quarta-feira, agosto 23, 2017

13 Sins (13 pecados), de Daniel Stamm


13 Sins (2014 ‧ Thriller/Terror ‧ 1h 33m)

Um enigmático telefonema faz uma proposta para o vendedor Elliot (Mark Webber), completar 13 tarefas, em troca receberá uma grande quantia em dinheiro. Mas cada tarefa é mais sinistra que a outra. 

Endividado, o vendedor Elliot Brindle concorda em participar de um jogo que promete muito dinheiro caso consiga cumprir 13 tarefas. Porém, ele irá perceber que à medida que as completa, mais desagradáveis e extremas elas ficam.

Bokeh, de Geoffrey Orthwein



Bokeh, filme dirigido e escrito por Geoffrey Orthwein (Sword & Laser) e pelo estreante Andrew Sullivan, ganhou seu primeiro trailer:

Na trama, um casal americano faz uma viagem romântica para a Islândia e descobre que todas as pessoas do mundo desapareceram. Eles precisam sobreviver e tentar conciliar o evento misterioso com suas próprias percepções do mundo e de si mesmos. Maika Monroe (A 5ª Onda) e Matt O'Leary (Perdendo o Fôlego) estão no elenco.

segunda-feira, agosto 21, 2017

Visitando Paranex, Rose e Valentina



Ontem, depois de dois anos, voltei a visitar meus amigos Zahoz Saturnino e Rosinei Moreira, além da baby Valentina, a Boo de Monstros SA. Pronto, agora só em 2020.

Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano


Corpo Elétrico - 2017 ‧ Drama ‧ 1h 34m

Elias (Kelner Macêdo) é o jovem criador de uma fábrica de confecção roupas femininas no centro de São Paulo onde trabalha como assistente da estilista Diana. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Enquanto reflete sobre as possibilidades de futuro, começa a ficar cada vez mais próximo dos colegas da fábrica, e vê os amigos seguirem caminhos diferentes dos seus. Ele se interessa por Filipe, um imigrante africano que trabalha na linha de produção, e começa a organizar festas para ter motivos extras para encontrar o cara.

Assisti no Cinema Itaú. É um filme sem enredo, episódico, em torno de Elias e o universo gay/travesti de São Paulo. O foco são sujeitos periféricos, trabalhadores de uma fábrica de confecção bastante industrial. Relacionamentos esporádicos e os desejos de Elias, sua rotina, idas a baladas lgbts, envolvimento com colegas de trabalhos e o universo gay. Neste sentido, o comportamento subversivo, livre ou promíscuo de Elias é o mais focado no Corpo Elétrico.



Corpo Elético segue a linha dos filmes pernambucanos recentes - O som ao redor, Tatuagem e Aquarius, - e como esses, busca se aproximar do cotidiano banal das classes mais pobres sem abordar o tema da violência.


Os apartamentos atulhados, as ruas, as boates, os subúrbios. Há nele um desejo quase documental de flagrar o Brasil contemporâneo. Os atores pouco ou nada conhecidos, as cenas aparentemente improvisadas, a ausência do roteiro (?) além da condução solta, fazem de Corpo Elétrico, um filme mais interessante do que bom.




Carmen, de Prosper Mérimée (Teatro Aliança Francesa) - Nelson Baskerville





Assisti com Gabriel e Mauro no Aliança Francesa. Uma versão contemporânea de Carmen, enfatizando a tauromaquia (instinto, sexualidade e violência). A Carmen, conto apropriado por Bizet para composição de uma das óperas mais populares de todos tempos, vira teatro contemporâneo. Agora, não apenas José, o amante assassino, narra seu fascínio e sedução por Carmen, mas a própria Carmen assume o microfone para narrar-se. A luz enfatiza o vermelho do desejo, o negro e o azul. A trilha não reproduz nada da ópera, mas segue onipresente, enfatizando com a guitarra flamenca, a dança cigana, dança flamenca e o tango, a força dos movimentos e da paixão de corpos cheios de intensidade e desejo. Um trabalho extraordinário dos três atores, o casal  Natalia Gonsales e Flávio Tolezani que exploram os aspectos da carne, do desejo, da paixão, do erotismo e do sexo. É uma peça repleta de excessos, explorando todos os recursos de dança, canto, luz, cenografia. Símbolos - a tourada - o triângulo amoroso e a discussão sobre a liberdade da mulher controlada pelo homem. Carmen segue levando José e o marido à desgraça, para ser brutalmente assassinada nod esfecho da peça, algo que ela própria pressente e lê na borra do café.



Tudo funciona lindamente.


Um dos mais belos espetáculos que já assisti. 



FICHA TÉCNICA
Atuação: Natalia Gonsales e Flávio Tolezani | Direção: Nelson Baskerville | Criação Dramatúrgica: Luíz Farina | Direção de Movimento e Coreografia: Fernanda Bueno | Música Original: Marcelo Pellegrini | Iluminação: Marisa Bentivegna | Cenário: Marisa Bentivegna | Figurino: Leopoldo Pacheco | Assistente de figurino: Carol Badra | Designer Gráfico: Murilo Thaveira | Fotografia: Ronaldo Gutierrez | Direção de Produção: Cesar Baccan | Colaboração de Produção: Joana D'Aguiar | Realização: Bem Casado Produções Artísticas | Idealização: Natalia Gonsales e Flávio Tolezani |


