sábado, maio 13, 2017

Negócio das Arábias ou A Hologram for the King, de Tom Tykwer


Durante a recessão nos Estados Unidos, um homem de negócios falido viaja para a Arábia Saudita para vender uma ideia a um monarca que está construindo um enorme complexo no meio do deserto. A ideia é uma projeção holográfica para se fazer teleconferência, neste processo ele entra em choque cultural com a lentidão do sistema, o modo distinto de como se manifestam os afetos, e todas as contradições do rigor árabe e os excessos dos estrangeiros em festas nas embaixadas regadas a alcool e coca. O filme, contudo, nada tem de realismo. Aposta num humor leve, do choque do sujeito com a burocracia e procrastinação árabe. Este humor está calcado no seu guia (vivido por Alexander Black), um taxista mulçumano que viveu nos EUA, apaixonado por uma mulher casada, e sempre tenso achando que instalaram uma bomba no seu veículo. O executivo de Hanks é um homem em crise consigo mesmo, sem energia, saído de um divórcio e falido para custear a faculdade da filha que ama. Hanks, com a competência costumeira, dá carisma e consistência a um personagem de pouca envergadura psicológica.  Um cisto nas costas com células pré-cancerígenas o leva a conhecer uma médica árabe, pela qual constitui ao longo do filme uma relação amorosa.



Tom Tykwer é um diretor que me interessa desde Corra, Lola, corra!, mas é irregular, ainda mais com filmes que lhe são encomendas. Este de Tom Hanks é interessante e sem brilho; poesia mesmo, só nas cenas finais, graças à encantadora Sarita Choudhury. Aliás, o encontro amoroso no desfecho do filme, da troca de emails, ao taxi apanhado no hotel e o mergulho no mar são o que o filme traz de melhor.



Nenhum comentário: