quinta-feira, julho 20, 2017

Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo

A representação do Direito e da Justiça nas artes narrativas
De 24 a 28 de julho de 2017.
8h as 11h















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Ivete Sangalo - Melhor Cantora no Prêmio da Música Brasileira

Artista simpaticíssima, rainha/diva (palavras da moda) do seu gênero axé. Mas como cantora de MPB mais complexa, faz tudo no piloto automático. Neste caso, ao cantar "Sangue Latino", parece que não entendeu o conteúdo do que está cantando, esvaziou por completo o sentido da música. Uma voz sem extensão, para compensar, só lhe restou sensualizar com o rasgão do vestido. Não, o problema não é o som alto da banda. Uma cantora absolutamente comercial ganhar tal prêmio em época de falência de investimentos em arte e educação faz todo o sentido neste Brasil atual.

quinta-feira, julho 13, 2017

"8", de Dustin Lance Black


8 é uma peça de teatro americana criada por Dustin Lance Black, que recria os argumentos jurídicos e depoimentos de testemunhas no julgamento de Perry vs Schwarzenegger, que declarou a Proposição 8 da Califórnia inconstitucional. Ela foi criada tendo em vista a recusa do sistema judicial federal dos EUA para permitir a liberação das gravações de vídeo do julgamento, e dar ao público uma visão realista do que aconteceu na sala. A obra é escrita no estilo de teatro, palavra por palavra, com as transcrições originais do processo e os registros de jornalistas, juntamente com entrevistas com os demandantes, demandados e os autores envolvidos.



Apresentando um elenco de estrelas, incluindo George Clooney, Brad Pitt, Martin Sheen, Jamie Lee Curtis, Jane Lynch, Kevin Bacon e outros, "8" é uma peça escrita pelo roteirista ganhador do Oscar Dustin Lance Black e dirigida pelo aclamado ator e diretor Rob Reiner. Trata-se de um relato contundente sobre o caso arquivado pela American Foundation for Equal Rights (AFER) no Tribunal Distrital dos EUA, em 2010, que procurava reverter a Proposição 8, uma emenda constitucional que eliminou os direitos de casais do mesmo sexo se casarem no estado da Califórnia. Emoldurado em torno dos argumentos de encerramento do julgamento histórico em junho de 2010, 8 fornece um olhar íntimo do que se desenrolou quando a questão do casamento homossexual foi julgada.




Atores e personagens reais do caso

Kevin Bacon
Dustin Lance Black
David Boies
Matt Bomer..
Campbell Brown
George Clooney
Chris Colfer
Jamie Lee Curtis
Sandy Stier
Jesse Tyler Ferguson
Vanessa Elese Garcia
Cleve Jones
Paul T. Katami
Christine Lahti
Jane Lynch
Matthew Morrison
Rory O'Malley
Ted Olson
Jansen Panettiere
Elliott Perry
Kristin M. Perry
Spencer Perry
James Pickens Jr.
Brad Pitt
John C. Reilly
Martin Sheen
Yeardley Smith
Sandra B. Stier
George Takei
Bridger Zadina
Jeffrey J. Zarrillo

terça-feira, julho 11, 2017

Ilusão de ótica e charge, uma aula de metalinguagem



Gabriel


Shopping Pátio Higienópolis com Mauro


Higienópolis - Fui ver o Homem Aranha com o Mauro, chegando lá, caríssimo, desisti. Acabamos sentados na praça de alimentação falando sobre aulas e comendo MacDonald. 


Jovem e Bela, François Ozon


Durante uma viagem de verão com a família no sul da França, a jovem Isabelle vive a sua primeira experiência sexual com um rapaz alemão. Após voltar para casa, ela divide o tempo entre a escola e o novo trabalho como prostituta de luxo, utilizando o pseudônimo Lea. Ela continua explorando a sua sexualidade e logo começa a ganhar dinheiro com mais clientes. Um incidente trágico envolvendo um deles, entretanto, faz com que a sua mãe descubra as suas atividades secretas.