Na atual encenação, que une o teatro, a dança e a música num único espetáculo, elementos clássicos como a dança flamenca, os costumes ciganos, a tauromaquia, entre outros, são resignificados ao som de guitarras distorcidas, microfones e coreografias para que não reste dúvida de que se repetem as histórias tristes de amor e paixões destruidoras. “O ponto de vista que nos interessa é o de Carmen, a mulher assassinada, dentro de uma sociedade que pouco mudou de comportamento ao longo dos séculos, que aceitou brandamente crimes famosos cometidos contra mulheres como os de Doca Street, Lindomar Castilho e mais recentemente de Bruno, o goleiro. Crimes muitas vezes justificados pela população pelo comportamento lascivo das vítimas, como se isso não fosse aceito em situações invertidas relativas ao comportamento masculino. O homem pode. A mulher não. Nessa encenação Carmen morre não porque seu comportamento justifique qualquer tipo de punição, mas porque José é um homem, como tanto outros, doente como a sociedade que o criou”, completa Nelson Baskerville.

quinta-feira, agosto 17, 2017

Nerdologia, canal do Youtube



Lentamente eu vou me apaixonando por esses canais do Youtube. Nerdologia é uma incrível fonte de conhecimento, dinâmico, instigante, inteligente. Percruta e aprofunda um tema, e ao final, se houve falha no episódio anterior, o apresentador se retrata, justifica ou acrescenta. Editado de forma dinâmica e muito bem apresentado é uma lição de como difundir conhecimento nesta catarata que é a web. 

SurfaceOne



Quero.

Estou cansado de me entristecer pelo Brasil

Eu estou cansado de me entristecer pelo Brasil. Essa desesperança toda. Essa exasteração. Esse sentimento de desilusão espalhado em todo canto. A indignação em tom menor, convertida em melancólica observação de todas as falências. As especulações e mentiras tomadas por verdade. Os equívocos. A deseducação diária dos meios de comunicação. O rancor à academia e ao saber. A incitação de ódio..., a negligência com os velhos e pobres. Esse carimbo de falência irredutível da Educação justificando o desprezo a classe de professores vistos como privilegiados. A privatização de todo bem público como irremediável e a concessão de benesses a bancos, a empresários, aos igrejeitos, a revistas e redes de teve, à agropecuária e agronegócio predatórios.

Estou cansado de me entristecer pelo Brasil sem saída. 

Caetano fala sobre "Tua cantiga", de Chico Buarque


#Caetano sobre "Tua Cantiga" (http://spoti.fi/2i7Qv46), nova canção de Chico Buarque 👉🏼 "Foi frutífero que eu tivesse tido de retardar a audição da nova canção de Chico. Talvez eu a tivesse achado bonita, delicada e antiga e a deixasse de lado. Perguntaram-me algumas vezes nesses dias: já ouviu? "Ainda não" era a resposta com que continha minha calma curiosidade. Ao ouvi-la (ao lado de Tom e de Cezar Mendes, que tinha ficado impressionado com a música ali ouvida) fiquei tomado. Cezar tinha elogiado o tratamento harmônico, o piano e o baixo, repetindo o nome de Cristóvão. Sou tão fascinado pelo lado músico de Chico (cujo violão vem das vozes cantadas em casa com Miúcha, portanto não é esquemático, como nossos violões perigam ser, o que Guinga percebeu como ninguém, deixando-se influenciar e influenciando o mestre de volta) que pensei que aquelas inversões, que fazem um tema em tom menor padrão virar invenção extraordinária, fossem do próprio Chico. Mas, sobre essas harmonias, eram as rimas que me sideravam. O cantor refere-se a elas, como se cresse que só ele sabe quantas há na canção. Mas as rimas que mexem fundo com a gente são as inaparentes, as que se dão nas consoantes das palavras finais dos penúltimos versos das estrofes: suspiro/ligeiro; nome/perfume; lenço/alcanço; filhos/ joelhos; nega/ cantiga. "Minha nega" e "cantiga" são chave de ouro. O ritmo de lento afoxé sob essas formas verbais aprofunda a sensação de velha brasilidade que só se supunha morta porque fazia tempo que Chico não vinha com uma música." #CaetanoVeloso #ChicoBuarque #TuaCantiga

GERRA TOTAL, texto de Gabriel Priolli

Curiosa essa polêmica sobre a "editoria de guerra" criada pelo jornal Extra, do Rio de Janeiro. O que, exatamente, não é bélico, em toda a grande imprensa atual?

A editoria política está em guerra permanente contra Lula, Dilma, o PT, o petismo, o socialismo e a esquerda em geral. São tratados como a quintessência da corrupção, da traição de princípios e do atraso, além de propagadores do ódio. Em alguns casos, como ingênuos sonhadores, românticos passadistas.

A editoria econômica bombardeia tudo que conteste o projeto neoliberal de estado mínimo e mercado máximo, o império da finança, a regressividade dos impostos e a desregulamentação de atividades. Mira, particularmente, no nacional-desenvolvimentismo e sua odienta obsessão com políticas sociais distributivas.

A editoria de cidades está em guerra com pichadores, craqueiros, sem-teto, ciclistas, skatistas, funkeiros, a garotada dos rolezinhos, os pobres em shoppings e manifestantes em geral, essa gente que sempre atrapalha a boa ordem urbana e o tráfego das ambulâncias.

A editoria de cultura está em conflito aberto com toda produção artística e intelectual que não se guie pelo mercado. Ataca o financiamento estatal a projetos culturais, suspeita de quem o recebe, combate a ideia de que a cultura seja operada em favor da diversidade e da redução de desigualdades no país.

