sábado, maio 13, 2017

Dear white people, série da Netflix



Dear white people é uma série original da Netflix que acompanha a história de um grupo de jovens negros que estuda na faculdade de Winchester, um ambiente majoritariamente branco. O nome do seriado vem de um programa de rádio apresentado pela protagonista, que visa a enfrentar o problema,  conscientizar estudantes e denunciar casos de racismo no campus.


Fazendo burburinho na Internet, comecei a assistir com o Gabriel. É um seriado pop, dinâmico, com diálogos afiados, inteligentes. Uma doze cavalar de humor e sarcasmo dão o tom da série, que com esta estratégia, bota em pauta até as questões mais polêmicas.

O racismo é o foco, mas não deixa de esmiuçar outras reflexões, por que embora o título sugira que é um discurso que se faz de enfrentamento direcionado exclusivamente aos brancos, o que a série acaba pontuando é as muitas formas de "ser" do cidadão negro nos Estados Unidos. Com os brancos, a tensão é premente e nunca resolvida. Cada episódio é centrado em um personagem por vez, mostrando sua relação com os demais, e a partir disso, suas motivações, investigando como ele constrói sua identidade e compreende sua negritude.

As relações amorosas (matéria do que as 99% séries para jovens são feitas) estão presentes e impusionam a trama. Mas questões como sexualidade, política, violência policial, poder da imprensa, seguem par a par com alianças e traições muito humanas. O criador da série, Justin Simien, confere mais consistência ao que poderia ser só mais uma "novelinha" (como aquela que os personagens assistem dentro da própria série, cheia de clichês e esteriótipos), justamente, por ressaltar contradições nos personagens, a começar pelo fato da protagonista militante negra namorar um rapaz branco cuja preocupação principal é a produção do alimento orgânico.

A realidade vivida pelos negros estadunidenses está anos luz da vivida no Brasil. Eles pertencem a uma elite rica, intelectualmente inserida no espaço da universidade e do poder e estão em premente negociação com forças autoritárias/reacionárias brancas americanas. São conscientes de que não vivem epidermicamente o que está nas ruas, mas ainda assim questionando o discurso "pós-racial", embora uns demonstrem-se igualmente alienados, ou simplesmente ávidos pelo poder, pelo luxo, pela ostentação.

Como dito, o racismo é um ponto chave, investigado na série, mas igualmente, não é abordado de modo simplista. As relações brancos e negros são profundamente problemáticas, e delas muitas vezes, se manifesta um racismo de forma não ostensiva/direta, mas ambígua, subterrânea, ou pior: sub-reptícia.

Mas ainda que distinta do Brasil, ao assistir Dear white people, percebemos que o radicalismo n pouco/nada soluciona, colabora para guetização - tudo na série são grupos: asiáticos, orientais, latinos, glbts, nerds, etc etc - reflexos de uma sociedade fragmentada que parece nunca se reconhecer como una em sua diversidade e cuja possibilidade de diálogo parece sinônimo de confronto, já que cada qual está preso a determinadas convicções. 

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