Há anos baixei e não assisti. Como vi Franz, me senti obrigado a baixar tudo do Ozon. Então caio neste filme denso até não caber mais, com uma protagonista-enigma. Ozon faz personagens femininos incríveis, sempre mantendo um tom de mistério e apostando no desejo. Aqui, ele é central. Parece homenagear de algum modo La belle de jour, aparentada com a dona de casa frígida, Isabelle parece sentir mais prazer em aventurar-se do que com o ato sexual em si. Ozon cria um clima de tensão, como se ela tivesse em constante ameaça, e após o infarto do seu cliente mais simpático e a descoberta da mãe, surge uma Isabelle mais cínica, perigosa em jogos perversos de sedução. 


O filme divide-se em estações do ano, na primavera, finalmente, Isabelle decide ir ao baile e encontrar um rapaz com quem passa a ter um namoro mais convencional. No desfecho, o estranho encontro com a atriz fetiche de Ozon, Charlotte Rampling, da qual a protagonista parece uma sózia jovem.



O vigilante do amanhã, Ghost in the shell


Num mundo pós 2029, cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. Motoko Kusanagi é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.

Scarlett Joahansson adora fazer esses papeis de heroina hightec, deve ser gosto pessoal. O filme tem bons efeitos mas não acrescenta nada. Talvez, naquela categoria pós-humana, híbrido máquina e gente. Mas tudo fica logo vazio. Assisto em casa, com preguiça, na companhia do Big. 

No árabe Raful



Hoje, 10.7.2017, fui com Airton,  Renata e do Roman, no restaurante árabe Raful, na 25. Eles moram agora na França, e estão a passeio no Brasil. Ótimo papo. Gente bacana demais. 

A múmia


Baixei. Sabia que era um lixo, me surpreendi com o fato de ser ainda muito pior. Cruise perdeu de vez a mão.

sábado, julho 08, 2017

A cure for wellness



Um ambicioso executivo é enviado para os Alpes Suíços para resgatar o CEO de sua companhia de um 'Centro de Cura', mas logo descobre que o local não é tão inócuo quanto parece. Lá são feitos experimentos bizarros e no final vira um local de tortura. Visualmente é lindíssimo, constroi um bom clima de suspense e horror, mas tudo desanda e vira um tédio sem fim. 

Voice from the stone


Em 1950, na Toscana, o rico garoto Jakob fica traumatizado após a morte de sua mãe, e para de falar. A jovem enfermeira Verena (Emilia Clarke) é chamada à mansão da família para cuidar dele. Aos poucos, ela conhece os segredos do pai da família e do próprio Jakob. Verena suspeita que os muros de pedra contêm forças malignas que se apoderaram da criança, e que tentam se apoderar dela também.

Um tédio sem fim este filme que  não se decide entre ser terror e drama. O comportamento de Verena é inverossímil. O final redentor e feliz é de matar de vergonha. 

Kong Sckull Island


Um ex-militar viaja com um grupo de desbravadores até a mítica Ilha da Caveira, onde seu irmão desapareceu enquanto procurava o Titan, soro que teria o poder de curar todas as doenças. Além de resgatar o irmão, o homem irá enfrentar as criaturas que habitam o local. A equipe de exploradores se aventura nas profundezas da ilha desconhecida no Pacífico, que é tão bonita quanto traiçoeira, sem saber que estão atravessando para o domínio do mítico Kong.

Uma variação da velha história de King Kong totalmente esquecível.


Colossal, de Nacho Vigalondo


Glória (Anne Hathaway) é uma garota alcóolatra que depois de perder o emprego e terminar o seu relacionamento é forçada a deixar sua vida em Nova York e voltar para sua cidade natal. Quando surgem relatos noticiosos de que uma criatura gigante está destruindo Seul, na Coréia, Glória gradualmente percebe que possui uma ligação com esse fenômeno. Na medida em que os acontecimentos na Coréia saem do controle, Glória percebe a razão pela qual sua existência aparentemente insignificante tem um efeito colossal e impactará o destino do mundo

Sempre admirei o curta-metragista Nacho Vigalondo. Ele fez Cronocrimes, um média metragem muito bom. Mas esse filme com Anne Hathaway é uma bobagem tão grande que não dá nem para acreditar como ela topou fazer essa tolice. Uma garota entra num parquinho de direção e de lá controla um monstro gigante que está em Seul e vai destruindo os prédios de Seul. Engraçado que, apesar de o monstro aparecer diariamente, no mesmo horário, todos os dias há gente ocupando a cidade e pronta pra ser esmagada pelo monstro. Uma bobagem colossal. 