A editoria de esporte, quando não está pondo o país inteiro contra o Corinthians, combate a FIFA, a COMENBOL, todas as federações de todas as modalidades, os clubes, as comissões técnicas, os treinadores, os árbitros e os atletas, salvo aqueles que disputam campeonatos europeus e a Bola de Ouro.

Até a seção de cartas, ora transformada em redes sociais e com a ressonância elevada à milésima potência, é pura confrontação e beligerância.
Se a coisa está mais grave para a editoria de polícia, em especial no Rio de Janeiro destruído pelos governos estadual e federal do PMDB, nem por isso ela pode arrogar qualquer titularidade da nomenclatura militar, como fez o Extra.

Editoria de guerra são todas, numa imprensa que vive de fornecer inimigos para o deleite de seu público.

Caravanas, de Chico Buarque


Prestes a ser lançado. Ansioso.

Carta de Mário para Drummond, sobre amar o Brasil e crer

São Paulo, 10 novembro 1924

Meu caro Carlos Drummond

Já começava a desesperar da minha resposta? Meu Deus! Comecei esta carta com pretensão… Em todo caso de mim não desespere nunca. Eu respondo sempre aos amigos. Às vezes demoro um pouco, mas nunca por desleixo ou esquecimento. As solicitações da vida é que são muitas e as da minha agora muitíssimas e… Quer saber quais são? Tenho o meu trabalho cotidiano, é lógico. Lições no Conservatório, lições particulares. Mas atualmente as minhas preocupações são as seguintes: escrever dísticos estrambóticos e divertidos prum baile futurista que vai haver na alta roda daqui (a que não pertenço, aliás). Escolher vestidos extravagantes mas bonitos pra mulher dum amigo que vai ao tal baile. E escrever uma conferência sem valor mas que divirta pra uma festa que damos, o pianista Sousa Lima e eu, no Automóvel Clube, sexta-feira que vem. São as minhas grandes preocupações do momento. Serão desprezíveis pra qualquer idiota antiquado, aguado e simbolista. Pra mim são tão importantes como escrever um romance ou sofrer uma recusa de amor. Tudo está em gostar da vida e saber vivê-la. Só há um jeito feliz de viver a vida: é ter espírito religioso.

Explico melhor: não se trata de ter espírito católico ou budista, trata-se de ter espírito religioso pra com a vida, isto é, viver com religião a vida. Eu sempre gostei muito de viver, de maneira que nenhuma manifestação da vida me é indiferente. Eu tanto aprecio uma boa caminhada a pé até o alto da Lapa como uma tocata de Bach e ponho tanto entusiasmo e carinho no escrever um dístico que vai figurar nas paredes dum bailarico e morrer no lixo depois como um romance a que darei a impassível eternidade da impressão.

Eu acho, Drummond, pensando bem, que o que falta pra certos moços de tendência modernista brasileiros é isso: gostarem de verdade da vida. Como não atinaram com o verdadeiro jeito de gostar da vida, cansam-se, ficam tristes ou então fingem alegria o que ainda é mais idiota do que ser sinceramente triste. Eu não posso compreender um homem de gabinete e vocês todos, do Rio, de Minas, do Norte me parecem um pouco de gabinete demais. Meu Deus! se eu estivesse nessas terras admiráveis em que vocês vivem, com que gosto, com que religião eu caminharia sempre pelo mesmo caminho (não há mesmo caminho pros amantes da Terra) em longas caminhadas! Que diabo! estudar é bom e eu também estudo. Mas depois do estudo do livro e do gozo do livro, ou antes vem o estudo e gozo da ação corporal.

Eu neste ponto não aconselho nada porque nisso a gente não se muda por causa de conselhos, mas um dos desastres que impedem a felicidade, que é naturalidade, de vocês está aí: em casa lendo, redação de jornal, café com amigos sobre tal livro, tal escritor, escrever coisas depois, talvez cinemas e depois farra com mulheres. Isso não é vida que se leve! Isso é vício. Está muito bem com todas as outras formas de vida juntas, mas assim sozinhos e continuados é miséria, decadência e infelicidade na certa. É horrível.

Veja bem, eu não ataco nem nego a erudição e a civilização, como fez o Osvaldo num momento de erro, ao contrário respeito-as e cá tenho também (comedidamente, muito comedidamente) as minhas fichinhas de leitura. Mas vivo tudo. Que passeios admiráveis eu faço, só! Mas ninguém nunca está só a não ser especiais estados de alma, raros, em que o cansaço, preocupações, dores demasiado fortes tomam a gente e há essa desagregação dos sentidos e das partes da inteligência e da sensibilidade. Estão a gente fica só por milhões de amigos que tenha ao lado. Se não, não. Um sentido conversa com outro, a razão discute com a imaginativa etc. e é uma camaradagem sublime de pessoas tão íntimas como nenhuns Castor e Pólux ideais. E então parar e puxar conversa com gente chamada baixa e ignorante! Como é gostoso! Fique sabendo duma coisa, se não sabe ainda: é com essa gente que se aprende a sentir e não com a inteligência e a erudição livresca. Eles é que conservam o espírito religioso da vida e fazem tudo sublimemente num ritual esclarecido de religião.

Eu conto no meu “Carnaval carioca” um fato a que assisti em plena avenida Rio Branco. Uns negros dançando o samba. Mas havia uma negra moça que dançava melhor que os outros. Os jeitos eram os mesmos, mesma habilidade, mesma sensualidade mas ela era melhor. Só porque os outros faziam aquilo um pouco decorado, maquinizado, olhando o povo em volta deles, um automóvel que passava. Ela, não. Dançava com religião. Não olhava pra lado nenhum. Vivia a dança. E era sublime. Este é um caso em que tenho pensado muitas vezes. Aquela negra me ensinou o que milhões, milhões é exagero, muitos livros não me ensinaram. Ela me ensinou a felicidade.

