quinta-feira, julho 06, 2017

Xanéu n.5, O Teatro Mágico

XANÉU N.5

A minha TV não se conteve, atrevida,
passou a ter vida, olhando pra mim
Assistindo a todos os meus segredos,
minhas parcerias, dúvidas, medos
Minha tv não obedece

Não quer mais passar novela, sonha um dia
em ser janela, não quer mais ficar no ar
Não quer papo com a antena, nem saber
se vale a pena ver de novo tudo que já vi...vi

A minha TV não se esquece nem do preço,
nem da prece que faço pra mesma funcionar
Me disse que se rende à internet, em suma,
não se submete a nada pra me informar

Não quis mais saber de festa,
não pensou em ser honesta funcionando quando precisei
A notícia que esperava consegui na madrugada
num site, flick, blog, fotolog que acessei que acessei.

(Diz aí, Isaías, qual o seu canal?)

A minha TV tá louca, me mandou calar a boca
e não tirar a bunda do sofá
Mas eu sou facinho de marré-de-si, se a maré subir,
eu vou me levantar

Não quero saber se é a cabo
nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi
Triste fico seriado, um bocado magoado
sem saber o que será de mim

Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua

(Não)

("Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano
não aguento mais, é foda!")

Manda bala Fernando:
"Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto
Acesso é poder e o poder é a informação
Qualquer palavra satisfaz
A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz
O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio
Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento
na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto
quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto."

Falou e disse
Num passado remoto perdi meu controle
Num passado remoto perdi meu controle
Num passado remoto

Era vida em preto e branco, quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz
Finalmente se acabando feito longa, feito curta que termina com final feliz.

Ela não SAP quem eu sou
Ela não fala a minha língua

Ela não SAP quem eu sou
(Sabe nada)
Ela não fala a minha língua

Ela não SAP quem eu sou
Ela não fala a minha língua
(Quem te viu, pay-per-view)

Ela não SAP quem eu sou
Ela não fala a minha língua

Eu não sei se pay-per-view ou se quem viu tudo fui eu

A minha tv tá louca.


Zeca Baleiro e Fernando Anitelli,






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