Life


Mais uma das infindáveis variantes do filme Alien. Astronautas estão em órbita para examinar e desenvolver um organismo encontra em Marte. Este se revela um predador voraz e indestrutível que vai matando um a um os passageiros da nave. No final, tem que impedir que chegue a terra e destrua o mundo. Não conseguem. Fim. Nada de novo, claro.


O círculo


Um filme totalmente Black Mirror. As evidentes limitações de Emma Watson. Um final brusco, chato, ambiguo. 

The pass


Dois jogadores de futebol, num quarto de hotel, em três tempos. Repressão sexual e angústia existencial. Uma peça de teatro bem filmada. 

sexta-feira, julho 07, 2017

Diamante Verdadeiro, por Cássia Eller



Robson Santos:

Originalmente, essa canção foi feita para Maria Bethânia, no ano de 1978, quando da época do lançamento do aclamado LP Álibi. É sabido por todos que a citada cantora baiana foi uma das grandes influências de Cássia Eller. Tanto que esta se reuniu a Zélia Duncan e Adriana Calcanhotto e fizeram as três um show em homenagem à Bethânia (com participação da própria). Alguém perguntou o motivo pelo qual a Cássia interrompeu a canção no início e se queixou. Era uma alusão ao modo como Maria Bethânia fica brava no palco quando há algum problema técnico de som e imediatamente se queixa e aguarda a regularização do mesmo para retomar o show. Cássia Eller também imitou algumas peculiaridades do canto de Bethânia: a extensão do s e do r, por exemplo. A divisão melódica que Cássia fez é belíssima, aproximando a canção ao estilo original concebido por Caetano Veloso: o "samba de breque". Observem o verso "do mesmo modo como é verdadeiro o diamante que você me deu". A respiração da Cássia é perfeita, com a manutenção dos intervalos daquele estilo de samba. Bom, quem viu Cássia Eller no palco sabe que Maria Bethânia fez herdeiras (em visceralidade, força cênica, energia no palco...). Viva Cássia Eller, Maria Bethânia e Caetano Veloso

quinta-feira, julho 06, 2017

Televisão, cartum


Veículo de massa, de Mário Chamie


VEÍCULOS DE MASSA



O vidro transparência / o olho cego consciência
a consciência no vidro / a transparência do vidro
o povo cego da praça / o olho negro da massa
a praça de olho cego / a massa de olho negro.
o vidro      transparência
o cego      consciência
a massa diante do vidro
a massa   =   olho de vidro

a praça de olho negro
o povo = olho morcego
sem ver o povo    com a venda
a câmara negra   =   sua tenda

sem ver /a venda no olho do povo
te vê    /    a câmara negra do sono.


MARIO CHAMIE

Televisão, cartuns








Grafite e TV


As sombras da vida ou O mito da caverna, por Maurício de Sousa


AQUI

Xanéu n.5, O Teatro Mágico

XANÉU N.5

A minha TV não se conteve, atrevida,
passou a ter vida, olhando pra mim
Assistindo a todos os meus segredos,
minhas parcerias, dúvidas, medos
Minha tv não obedece

Não quer mais passar novela, sonha um dia
em ser janela, não quer mais ficar no ar
Não quer papo com a antena, nem saber
se vale a pena ver de novo tudo que já vi...vi

A minha TV não se esquece nem do preço,
nem da prece que faço pra mesma funcionar
Me disse que se rende à internet, em suma,
não se submete a nada pra me informar

Não quis mais saber de festa,
não pensou em ser honesta funcionando quando precisei
A notícia que esperava consegui na madrugada
num site, flick, blog, fotolog que acessei que acessei.

(Diz aí, Isaías, qual o seu canal?)