Bom! não é preciso ninar a vida pra ser feliz dentro dela e ainda tenho umas coisinhas pra lhe dizer e perguntar. Primeiro você me fala numa carta que escrevi ao Martins de Almeida. Ora eu já escrevi duas e da segunda não veio resposta. Não sabe se ele a recebeu? Se não, fico seriamente triste porque era longa, não era pensada, não, mas era tão minha, dada de coração, e eu me horrorizo de me pensarem ingrato ou indiferente. Ele que me escreva qualquer coisa. A carta foi registrada pra avenida Paraopeba 272. Segundo: li seu artigo. Está muito bom. Mas nele ressalta bem o que falta a você — espírito de mocidade brasileira. Está bom demais pra você. Quero dizer: está muito bem pensante, refletido, sereno, acomodado, justo, principalmente isso, escrito com grande espírito de justiça. Pois eu preferia que você dissesse asneiras, injustiças, maldades moças que nunca fizeram mal a quem sofre delas. Você é uma sólida inteligência e já muito bem mobiliada… à francesa.

Com toda a abundância do meu coração eu lhe digo que isso é uma pena. Eu sofro com isso. Carlos, devote-se ao Brasil, junto comigo. Apesar de todo o ceticismo, apesar de todo o pessimismo e apesar de todo o século 19, seja bobo, mas acredite que um sacrifício é lindo. O natural da mocidade é crer e muitos moços não creem. Que horror! Veja os moços modernos da Alemanha, da Inglaterra, da França, dos Estados Unidos, de toda a parte: ele creem, Carlos, e talvez sem que o façam conscientemente, se sacrificam. Nós temos que dar ao Brasil o que ele não tem e que por isso até agora não viveu, nós temos que dar uma alma ao Brasil e para isso todo sacrifício é grandioso, é sublime. E nos dá felicidade. Eu me sacrifiquei inteiramente e quando eu penso em mim nas horas de consciência, eu mal posso respirar, quase gemo na pletora da minha felicidade. Toda a minha obra é transitória e educada, eu sei. E eu quero que ela seja transitória. Com a inteligência não pequena que Deus me deu e com os meus estudos, tenho a certeza de que eu poderia fazer uma obra mais ou menos duradoura. Mas que me importam a eternidade entre os homens da terra e a celebridade? Mando-as à merda. Eu não amo o Brasil espiritualmente mais que a França ou a Cochinchina. Mas é no Brasil que me acontece viver e agora só no Brasil eu penso e por ele tudo sacrifiquei.

A língua que escrevo, as ilusões que prezo, os modernismo que faço são pro Brasil. E isso nem sei se tem mérito porque me dá felicidade, que é a minha razão de ser da vida. Foi preciso coragem, confesso, porque as vaidades são muitas. Mas a gente tem a propriedade de substituir uma vaidade por outra. Foi o que fiz. A minha vaidade hoje é de ser transitório. Estraçalho a minha obra. Escrevo língua imbecil, penso ingênuo, só pra chamar a atenção dos mais fortes do que eu pra este monstro mole e indeciso ainda que é o Brasil. Os gênios nacionais não são de geração espontânea. Eles nascem porque um amontoado de sacrifício humanos anteriores lhes preparou a altitude necessária de onde podem descortinar e revelar uma nação. Que me importa que a minha obra não fique? É uma vaidade idiota pensar em ficar, principalmente quando não se sente dentro do corpo aquela fatalidade inelutável que move a mão dos gênios. O importante não é ficar, é viver. Eu vivo. E vocês não vivem porque são uns despaisados e não têm a coragem suficiente pra serem vocês. É preciso que vocês se ajuntem a nós ou com este delírio religioso que é meu, do Osvaldo, de Tarsila ou com a clara serenidade e deliciosa flexibilidade do pessoal do Rio, Graça, Ronald. De qualquer jeito porque não se trata de formar escola com um mestrão na frente. Trata-se de ser. E vocês por enquanto ainda não são. Responda, discuta, aceite ou não aceite, responda. Amigo eu serei sempre de qualquer forma. Não é a amizade e a admiração que diminuirão, é a qualidade delas.

Amizade triste ou amizade alegre e do mesmo jeito a admiração. Desculpe esta longuidão de carta. Eu sofro de gigantismo epistolar. Como vai o Nava? Vocês não arranjam mesmo um jeitinho de vir passar uns dias em São Paulo? Isto aqui é engraçado. Me avisem antes se um dia se aventurarem até aqui. E até logo. Vou lhe mandar uma cópia do “Noturno”, é só minha irmã ter um tempinho e passará a versalhada a máquina. Olhe, a Estética publicou um poema meu, “Dança”, que eu acho que tem alguma coisinha dentro. Reflita e mande me dizer.

Um abraço do
Mário de Andrade

Um gênio

quarta-feira, agosto 16, 2017

Microconto de Hemingway

VENDEM-SE

Sapatos de bebê
nunca usados.

