornar a movimentação artificial. Esse frenesi ginástico compromete a adesão do espectador à Eugênia. Ele nunca "compra" o drama da protagonista e/ou se "comove" com seu "sofrer". De tão marcado e acelerado também o texto, faz com que - as referências e analogias entre o passado do Brasil/Portugal e entreveros políticos e escândalos do presente - não tirem mais que um riso no canto da boca da plateia. 

O tom que deveria ficar entre o jocoso, malandro, safo e sedutor, com referência a sexualidade espivitada de Eugênia, carece de malícia e tesão, não instigam e soam até vulgares. Para além do ritmo martelado, o texto vai ficando a cada momento mais desinteressante e enfadonho, até a peça encerrar de modo abrupto, chato e descritivo, como num filme em que ao final subissem legendas explicando o destino dos personagens. O desfecho é tão sem sal que deixa o público sem a certeza de que é hora realmente de aplaudir.  


Philip K. Dick's Electric Dreams - sobre os dez episódios


Começou bem ruim, mas de repente engrenou um episódio melhor atrás do outro, a ponto poder ser comparada a Black Mirror. Tecnicamente a fotografia, cenografia, a computação gráfica e a maquiagem são desastrosas, dão a impressão de baixíssimo orçamento, mas creio que o desastre seja mesmo a forma como é "fotografado/iluminado". O elenco é forte, as narrativas foram ficando mais interessantes, embora sejam sempre lineares, com um enquadramento convencional desinteressante, tenham um ritmo estranho, arrastado, querendo ser poético ou tão somente simular o ritmo de "blade runner", o que não funciona. A trilha e música assim como a produção toda não ajuda nesse propósito. Mas todas narrativas são mais do que fiéis ao universo de K. Dick, com suas ambiguidades, simulacros, paradoxos perturbadores onde não se sabe exatamente o que é real e simulado. Philip é um mar, inesgotável, instigante, profundo em tramas que furam limitações técnicas para sempre os encantar e fazer pensar. 


Episódios

The Hood Maker




Impossible Planet






Jack Reynor como Brian Norton
Benedict Wong como Ed Andrews
Geraldine Chaplin como Irma Louise Gordon
Georgina Campbell como Barbara
Malik Ibheis como RB29


The Commuter







Timothy Spall como Ed Jacobson
Rebecca Manley como Mary Jacobson
Anthony Boyle como Sam Jacobson
Rudi Dharmalingham como Bob Paine
Tuppence Middleton como Linda
Anne Reid como Martine Jenkins
Ann Akin como Dr. Simpson
Hayley Squires como a atendente
Tom Brooke como homem de casaco

Crazy Diamond





Julia Davis como Sally
Steve Buscemi como Ed Morris
Sidse Babett Knudsen[2] como Jill
Joanna Scanlan como Su
Michael Socha como Noah

Real Life









Anna Paquin como Sarah[2]
Terrence Howard como George[2]
Rachelle Lefevre
Jacob Vargas como Mario
Sam Witwer
Guy Burnet
Lara Pulver[2]


Human Is








Essie Davis como Vera
Bryan Cranston como Silas
Liam Cunningham como General Olin
Ruth Bradley como Yaro


Kill All Others






Vera Farmiga
Mel Rodriguez como Philbert Noyce[2]
Jason Mitchell como Lenny[2]
Glenn Morshower como Ed[2]
Sarah Baker como Maggie Noyce[3]

Autofac








Janelle Monáe como Alexis[2]
Juno Temple como Emily[2]
Jay Paulson
David Lyons
Roberto Mantica


Safe And Sound








Annalise Basso
Maura Tierney


The Father-thing







Greg Kinnear como Father[2]
Mireille Enos como Mother[2]
Jack Gore como Charlie
Zakk Paradise como Henry
Jack Lewis como Dylan Peretti