A minha TV tá louca, me mandou calar a boca
e não tirar a bunda do sofá
Mas eu sou facinho de marré-de-si, se a maré subir,
eu vou me levantar

Não quero saber se é a cabo
nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi
Triste fico seriado, um bocado magoado
sem saber o que será de mim

Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua

(Não)

("Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano
não aguento mais, é foda!")

Manda bala Fernando:
"Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto
Acesso é poder e o poder é a informação
Qualquer palavra satisfaz
A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz
O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio
Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento
na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto
quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto."

Falou e disse
Num passado remoto perdi meu controle
Num passado remoto perdi meu controle
Num passado remoto

Era vida em preto e branco, quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz
Finalmente se acabando feito longa, feito curta que termina com final feliz.

Ela não SAP quem eu sou
Ela não fala a minha língua

Ela não SAP quem eu sou
(Sabe nada)
Ela não fala a minha língua

Ela não SAP quem eu sou
Ela não fala a minha língua
(Quem te viu, pay-per-view)

Ela não SAP quem eu sou
Ela não fala a minha língua

Eu não sei se pay-per-view ou se quem viu tudo fui eu

A minha tv tá louca.


Zeca Baleiro e Fernando Anitelli,






Tv a cabo, de Otto

TV a Cabo

Acabo de comprar uma tv a cabo
Acabo de entrar na solidão a cabo
Acabo de comprar uma tv a cabo
Acabo de entrar na solidão

Acabo de cair no 16 a cabo
Acabo me tornando usuário
Acabo de cair no 16 a cabo
Acabo me tornando usuário


Do 12 pro 57 é um assalto
É um assalto
É um assalto


Do 12 pro 57 é um assalto
É um assalto
É um assalto

É 171, 171, 171

Só não caí
Porque sou nordestino
Bem alimentado, 171

Vai Net
Vem Net


pelo otto, o que dá lá é lama, é o caranguejo.

Otto

Minha Imagem Roubada, de Cidadão Instigado

MINHA IMAGEM ROUBADA

Quando minha sintonia estiver perdida no mar dos descontrastados
Alguem vai fica torcendo para que eu morra logo
E volte digitalizado

Di-di-gem-sim-ti-telé apenas eu e minha imagem roubada
Di-di-gem-sim-ti-telé a visão
A minha visão não vê nada.

Cidadão Instigado

Tevê, de Zeca Baleiro e Kleber Albuquerque

Um filme na tevê
Um corpo no sofá
Um tempo pra moer
o vidro do olhar
E a vida a passar
A vida sempre a passar
Passar.

Olhando a estrela azul
azul da cor do mar
Comédia comum
ou um drama vulgar
E a vida a passar
A vida sempre a passar
Passar.

Comercial de xampu
Cerveja e celular
Modelos para crer (Mentiras para crer)
e Credicard
A consumir a consumir
A consumir o olhar
O olhar.

Olhando a estrela azul
Um quadro a cintilar
Vendendo ilusões
a quem não pode pagar
E a vida a passar
A vida sempre a passar
Passar.

Zeca Baleiro e Kleber Albuquerque

Televisão

A televisão me deixou burro, muito burro demais
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais
O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
E agora toda noite quando deito é boa noite, querida.

Ô Cride, fala pra mãe
Que eu nunca li num livro que um espirro
fosse um vírus sem cura
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô Cride, fala pra mãe!

A mãe diz pra eu fazer alguma coisa mas eu nao faço nada
A luz do sol me incomoda, entao deixa a cortina fechada
É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais.

Ô Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar, meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô Cride, fala pra mãe!