Ernest Hemingway

















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segunda-feira, agosto 14, 2017

Caetano e filhos em turnê




Nota de Caetano Veloso à imprensa:


"Há muito tempo tenho vontade de fazer música junto a meus filhos publicamente. Desde a infância de cada um deles gosto de ficar perto. Cada um é um. Sempre cantei para eles dormirem. Moreno e Zeca gostavam. Tom me pedia pra parar de cantar. Indo por caminhos diferentes, todos se aproximaram da música a partir de um momento da vida. Moreno, que nasceu vinte anos antes de Zeca, formou-se em física. Tom, que nasceu cinco anos depois de Zeca, só gostava de futebol. Moreno e Tom já se profissionalizaram como músicos. Zeca, depois de passar parte da adolescência experimentando com música eletrônica, começou a compor solitariamente. Quero cantar com eles pelo que isso representa de celebração e alegria, sem dar importância ao sentido social da herança. É algo além até mesmo do "nepotismo do bem", na expressão criada por Nelson Motta.

Faz uns anos, fiz, atendendo a um convite específico, um show com Moreno, que foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. No show que faremos agora, voltaremos a certas canções impossíveis de serem descartadas, como "Um canto de afoxé para o bloco do Ilê" ou "Sertão". Moreno tem uma linha criativa extremamente refinada. Os trabalhos com o grupo +2 são uma marca profunda e duradoura da sua geração. Seu disco individual é um dos mais belos exemplos de delicadeza da história da canção brasileira.

Logo depois comecei a fazer o trabalho com a Banda Cê. E Recanto pra Gal. Moreno esteve em todos esses projetos como produtor, trazendo sua sabedoria. No meio tempo, Zeca e Tom foram crescendo. Tom, no começo, nem ligava pra música. Hoje faz parte da banda Dônica e é, de nós quatro, o mais naturalmente dotado para as relações entre as alturas, os tempos e todos os signos musicais. Zeca, que sempre adorou música, justo quando achava que não havia para si mesmo um caminho nessa atividade, compôs um grupo de canções comoventes. Ao ouvir uma delas, Djavan exigiu que ele a mostrasse em público. Ele resistiu mas nesse show finalmente obedecerá a Djavan. Tom, em sua relação de discípulo com Cézar Mendes, desenvolveu uma capacidade de execução notável. E logo já começava a compor com seu mestre. Entrei como letrista numa dessas canções que ele fez com Cézar. E agora, na preparação desse novo show, fiz letra para uma música só sua. 

Assim, no show apresentaremos algumas dessas coisas que cresceram em nós, de nós. E canções minhas escolhidas por eles. "O
Leãozinho", que os filhos de tanta gente pedem, os meus não deixaram de pedir. E coisas como "Reconvexo" têm de estar ali confirmando a linhagem. Há clássicos de Moreno e canções novas de todos (inclusive minhas). Nas primeiras conversas, imaginamos chamar um pequeno grupo de músicos para enriquecerem os arranjos. Mas, ensaiando, decidimos ficar só os quatro no palco. O som será mais para o acústico e muito singelo. Eu sou o único que só toca violão. Os outros podem se revezar em alguns instrumentos. É um show familiar, nascido da minha vontade de ser feliz. Ter filhos foi a coisa mais importante da minha vida adulta. O que aprendi com o nascimento de Moreno - e se confirmou com as chegadas de Zeca e Tom - não tem nome e não tem preço. Mas nosso show também tem a responsabilidade de apresentar números com qualidade profissional. Creio que não somos uma família de músicos, como há tantas, dado o caráter comprovadamente genético do talento musical, mas seguramente somos músicos de família. Os shows são dedicados às mães deles, a Cézar Mendes e à memória de minha mãe.

Caetano Veloso".

sábado, agosto 12, 2017

Valerian, de Luc Besson


Pense num filme ruim. Valerian é o filme. Muito efeito, muita pirotecnia, um casal que não convence romanticamente, uma missão que não empolga, não desenrola, clichês a cada cinco minutos, muita corrida, explosões, vilão megacaricato e sem poder, aquele humor ogro de tolo típico de Luc, tanto CG que o filme parece uma animação (pior, ruim). É diluição de tanta coisa que resulta em puro vazio. Esquecível na hora que se bota o pé para fora da sala de cinema. Vi com Mauro na Paulista, esse micão novo de Luc Besson. 


Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

sexta-feira, agosto 11, 2017

Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

Em São Paulo, a prefeitura identificou 1.320 imóveis sem função social na capital (não cumprem com interesses da cidade e da sociedade), configurando cerca de 2 milhões de m2 de casas e edifícios ociosos que não pagam impostos, estão vazios e abandonados. 

Abandonado, com focos de dengue e acúmulo de lixo, o antigo Hotel Cambridge foi ocupado, em 2012, pela Frente de Luta por Moradia (FLM). Situado na Avenida 9 de Julho, uma das mais importantes de São Paulo, o hotel passou a abrigar 170 famílias. Gerido pelo Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC), o imóvel foi limpo e convertido em lar, ainda que precário, para trabalhadores brasileiros e refugiados.


Eliane Caffé é uma diretora bem intensionada, tem equipe e colaboradores excelente, sempre parte de premissas ótimas, mas o resultado é sempre torto, por que como diretora é menos que mediana. Seus filmes param sempre no meio do caminho entre divertir e estimular o pensamento, não cumprindo nem uma coisa nem outra. Kenoma e Narradores de Javé trazem isso, partem do factual que mitifica para alcançar um sentido existencial/filosófico/social que não alcança. São filmes falhos no ritmo, insuficientes no desenvolvimento, capengas na condução, falhos no desfecho. 

