terça-feira, abril 04, 2017

Split ou Fragmentado, de M. Night Shyamalan



Gosto dos filmes de M. Night Shyamalan, e lamentei quando ele caiu em desgraça. É o mais hitchcockiano dos diretores em atividades (o outro era Bryan Depalma, que sumiu). Ele é um grande diretor, com uma personalidade visual marcante, com belos planos e inteligência para pontuar um ritmo de tensão raro e menos obvio. Além disso ele gosta de tramas fantásticas. E há um tanto disto neste filme que aparentemente trata de um sequestro e confinamento de adolescentes (outra tendência explorada em vários filmes atuais). De novo, o velho viés psicológico num filme em que diálogos são tão importantes quanto a ação. 


Kevin (James McAvoy) possui 23 personalidades distintas. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar. Mas algo mais terrível se apresenta, o surgimento da personalidade de um monstro que permite até mudanças físicas em Kevin.

Das várias personalidade, só quatro serão exploradas, talvez pelas limitações de James MacAvoy, que é um ator que não me convence. São elas: um psicopata com toque (perfeccionista), uma madame moralista e rigorosa, um garotinho tolo e meio sádico, e o inocente Kevin que só se manifesta no desfecho. 

O comportameto irritante da garota Casey, vivida pela sempre excepcional Anya Taylor-Joy (de A bruxa), muitas vezes mostra-se inverossímil, ainda assim ela é a grande responsável por manter a tensão no filme, pois o filme de fato trata do conflito entre ela e o vilão. Ambos se mostrarão profundamente conectados, o que se revelará no desfecho do filme, esta outra marca dos roteiro de Shyamalan: traumas e absusos psicológicos/fisicos na infância resultando em seres atípicos, que adquirem dons. O filme não é uma joia, mas é interesante. E o fim o conecta com o filme Corpo fechado, parecendo indicar ser uma trilogia. 

Vale, por que instigante, por que Shyamalan é costumeiramente interessante. 

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