sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Em Guarulhos, no prédio de Vilanova Artigas, para ensinar Redação

O Takata do Maximize me convidou para três dias de palestras em Guarulhos sobre redação. Topei, fui. Primeiro dia para 80 professores. Nos dois dias seguintes para 900 alunos.

Não há trem ou metrô para Guarulhos. Achei espantoso. Uma cidade gigante, conhecidíssima. Desço na Armenia e pego o Continental 2 ou o Cocaia. Ônibus e vãs, desconforto no sol escaldante, trânsito pesado, leva uma eternidade. Desço na Getúlio ou na Praça dos Estudantes. Escola Estadual Conselheiro Crispiniano. Gigante. Contruída em 1961, pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas, o mesmo arquiteto da FAU/USP, onde foi professor. Prédios irmãos. Ambiciosos. Monumentais. Amplos espaços comunicantes, vãos, espaço de convivência no centro, laterais vazadas para que dentro e fora se misturem, jardins, quadras imensas, iluminação que aproveita a luz do sol, laguinho. Tudo uma ideia de reunião, trânsito aberto, clareza, democracia. 






Encontro Maurício. Vamos. Os professores são gentis. Aulas para alunos do primeiro, segundo e terceiro anos. Um erro: para o primeiro ano a faculdade é uma hipótese distante. Para os segundos e terceiros anos, tudo flui. Fiz uma aula muito concisa, com pontos principais. A palestra transcorre num auditório gigante, cadeiras de madeira sem apoio, poucos ventiladores, faz calor. A acústica é ruim, uso microfone. Vozes de crianças que vem das salas de aula em torno. Falei de dissertaçao, linguagem, estrutura, tudo muito rápido, flui no tempo dado, possível. Nem me sinto um farsante. Fiz repetição de verbos e ensinei preposições, para divertir. Os alunos participam. Há a vigilância atenta dos professores. 



Na Escola, há pátio, quadras, biblioteca, espaços verdes com árvores, gramados. Hipótese de pássaros. Os meninos transitam uniformizados. No espaço central tomado pela luz do dia, colocaram uma caixa de som num canto, com batida de funk, parecem intimidados, mas um rapaz cercado de meninas ensaia alguns passos. Professores passam pressionando livros e material contra o peito. Sol escaldante da quarta e quinta, que o concreto grosso e as formas modernas dispersam, tornando o ambiente arejado. Me sento à beira da quadra. Uma escola pública, um país. Quase todos mulatos e pretos sem muita consciência da cor.

Conselheiro é a possibilidade de um futuro projetado nesta arquitetura que era para um ginásio de esportes e virou escola. Talvez não previsse tal destino o arquiteto de esquerda que amava o racionalismo de Le Corbusier, e que acreditava na liberdade, na democracia e no homem, a vocação forjada de uma escola ideal, que raramente se realiza. 

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