Era o Hotel Cambridge parte do documento social e vai se perder justamente na tentativa de se extrair dali um sentido transcendente que não tem. Começa por ser essa coisa híbrida, misto de documentário (ao qual não se aprofunda) e ficção (que não desenvolve, e o pouco que apresenta não convence). Podia ser algo, mas ainda investe mais no filme-frankenstein: no meio da não trama já confusa, vai tentar entender pela "arte" (vários moradores estão preparando uma peça de teatro/dança) a diversidade da experiência coletiva no Hotel Cambridge. Até as tentativas de metáfora/alegoria das múltiplas culturas que se encontram no hotel são pobres/toscas - como a discussão entre nordestino/brasileiro, japonês, africano a melhor comida; a sequência de conserto da luz, o envolvimento romântico/sexual de homens e mulheres de origens e níveis distintos na ocupação. 

Era o Hotel Campbride surge primeiro como um filme de grandes possibilidade. Eliane filma num prédio ocupado, com moradores/militantes reais, com o aval do MST, podendo retratar a rotina, os anseios, as dificuldades, as frutrações, a complexidade das relações, o choque com os interesses dos poderosos, da prefeitura/estado de Direita, com moradores/trabalhadores do entorno riquíssimo da metrópole dinâmica e irracional que é São Paulo. Quem não gostaria de ter essa oportunidade nas mãos? Mas Eliane opta por ficcionalizar rotinas e relações,  mesclando realidade e ficção, acrescentando certos delírios poéticos no meio disto.

Eliane tem no Cambridge o microcosmo perfeito para se entender o Brasil atual: um prédio histórico (no centro da capital econômica do país) ocupado por excluídos (pobres, moradores de rua, nordestinos, mulheres com filhos pequenos, imigrantes, marginais e marginalizados diversos). Reivindicado  como lar, como direito, eles enfrentam o poder do Estado, da especulação imobiliária e travam embate com o aparato repressor (polícia militar) em desdobrados revezes com a Lei/Justiça. O que Eliane Caffé faz? Resolve voltar o foco principal para os refugiados, tirando novamente de primeiro plano os já (tão ou mais) excluídos que eles. Aliás, tendo acesso a este grupo de refugiados (artistas e não artistas), o que a diretora extrai disto? Um filme confuso, sem ritmo, cheio de descompasso entre as partes, em que nada se soma para dar coesão e sentido.

Nisso, esvazia a realidade, derruba a ficção, e converte em pastiche o trabalho teatral/artistico que insere no filme. O discurso do filme mais que confuso vira algaravia, discurso nenhum, da qual restam poucos momentos elucidativo da rotina, procedimentos e questões dos habitantes das ocupações.

Era o Hotel Cambridge é, para mim, um filme absolutamente decepcionante. Zé Dumont repete o jocoso artista pop-popular de Narradores de Javé com récitas soltas e delírios oswaldianos, Suely Franc que faz sua tia septuagenária (ex-artista circense delirante) tem a constrangedora cena em que se insinua sexualmente para um imigrante para parir um elefante de estimação. A apresentação teatral é interessante, mas está no filme errado. Parece que Cacá Diegues e Sérgio Resende se juntaram para - a partir de um material excelente, como de costume - detonar em mais um abacaxi caro e esquecível que mata a gente de vergonha. 

O estranho que nós amamos, remake de Sofia Coppola


SINOPSE: Remake dirigido por Sofia Coppola, O estranho que nós amamos se passa na Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).



Assisti na Paulista com Cinha, ontem (10.8.17) a tarde. Achei o filme escuro (talvez problema da projeção), moroso - para não dizer arrastado - e sem muito para oferecer. Colin Farrell faz sua sempre anódina interpretação de si mesmo, Nicole está competente e distante, Kirsten Dunst, tão sumida de bons papéis, surge para não fazer a diferença. Elle Fanning nos presenteia com um papel diferente de tudo que já fez, a vagaba espevitada. 

Mulheres castradas pelo puritanismo da época e do protestantismo cristão só poderiam resultar em tensão e desejo. A melhor cena segue sendo Nicole lavando o corpo de Colin desmaiado e suando e arfando de tesão ante a nudez do cara (que Sofia dirige pudicamente para a América puritana de hoje, que não tolera nem paus nem pentelhos). Deveria ter um clima mais tenso de desejo, de suspense (ele pode ser levado a qualquer momento da casa pelos soldados inimigos) e de terror, acaba tudo sendo diluído e filtrado pelo estilo de Sofia Copolla, que adora os não ditos e a marcha ré. O tema segue sendo sempre o mesmo da diretora: o exame do feminino em situação de isolamento, das mulheres presas às convenções sociais do lugar/tempo/espaço/sociedade, sexualmente carentes e/ou frustradas ante homens indiferentes ou ameaçadores. No final, elas sempre assumem o controle, nem que isto resulte em autodestruição. 

O filme não emociona, não estimula intelectualmente o espectador, não encanta. Os tons pastéis anêmicos e a monotonia arrastada dos planos - para fazer o filme de época ser mais filme de época - com algumas explosões bruscas na ação faz a gente se questionar se este filme valia um remake. 

