quinta-feira, junho 29, 2017

Frantz, de François Ozon


FRANTZ. Ozon sendo Ozon, ou seja, esfregando na nossa cara o espaço semovente da verdade, Dois mundos: Alemanha e França, dois tempos: a belle epoque e o pós-guerra; o fato, a imaginação, o sonho e o delírio. Frantz é a Rebecca de Ozon, estando ausente, tudo atormente e assombra. Quem atualmente lida tão bem com o suspense sem crime, se não Ozon? Desconcertando-nos sua direção precisa que relê a tradição filmica e pictórica, excedendo em singeleza cada frame, mas obscurecendo certezas de uma trama simples só na aparência. A beleza clássica de Paula Beer, Salvador Dali clonado na aparência de Pierre Niney. A oscilação entre o p&b luminoso e as cores. O desfecho nos frustra a todos, como deseja Ozon, que o espectador saia do filme desnorteado sempre, já que a ficção sempre vence, em Ozon, o real.

Nenhum comentário: