sábado, abril 15, 2017

Cabaret, Bob Fosse

Quando o Gabriel vem aqui para casa, normalmente aos fins de semana, a gente bate papo demoradamente e senta para ver filmes clássicos. Desta vez, do nada, vimos Cabaret, de Bob Fosse, um filme de 1972.  Assisti no período cursava a Escola Livre de Cinema, mas só agora a atenção redobrada, ainda assim, sempre foi meu musical preferido. 



Na Berlim de 1933, uma cantora americana se transforma em atração no Kit Kat Club. Sua vida, carreira e amores se desenvolvem paralelamente à ascensão do nazismo, enquanto ela se envolve ao mesmo tempo com um professor de inglês e um nobre alemão



Há tantas coisas incríveis no filme. Os números musicais são surpreendentes, jocosos, irônicos, profundamente sexuais. Joel Grey faz um mestre de cerimônias que é praticamente um sátiro clássico com tudo aquilo que um sátiro tem de sexual, grotesco, sarcástico, safo. Liza Minnelli é um espetáculo à parte. Sua voz estava perfeita, cança como ninguém, e concedeu à ambiciosa Sally Bowles, cantora e atriz performática do Kit Kat Club, malícia e delicada vulnerabilidade. Sempre preterida pelo pai, ela desfila numa Berlim ainda gloriosa mas em plena ascensão do nazismo. Sonha em ser uma grande atriz de cinema, e embora se mostre extensivamente vulgar, arregimentando amantes de ocasião para tentar se promover, não passa de uma garota deslumbrada com as possibilidade do alcool e do sexo. Sally Bowles, mulher-menina volúvel e trágica, vive num mundo de fantasia e está condenada a um fim trágico, que o desfecho do filme escamoteia. Michael York é uma escada moral, sujeito tímido, gay recalcitante que por fim se entrega ao sedutor Helmut Grem, num treesome improvável.  O filme de 1972 bota no chinelo em ousadia aos filmes atuais, com seus travestis, gays, lésbicas, liberalidade sexual e do pensamento. Não bastassem os deliciosos números musicas e as canções, ele tratará da ascensão do Nazismo na Alemanha, a crescente perseguição aos judeus e aos artistas. 



A direção de Bob Fosse é outro show. A câmera dança em travellins com os atores, os inserts e ações paralelas complementam a trama. Um filme que parece não ter envelhecido um só dia. 


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