quarta-feira, abril 12, 2017

Alguns filmes vistos, dos quais não tive tempo (ou vontade) para comentar


Uma consultora corporativa de gestão de risco precisa investigar um acidente em uma instalação remota. Ela se questiona ao ter que decidir se um ser artificial vivo deve ou não ser sacrificado.

Ficção científica com confinamento, na mesma linha do Ex Machina, ideia roubada de Isaac Asimov de Eu, robo. Ou seja, um ser artificial que toma consciência de si. A maravilha de ver de novo a protagonista de A bruxa. Aqui ela é um ser construído geneticamente para ser uma máquina assassina. O problema é que não excluíram a capacidade de ser passional. Assim, num surto, ela é capaz de agir da forma mais violenta, cruel e desumana, assim como qualquer ser humano. Vale. 



Após uma viagem de férias para o Grand Canyon eventos estranhos começam a acontecer em uma família, como a mudança de comportamento de um dos filhos. Eles descobrem que algumas rochas levadas pelo filho são a causa. Aquelas bobagens que andam chamando de filme de terror, mas que sobrepõe cliches, e este é ainda pior, por que é tosco es todos os níveis. Dá aquela preguiça de resenhar. Fuja. 


ARQ, achei que era uma série e então descobri que é um filme. Uma espécie de O feitiço do tempo. Sujeito morre e acorda no mesmo ponto. Como num jogo de videogame, ele, protagonista, tem memória do vivido, e cada vez que desperta faz modificações. O mundo pós apocalipse comandado por ets/robos, sei lá. O fato é que ele roubou uma máquina do tempo que rebuta a cada dez minutos aproximadamente. Ele tem que impedir que assassinos invasores da sua casa roube seu dinheiro e se apoderem da máquina. As variações são excelentes, sem que o filme fique enfadonho. De repente, os que morreram também começam a se lembrar da vida pregressa, o que torna o xadrez mais complexo. O filme é curto, intermitente, um só cenário praticamente, o roteiro é muito bom, assim como as atuações. Para quem gosta de ficção inteligente. 

Ainda que baseada em fatos reais,  a trama é tola, inverossímil, sentimentalóide e irritante. Mocinha entra numa espécie de campo de concentração comandado por um lider religioso pedófilo e sádico. É um alemão mancomunado com um ditador e que submete presos políticos a sessões de tortura aos estilo de tratamento psiquiátrico. Choques elétricos, de insulina e afins. A mocinha tola, se infiltra, engambela todo mundo, arranja uns aliados e consegue tirar o mocinho, embarcar num avião, se libertar e denunciar o alemão. Aliás, nunca perde-se a aura de estar fazendo tudo em nome do amor. Uma morte terrível. 



Um Homem Chamado Ove. Um velho aposentado, viúvo e mal-humorado leva uma vida amargurada. Mas justo quando ele desiste de viver, novos vizinhos mudam para a casa da frente e surge uma amizade inesperada. É previsível e encantador. os vizinhos são estrangeiros, de uma cultura absolutamente distinta do compulsivo por organização Ove. O filme se narra em flashbacks de um Ove feliz com a terna esposa e um acidente horrível que a fez perder o filho e se tornou paraplégica. Oposta a Ove, a esposa era um ser solar e amada pelos alunos (era professora), no desfecho o nascimento de um bebê e o afeto a que Ove vai sendo exposto o livra do trauma. 


Hip-hop Evolution é um documentário da NetFlix sobre o surgimento do hip-hop nos EUA, até se converter em fenômeno e sucesso comercial (americanos focam sempre isso). São três episódios até então, e parece bastante complementar a The Get Down. Aliás, há muitas semelhanças do material de arquivo e até da edição que se assiste na série. Todo baseado em entrevistas aos precursores - vivos - do rap, com imagens de arquivos e detalhamento histórico. 


Amo filmes de época, Carey Mulligan é a rainha deles. Bathsheba Everdene é uma jovem em dificuldades financeiras que não deseja se casar, mesmo que seja para garantir seu sustento. Ela herda uma fazenda do tio e decide coordenar a fazenda, algo impensado para uma mulher na época. Logo, ela contrata Gabriel como seu capataz e passa a ser assediada por William Boldwood, um rico fazendeiro. Entretanto, quem a conquista de fato é o sargento Troy, um militar que carrega consigo um trauma amoroso do passado. 

Achei interessante a protagonista movida pelo desejo sexual a ponto de ceder a um canalha (Troy), e ser totamente dominada por ele. É um filme de paixões, de pequenas tragédias que modificam (para pior) a vida de todos personagens, indlusive do capataz bacana. No filme, não se verá a tal mulher emancipada e sim uma tolinha que teve que levar muita rasteira.






Aos 11 anos, Li Cunxin saiu de uma pobre aldeia chinesa para estudar balé em Pequim e, por meio de um intercâmbio cultural, ingressou numa companhia de balé americana. Em busca de liberdade e uma vida nova, ele luta para ficar nos Estados Unidos.

Filme pendente há anos. Liguei a televisão e estava passando na Globo (!!!!), comecei e fui até o fim, pois pobreza, balé, choque cultural e emancipação pelo talento são assuntos que sempre me interessam. Trata-se de uma cinebiografia, o que tem tudo para ser um fiasco, mas o filme é bonito, tem conteúdo e enternece. 


Christopher McCandless, filho de pais ricos, se forma na universidade de Emory como um dos melhores estudantes e atletas. Porém, em vez de em embarcar em uma carreira prestigiosa e lucrativa, ele escolhe doar suas economias para caridade, livrar-se de seus pertences e viajar pelo Alasca.

Visto há muitos anos, sentei e assisti ao final junto com Gabriel. Não é um roadmovie, é um filme mochilão, com um protagonista lindo, carismático, corajoso e hippão que sai pelo mundo para ter experiência não banais, ou seja: físicas (contato com a natureza), sexuais, transcendentes e filosóficas. Faz um diário e bota todas essas impressões sobre o que vive, sobre tais experiências na viagem. No caminho encontra violência, truculencia, mas também grandes afetos, como o velho que deseja adota-lo. Impossível não se emocionar. Tudo no filme é amplo, profundo, mira o sagrado que está em viver. A mensagem do filme é de como precisamos de pouco e como a vida pode ser mais. Um filme humanista. Mas a natureza não é um playground, ela é cruel, e vai ser a imprudência que levará o rapaz à desgraça, e não um inimigo humano. O diretor não se furtou ao efeito titanic, ou seja, dar uma saída "espiritual"/simbólica ao que é uma tragédia, mas apesar da melancolia do desfecho, a beleza do filme reside na entrega à vida efetuada de forma tão plena por Christopher. Sean Penn dirige tão bem que surpreende ser uma cinebiografia. 



Rosamund Pike agora só faz filmes em que é ambigua e pode se vingar de homens abusivos. Este é isso, e até a capa do filme entrega o fim. Uma enfermeira de uma cidade pequena vai a um encontro às escuras com um misterioso homem, que não é necessariamente quem diz ser, a estupra sem piedade. Nick Nolte faz o pai, e impressiona o tanto que o alcool o envelheceu. Shiloh faz um personagem abjeto, e é só isso. 

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