A vingança está na moda, de Jocelyn Moorhouse



A sinopse do filme diz o seguinte: "Na década de 1950, na Austrália, a talentosa costureira Tilly regressa à sua cidade natal para tentar se reconciliar com a mãe e se vingar de algumas pessoas do seu passado. Mas uma paixão inesperada cruza o seu caminho." Não bate com o enredo tolo, imbecil. Expulsa da cidade quando criança por ter "assassinado" um garoto com uma pedra na cabeça, Tilly volta para cuidar da mãe que está nas últimas e descobrir se matou o não o tal garoto, já que não se lembra de nada (?????) do fato. Neste ínterim trabalha como costureira/estilista embelezando as pessoas na cidade que a odeia. Tem um envolvimento amoroso com um rapaz do time de futebol que é todo perfeição, mas esse morre ao se jogar dentro de um silo para provar que ela não está amaldiçoada para o amor. Tilly segue agindo como um capacho da cidade mesmo quando descobre que o garoto imbecil, morreu batendo a cabeça num muro. Quando a mãe morre ela prepara uma vingança sem sentido (fazer figurino para uma peça), encedeia a casa e por tabela toda a cidade (que só tem literalmente meia duzia de casas).

A única coisa que presta no filme são os figurino. A gente se pergunta o que Kate Winslet está fazendo num melodrama tão imbecil, fazendo papel de mocinha frágil tendo como par romântico um ator de vinte poucos anos. A trama inverossímel, a condução arrastada, os personagens excêntricos e repulsivos (até os bonzinhos) faz a gente pensar em como se gasta grana, atores e nós, espectadores, num filme tão absolutamente ruim. 

Charge política, sempre arguta e no ponto.


O mínimo para viver (To the bone), Netflix



Uma jovem (Lily Collins) com anorexia é levada pela família, na uma última tentativa de se recuperar, a um novo médico (Keanu Reeves) com terapia não convencional. Fica internada numa casa com outros jovens anorexos, muitos sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável. Interagindo, tendo avanços e recaídas, ela por fim  consegue abraçar a vida.  



Tem gente que achou o filme forte, eu achei uma espécie de Garota interrompida ainda mais cosmetizada que o promeiro. Mas é um filme honesto, que vai tangenciando a questão sem ir muito a fundo. Lily Collins tem um ótimo esforço de motificação do corpo, mas falta densidade dramática a ela e demais jovens da casa.


quinta-feira, agosto 10, 2017

Le temps que reste, de Françóis Ozon



O Tempo que Resta (2004‧ Drama/LGBT ‧ 1h25). Um drama soturno e melancólico de François Ozon. Romain é um jovem fotógrafo bem-sucedido que é diagnosticado com um câncer já em estágio terminal. Ao receber a notícia de sua doença, oculta a doença dos mais próximos. Na contramão do óbvio, em vez de tentar acertos de contas, inicia a implosão dos laços mais íntimos. Humilha e dispensa o namorado que ama, recusa a reconciliar-se com a irmã, indaga ao pai sobre suas amantes, por fim vai procurar a avó. Só a ela revela estar morrendo, e ao indagar-lhe por que a escolheu para dizê-lo ele responde: "Por que você irá morrer". Abdicando a uma viagem no Japão que "consolidaria" sua carreira, segue numa maratona autodestrutiva: cheira cocaína, vai procurar sexo num inferninho sadomasoquista gay e cai na bebedeira enquanto rememora (em flashes) uma ida, ainda menino à praia, quando se vê diante do mar com uma bola imensa. Numa visita a uma igreja católica, contempla devotos rezando e se lembra (novo flashback) quando em menino, junto com um colega, urinou na água benta da igreja. 

Neste processo de busca de si, o filme se torna um roadmovie pocket. Na beira de uma estrada, num bar, encontra uma garçonete que pede que a engravide, já que o marido é estéril e ela o achou bonito. Não só o marido está ciente do acordo, como vão os três para cama, num ménage à trois glamourizado. Logo que a gravidez que confirma, diante de um juiz ele deixa de herança para o bebê todos seus bens, além de dar-lhe o sobrenome. No curso de tudo isso, fotografa com uma pequena câmera o cotidiano banal de pessoas e lugares. Por fim, combalido, apanha um ônibus, e muito magro, segue para uma praia. Deita entre banhistas. Um menino com uma bola (ele mesmo?) aproxima-se dele que lhe devolve a bola vermelha imensa. Enfim, deita-se entre banhistas na toalha sobre a areia. O sol lambe seu corpo, o por do sol começa a cair, os banhistas partem, e já morto, na praia, advém a noite.  




 Le temps que rest é aqueles dramas que temem cair no melodrama, então são conduzidos com silêncio, secura, com aproximações e distanciamentos onde poderia haver explosões emocionais. Mas são franceses, então tais lacunas são preenchidos com silêncios, flashbacks poéticos, frases lacônicas e misteriosas. Romain é belo, arrogante, gosta de estar no controle, desliza contemplativo, tenta segurar o tempo presente fabricando esses instantâneos para ninguém na sua pequena máquina. O tempo que resta é de autoavaliação. O aleijão emocional de Romain o impede de se abrir emocionalmente com os parentes mais próximos, pede sexo ao namorado (agora ex) que ainda ama, mas de quem não deseja autocomiseração. No fundo é o menino com a bola, contemplativo e frágil que segue aparecendo em vários pontos do filme. É o passado que abre e se fecha ao término do filme, com a bola do menino e o círculo solar que desce sobre o mar.. O bebê é o que Roman deixa como continuidade de si para o mundo. Um filme curto, com desejo de significar mais do que alcança. Ainda assim, outro belo Ozon. 