(Arnaldo Antunes,Marcelo Fromer e Tony Belloto - TITÃS)

Santa Clara, padroeira da televisão, de Caetano Veloso

SANTA CLARA, PADROEIRA DA TELEVISÃO

Santa clara, padroeira da televisão
Que o menino de olho esperto saiba ver tudo
Entender certo o sinal certo se perto do encoberto
Falar certo desse perto e do distante porto aberto
Mas calar
Saber lançar-se num claro instante

Santa clara, padroeira da televisão
Que a televisão não seja o inferno, interno, ermo
Um ver no excesso o eterno quase nada (quase nada)
Que a televisão não seja sempre vista
Como a montra condenada, a fenestra sinistra
Mas tomada pelo que ela é
De poesia

(Quando a tarde cai onde o meu pai
Me fez e me criou
Ninguém vai saber que cor me dói
E foi e aqui ficou
Santa clara)

Saber calar, saber conduzir a oração
Possa o vídeo ser a cobra de outro Éden
Porque a queda é uma conquista
E as miríades de imagens suicídio
Possa o vídeo ser o lago onde Narciso
Seja um deus que saberá também
Ressuscitar

Possa o mundo ser como aquela ialorixá
A ialorixá que reconhece o orixá no anúncio
Puxa o canto pra o orixá que vê no anúncio
No caubói, no samurai, no moço nu, na moça nua
No animal, na cor, na pedra, vê na lua, vê na lua
Tantos níveis de sinais que lê
E segue inteira

Lua clara, trilha, sina
Brilha, ensina-me a te ver
Lua, lua, continua em mim
Luar, no ar, na tv
São Francisco.

CAETANO VELOSO




[Santa Clara de Assis, (Chiara D’Offreducci), nasceu no ano de 1194, em Assis, Itália. De família rica, seu pai, Favarone Scifi, era conde. Sua mãe se chamava Hortolana Fiuni. Clara era neta e filha de fidalgos (pessoas da classe nobre). Sua família vivia em um palácio na cidade, tinha muitas propriedades e até um castelo.

Clara desde jovem já tinha a fama de muito religiosa e recolhida. Aos 18 anos ela fugiu com uma amiga, Felipa de Guelfuccio, para encontrar São Francisco de Assis, na Porciúncula, (capelinha de Santa Maria dos Anjos, onde nasceu a ordem dos Franciscanos e a ordem de Santa Clara). Lá ela era esperada para fazer os primeiros votos e entrar no convento dos franciscanos.

O próprio São Francisco cortou os cabelos de Clara, sinal do voto de pobreza e exigência para que ela pudesse ser uma religiosa. Depois da cerimônia ela foi levada para o Mosteiro das Beneditinas. Santa Clara de Assis vendeu tudo, inclusive seu dote para o casamento e distribui aos pobres. Era uma exigência de São Francisco para poder entrar para a vida religiosa.


A padroeira da Televisão

Um ano antes de Santa Clara de Assis falecer, em 11 de agosto de 1253, ela queria muito ir a uma missa na Igreja de São Francisco (já falecido). Não tendo condições de ir por estar doente, ela entrou em oração e conseguiu assistir toda a celebração de sua cama em seu quarto no convento.

Segundo seus relatos, a  Missa aparecia para ela como que projetada na parede de seu humilde quarto.  Santa Clara conseguiu ver e ouvir toda a celebração sem sair de sua cama. O fato foi confirmado quando Santa clara de Assis contou fatos acontecidos na missa, detalhando palavras do sermão do celebrante. Mais tarde, várias pessoas que estiveram na missa confirmaram que o que Santa Clara narrou, de fato aconteceram.

Assim, pelo fato de Santa clara ter assistido a uma celebração à distância, em 14 de fevereiro de 1958, o Papa Pio XII proclamou oficialmente Santa Clara de Assis como a padroeira da televisão.]



Fratello sole, sorella, Bernardo Bertolucci (Brother Sun, Sister Moon, de 1972)


VOCABULÁRIO

Ialorixá ou Iyá ou ainda Ialaorixá é uma sacerdotisa e chefe de um terreiro de Candomblé Ketu, popularmente denominada mãe de santo. Iá na língua iorubá significa mãe, bem como a junção Iaiá ou Yayá. Palavra utilizada em muitos segmentos das religiões afro-brasileiras, principalmente no Candomblé. 

Orixá. Na mitologia yorubá, orixás são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúme, demonstram vaidade, orgulho. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.

Parabolicamará, de Gilberto Gil

PARABOLICAMARÁ

Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante
Perto, só quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará
Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação

Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa
Não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça
Nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo da volta, camará

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea
Vem nas asas do vento
O momento da tragédia
Chico, Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino apresentar
Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará.