quinta-feira, janeiro 26, 2017

Eu, Daniel Blake, de Ken Loach



Assisti no Itau da Augusta com Marcela, Gabriel e Tiago. Um filme absolutamente sem esperanças e pessimista da primeira à última cena. Diagnóstico dos tempos atuais em que pobres e velhos são soterados pela burocracia e forçados a não existir. 

O marceneiro Daniel sofre um ataque cardíaco e não pode mais trabalhar, ao acionar o sistema para conseguir aposentadoria/seguro, é soterrado por burocratas irredutíveis e desumanos. Seus problemas vão de não conseguir utilizar um computador a ficar pendurado no telefone passando de sistema a sistema sem conseguir alguém que lhe garanta a perícia para receber o dinheiro que o Estado lhe deve. Numa das intermináveis idas ao sistema, encontra a mãe solteira Katie, obrigada a vir para Londres para viver numa casa precária (o aluguel social de lá), ela aspira a voltar a estudar, mas mal tem dinheiro para pagar a Luz e se alimentar. Ambos vão de peregrinação em peregrinação à serviços de assistência para se alimentar. Daniel tenta dar suporte, mas ele proprio termina por ter que vender o pouco que juntou nos anos que cuidou da esposa com alzeimer. A humanidade - pouca - vem do jovem imigrante africano que vende produtos conseguidos por um chinês. A tecnologia e a desumanização é uma marca do filme, sobre indiferença, o poder do capital e o descompromisso do Estados com os menos favorecidos. Um diagnóstico da nossa queda atual.


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