sábado, maio 13, 2017

Get out, ou Corra!!!



Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.


Sim, trata-se de uma versão terror/suspense do clássico Adivinha quem vem para o jantar. Logo que a o rapaz negro penetra a casa da namorada branca, se instaura o estranhamento. Não só por que os únicos negros são a empregada e o jardineiro, mas estes se comportam como zumbis.

Logo ao saber que o rapaz é fumante, a mãe da moça - uma terapeuta - se propõe a hipnotizá-lo para que ele deixe de fumar. Isto é suficiente para percebermos que se trata disso: um controle profundo dos personagens negros que faz todos agirem como velhos escravos no Alabama. Mas o protagonista, traumatizado pela perda da mãe na infância, não apenas - apaixonado que está - se deixa envolver com pouca resistência, mas acaba hipnotizado e participando de uma reunião com velhos ricos e brancos que estão lá para leiloa-lo. Por mais absurdo que parecesse o controle da mente pela hipnose, ou pela cirurgia que o pai neurologista pretende fazer no moço, ainda pareceria verossímil numa trama do tipo. O problema que quebra a lógica do enredo é sabermos no desfecho que os negros na verdade eram hospedeiros de homens brancos cujo cérebro lhes era transplantados. A mocinha, uma espécie de aranha a atrair vários rapazes para o negócio da família, que era vender esses corpos aos brancos ricos calcasianos. Ou seja, no final não serve nem como metáfora. 

O desfecho feliz, com um deus ex machina duplamente repetido, não ajuda muito. Mas o filme cumpre o papel de diversão vazia e barata, perdendo as camadas possíveis de discussão para além do gênero banal: a nostalgia dos wasp de um sul escravocrata com negros dóceis, resignados e serviçais. O filme começa num tom de drama mais realista, depois de suspense, depois parte para o nonsense, para o paranóico, para o terror psicológico, e descamba num humor um tanto ridículo, capitaneado pelo amigo gordão piadista. O melhor do filme, contudo é o ator Daniel Kaluuya, cujo olhar de uma expressividade ímpar, já tinha sido posta a prova num dos episódios do blacklist. 

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