sábado, novembro 25, 2017

Titivillus, o demônio da escrita



Titivillus ou Tutivillus era chamado o demônio que durante a Idade Média trabalhava em nome de Belfegor, Lúcifer ou Satanás. Sua função: inserir erros no trabalho dos escribas/copistas. A primeira referência a Titivilus, nominalmente, foi no Tractus de Penitentia, de 1285, de John Galensis (Juan de Gales). 
Também foi descrito como o demônio que produz ou provoca, principalmente durante o serviço religioso e o período de oração, a fala ociosa, a má dicção, a murmuração ou a omissão de palavras, para que se podesse imputar o Inferno aos pecadores e aos que ofendem a prática religiosa. 
Também, foi chamado «demônio patrão dos escribas», pois logo virou uma fácil desculpa dada pelos erros de transcrição que se espalham e se acumulam nos manuscritos, já que vão se replicando uns nos outros.  


Marc Drogin destacou em seu manual de Medieval Calligraphy: Its history and technique que «durante o último meio século, todas as edições do Oxford English Dictionary incluíam alguma referência de página incorreta com uma primera menção de Titivillus na margem da página.».

No Monasterio de las Huelgas de Burgos, existe uma tábua de 1485, atribuída a Diego de la Cruz, onde, acima do manto protetor da Virgem de Misericórdia flutuam dois diablos, um dos quais carrega nas costas uma pilha de livros. Para o professor Joaquín Yarza Luaces, este representaria Titivillus.

Titivillus adquiriu um amplo papel como figura subversiva na comédia, mais precisamente, quando encenavam falas satiricas sobre as vaidade humanas, tanto peças que encenavam milagres (mistériow) de fins do medievo inglês, como o Iudicium que encerra o Ciclo de Towneley.



Num tratado de devoção inglês anônimo (do século xv), Myroure de Oure Ladye, Titivillus se presenta a sí mesmo como (I.xx.54): «Meu nome é  Tytyvyllus ...» e fala de erros, comendo sílabas e palavras inteiras.


No início do século XVI, Titivillus reapareceu em no teatro dramático como um demônio entre muitos. Quando Shakespeare o mencionou em sua peças, já era quase desconhecido, por isso seu nome talvez não tenha chegado a ser mais do que um termo geral de humor. Ele o cita em Noite de Reis (II, iii, 75) e em Henrique IV, parte II. Alguns estudiosos de Shakespeare se perguntam se a platéia sabia sobre quem o bardo estava se referindo.


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