terça-feira, abril 25, 2017

Personal Shopper, de Olivier Assayas


Um filme elegante, frio, distante, instigante, inteligente mas vazio. A questão sobrenatural tem pouca relevância, mas as peripécias da protagonista em busca de roupas são estéreis de significação. Não fica bem claro a exata relação que tinha com o irmão. Mesmo a aversão em relação à super modelo para que trabalha não tem consistência. O que sente pelo namorado em outro país, o porquê de embarcar numa troca de mensagens com um desconhecido. Nada parece muito convincente. O tédio e a apatia de Maureen que vive a vida como que burocraticamente, necessitando encontrar algum sentido na espera de que o irmão morto se comunique me parece um drama existencial restrito demais para uma signicação maior do que o particularismo. Assistimos toda uma peripécia de Maureen pela cidade, a pé e de moto, entrando e saindo de lojas, sempre sem tesão, sem desejar as roupas e joias que apanha para outra. O final toma um rumo estranho e interessante, a cena do copo que cai, e a resposta na batida na parede a revelar todo tempo, que o fantasma que a perseguia, era ela própria. Uma única cena para valer o filme. 




Kristen Stewart interpreta Maureen, uma jovem norte-americana morando em Paris pouco depois da morte de seu irmão gêmeo, decorrente de um problema cardíaco. Ela também é portadora dessa mesma condição, e poderá morrer de forma inesperada em breve, ou viver até chegar à velhice.
É um mistério, assim como a capacidade mediúnica da personagem. Ela e seu irmão, Lewis, fizeram um pacto no qual quem morresse primeiro faria um contato com o outro. Então, ela o aguarda.

Enquanto isso, Maureen trabalha para uma supermodelo, Kyra (Nora von Waldstätten), para quem vai buscar roupas, acessórios e joias caras. Quando o apartamento da chefe está vazio --o que acontece muito, já que a mulher vive num tour constante pelo circuito da moda europeia--, a protagonista aproveita para assaltar a geladeira e experimentar as peças que não está autorizada a usar.

Um dia, no entanto, encontra Ingo (Lars Eidinger), o namorado de Kyra, que revela ter sido dispensado, e acaba travando com ele um diálogo significativo.

Assayas começa seu filme como uma crônica do mundo contemporâneo dividido entre aparência e essência. Maureen compra, mas não é para ela. Maureen se comunica, mas raramente com alguém que está à sua frente. Quase nunca vê Kyra, e conversa por skype com um amigo que está no Oriente Médio. Seu único laço de amizade mais forte e sincero é com a namorada do irmão (Sigrid Bouaziz). Fantasmas e mais fantasmas a cercam.


Alysson Oliveira,


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