Uma capa modernamente clássica


Platon Antoniou, fotógrafo















Dória na Istoé, o plágio do Platon: uma questão de ângulo




"A capa da Istoé é uma aula de ângulo. Reproduziram a estética repleta de significados do conceituado Platon – mas esqueceram um detalhe na perspectiva.
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Platon, célebre retratista, fotografa com a mesma luz e no mesmo banquinho quase todo tipo de personagem importante da política mundial. Ninguém nunca fez uma relação com a privada, como no caso do Dória. A explicação dessa leitura de imagem está no plano e na objetiva (mas também está fora do enquadramento).
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Explico rapidinho: a perspectiva é afetada por uma lente grande-angular, que torna o que está perto maior e o que está longe menor (veja a relação mãos-cabeça). Para Clinton, isso transmite a ideia de grandeza. Ele parece mais forte e imponente do que eu e você que estamos olhando a fotografia. Tudo isso porque Platon colocou a câmera bem abaixo do ângulo de visão. 
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Com Dória, a mesma estética - com a leve diferença no ângulo - muda toda essa leitura. Repare nos detalhes do ângulo e posição do corpo, eles se mesclam com as relações além-quadro que tornam sua política questionável – daí a relação com o "troninho". 
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É por isso que fotografia não é sobre a técnica e estética, mas sim, sobre o significado."

Everson Tavares, tirado do Facebook. 

Omnia unus est



Omnia unus est: Tudo que existe é uno. Tudo que está no alto está embaixo.

quarta-feira, agosto 09, 2017

De novo sobre os humores: melancólico, fleumático, colérico e sanguíneo.



MELANCÓLICO

É um temperamento analítico, abnegado, bem dotado e perfeccionista. Isto o faz admirar as belas artes. É introvertido por natureza. Mas as vezes é levado por seu ânimo a ser extrovertido. Outras vezes enclausura-se como caramujo, chegando a ser hostil. É amigo fiel, mas não faz amigo facilmente, por ser desconfiado. Tem habilidade de analisar os perigos que o envolve. Força-se a sofrer e sempre escolhe uma vocação difícil, que envolva grande sacrifício pessoal. Muitos dos grandes gênios do mundo, artistas, músicos, inventores, filósofos, educadores e teóricos, eram melancólicos. Podemos ver estas características em personagens bíblicos de projeção como, Moisés, Elias, Salomão, o apóstolo João e muitos outros.

Vejamos suas forças e fraquezas:

Forças: Habilidoso, delicado, leal, idealista e minuncioso…

Fraquezas: Egoísta, amuado, pessimista, confuso, antisocial e vingativo…

Problemas causados: Espera muito das pessoas, em troca do que faz. Intromete-se onde não deve, gasta tempo com o que não deve, atrapalhando seu serviço, tem aversão as pessoas que tem ponto de vista diferente, entra em atrito com as pessoas que se opõe ao seu caminhar.



FLEUMÁTICO

O fleumático, geralmente é calmo, frio, equilibrado e por isso a vida para ele é feliz e descompromissada; raramente explode em risos ou em raiva, conseguem fazer os outros rirem, mas ele mesmo não solta um sorriso sequer; sempre diz: “alguém devia fazer alguma coisa”, mas ele não faz. Porém é habilidoso para promover paz e conciliação.

Forças: É calmo, tranqüilo, cumpridor dos deveres, líder, imperturbável, para ele é fácil ouvir os outros em seus problemas, o que é difícil para o sangüíneo e colérico, trabalha bem sob pressão, por isso cumpre suas obrigações e gosta de cumprir horários.

Fraquezas: É um tipo de pessoa calculista, desmotivada. É muito pretensiosa, desconfiada, e isto a afasta dos outros. É pessoa indecisa nas suas decisões e temerosa. Esse tipo de pessoa é muito castigada pelo seu egoísmo.

Problemas causados: Através das suas piadas não se esforça para realizar suas tarefas em ritmo satisfatório.



COLÉRICO

É um temperamento ardente, vivaz, ativo, prático e voluntarioso. Por ser decidido e teimoso, torna-se auto-suficiente e muito independente. Por ser ativo, estimula os que estão ao seu redor, não cede sobre pressões. Possui uma firmeza no que faz, o que o faz freqüentemente obter sucesso. Não é dado as emoções, por ser pouco analista, não vê as armadilhas na sua trajetória. Muitos líderes mundiais e grandes generais foram coléricos.

Forças: É otimista, enérgico, prático, líder, audacioso, autodisciplinado e autodeterminado, não tem medo de situações difíceis nem de grandes desafios, estes o estimulam ainda mais, é alguém de objetivos e por isso a dificuldade não o esmorece…

Fraquezas: Ira, impetuosidade, autosuficiência, é vingativo e amargo, por isso tem tendência ter úlcera antes dos 40 anos, muitas vezes falará coisas cruéis, sarcásticas e mordazes (ofensas grosseiras e refinadas), embora seja de fato capaz, sua arrogância tende causar antipatia nos outros temperamentos…

Problemas causados: Torna-se exigente com os seus, é uma pessoa de muitos argumentos, impiedoso nas decisões, ausência de bondade, cria padrões difíceis de serem alcançados, utiliza-se das situações.


SANGUÍNEO

Quando se fala do temperamento sanguíneo, se fala de “sangue quente”, de vivacidade. É um temperamento eufórico, vigoroso, que vive o presente, esquece facilmente o passado e não pensa muito no futuro. Traz em si otimismo e por isso crê, mesmo em meio às adversidades.

Forças: Sempre tem amigos, é divertido e contagia os outros, compreensivo e por isso bom companheiro, simpático, destacado e entusiasta e por isso líder…

Fraquezas: É agitado e turbulento, desorganizado, pulsilânime (fraco de ânimo), adora agradar, começa as coisas e não termina, é egoísta e cada vez mais tende a falar muito de si mesmo e de suas qualidades e feitos, tende a desculpar-se sempre de suas fraqueza.