quarta-feira, março 22, 2017

Normalidade, um poema

NORMALIDADE


Crianças de uniforme branco fazem fíla no pátio do colégio.
O limpador de janelas se equilibra há 200 metros.
Pombas circulam displicentes na praça vazia.
O cobrador mandou girar a roleta e dar um passo à frente.
Na tevê,
uma partida de futebol.

O chafariz permanece desligado, para economizar água.
Um guarda de trânsito multa o sujeito que furou a faixa.
Pediram 50 gramas de mortadela, na padaria.
Um cão de rua espanta moscas com o rabo.
O catador de papelão nem suspeita do tumor no pulmão

Entretanto,

na esquina entre as ruas Euclides da Cunha e Aureliano Verdi,
depois do cruzamento, ao lado do canteiro de obras orçado em dois milhões
Há um muro caiado
onde se lê em letras garrafais

FORA TEMER.

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