sexta-feira, agosto 11, 2017

O estranho que nós amamos, remake de Sofia Coppola


SINOPSE: Remake dirigido por Sofia Coppola, O estranho que nós amamos se passa na Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).



Assisti na Paulista com Cinha, ontem (10.8.17) a tarde. Achei o filme escuro (talvez problema da projeção), moroso - para não dizer arrastado - e sem muito para oferecer. Colin Farrell faz sua sempre anódina interpretação de si mesmo, Nicole está competente e distante, Kirsten Dunst, tão sumida de bons papéis, surge para não fazer a diferença. Elle Fanning nos presenteia com um papel diferente de tudo que já fez, a vagaba espevitada. 

Mulheres castradas pelo puritanismo da época e do protestantismo cristão só poderiam resultar em tensão e desejo. A melhor cena segue sendo Nicole lavando o corpo de Colin desmaiado e suando e arfando de tesão ante a nudez do cara (que Sofia dirige pudicamente para a América puritana de hoje, que não tolera nem paus nem pentelhos). Deveria ter um clima mais tenso de desejo, de suspense (ele pode ser levado a qualquer momento da casa pelos soldados inimigos) e de terror, acaba tudo sendo diluído e filtrado pelo estilo de Sofia Copolla, que adora os não ditos e a marcha ré. O tema segue sendo sempre o mesmo da diretora: o exame do feminino em situação de isolamento, das mulheres presas às convenções sociais do lugar/tempo/espaço/sociedade, sexualmente carentes e/ou frustradas ante homens indiferentes ou ameaçadores. No final, elas sempre assumem o controle, nem que isto resulte em autodestruição. 

O filme não emociona, não estimula intelectualmente o espectador, não encanta. Os tons pastéis anêmicos e a monotonia arrastada dos planos - para fazer o filme de época ser mais filme de época - com algumas explosões bruscas na ação faz a gente se questionar se este filme valia um remake. 

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