quinta-feira, junho 30, 2016

Agenda das prograstinações ou O caderno dos projetos não realizados



Tive essa ideia lendo Lo que dicen cuando calan, livro que reúnes os contos de Alejandra Laurentich, contos tão perfeitos, precisos, densos, invejáveis. Leio e tenho mil ideias, e me lembro de outras mil já tidas, todas que foram se acumulando ao longo dos anos, compondo um conjunto daquilo que nunca deixaram de ser, meras ideias. Ótimas, boas, medianas, medíocres ideias, mas que na vala comum de tantos projetos não realizados se equivalem, são nada. Contudo, nem nisso meu projeto possível tem algo de original, pois há o livro de Macedônio Fernandez, Museu do romance da eterna, um livro que reune as tentativas de um livro, com fragmentos de capítulos, várias introduções, rascunhos de índices, anotações, frases dispersas, tudo que se resulta na incompletude que apontava um livro genialmente nunca concluído. Não ambiciono tanto. Tenho aqueles moleskines caríssimos ociosos, para os quais penso em usar anotação, todos ínúteis há anos. Poderia ser uma forma de dar sentido aquilo, e não pensar que tudo se perde sem ao menos se esboçar concretamente, na forma de anotação de um impulso criador, falho, mas impulso.

Revide tem um pouco disso. Ou muito.

Pensei em chamá-lo

Agenda das procrastinações

ou

O caderno dos projetos não realizados

ou 

Agenda dos abortos

ou 

Agenda dos adiadas urgências

ou

Agendas das urgentes procrastinações

ou

Capítulo das negações


Posso continuar assim, indefinidamente entitulando um projeto que - paradoxalmente - terminarei por abortar.

Estarão lá, por exemplo, o livro de contos Inferno feliz, ou aquela linda antologia dos meus contos de fadas, a novela (era um hipotético conto) A invenção de Fernando Pessoa; e o conto, propriamente dito, O assassinato de Rubem Fonseca. Há também o Introdução ao pânico, outro livro de contos onde estaria, por exemplo, "O dia da ira", "O planetário de Deus", "A máquina do mundo". No caderninho estará certamente um prefácio seguido de meu único livro de poemas, singelamente entitulado Contranarciso e as micronarrativas de No mínimo, máximas. Há ensaios sobre Lourenço Mutarelli, sobre um disco da Fernanda Porto, sobre o decálogo de Kieslowski, sobre a influencia de Borges na obra de Saramago, sobre o olhar da periferia da cidade grande, no Instagram, por meio da fotografia. Constará também projetos audiovisuais, há a exposição com Ana Maria de crianças encenando momentos icônicos de filmes. Não faltará o documentário (a ser por mim dirigido) sobre o cinema de Djalma Limongi Batista. Neste rol, estão os roteiros de curtas que concebi, mas não escrevi, como a série instigante Porno-românticas e o roteiro feito e nunca dirigido, "Nelson". Também estarão a websérie à maneira de The booth of the end e meu projeto de ser youtuber. No campo da criação literária mais complexa, um romance extraordinário que emula procedimentos machadianos, modernizando-os com vários recursos da contemporaneidade: O amante de Machado de Assis. Por fim, a adiada edição enxuta, mas impressa da minha tese revisada Epifania e morte nas estórias de Mia Couto e Guimarães Rosa.

Possível que comece tal projeto e o aborde em seguida.

Lá constará, certamente um conto com o título "Gero", no qual o personagem seria um contador que geraria várias histórias. 

Em abril eles estiveram aqui


Saudades de Cecile Duret


Está aí porque gosto de girafas


Fábula dos peixes

"Dois jovens peixes estão nadando por aí, e por acaso encontram um peixe mais velho nadando na direção contrária, que acena para eles e diz “Bom dia, meninos, como está a água?” E os dois jovens peixes continuam nadando por um tempo, até que eventualmente um deles olha para o outro e fala: “O que diabos é água?”

David Foster Wallace, 2005





[Roubado do Facebook do Lucas Guedes.]

quarta-feira, junho 29, 2016

A beleza de Vivien Leigh


Eu, Gabriel e Tennessee Williams

Então o Gabriel veio aqui para casa, para podermos assistir Blanche, do Antunes Filho, no CPT. Depois, aqui em casa, assistimos no Grandes Cursos Cultura a professora da USP explicando a peça Um bonde chamado desejo. Em casa, assistimos a Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar, repleto de citações da peça de Tennessee Williams, também a "versão bastante livre da peça" efetuada por Woody Allen, Blue Jasmine. Como já havíamos assistido ao filme de Elia Kazan, com Marlon Brando e Vivien Leigh. Essa corrida em torno da peça já começara no Tuca Arena, quando vimos a versão encenada por Maria Luiza Mendonça. Fechamos assim o cerco completo em torno da peça.

quarta-feira, junho 15, 2016

Para além dos muros do meu quintal, de Fred Martins


Um cantor que eu conhecia de uma única canção, mas pela voz singular. E a descoberta deste trabalho através de um programa de entrevistas bem pobrinho.

O sumiço dos pintos neste inverno

Com o inverno severo, o Brasil assiste estarrecido a um fenômeno raro nos Trópicos e comum aos países europeus: o sumiço dos pintos; pets de dez entre dez homens. Mas não entre em pânico, essas incríveis aves mijatórias, capazes de dobrar e triplicar de tamanho quando o clima fica quente, prometem retornar ao fim do inverno.

Pensando seriamente em ser um YOUTUBER (e recebendo muitos apoios para isso)


O começo da vida, documentário sobreo desenvolvimento infantil


Está no cinema, mas já o disponibilizaram no Netflix. Assisti e recomendei para várias pessoas, uma assistiu. Sobre como os pais influenciam o desenvolvimento dos filhos em várias partes do mundo.

Tentando entender esta imagem


Expondo o pensamento crítico numa imagem


Lentes da Canon e seus efeitos


A alienação religiosa encontrando a ignorância histórica


O pensamento colonizado reinante e o baixo crivo intelectual.

Vista do meu prédio, São Bento e Santa Efigênia





Monalisa icônica


Sobre o frio em São Paulo

Humor cachorro


Frio e aquecedor


Dia 13.6 - seis graus no apartamento.

Sobre crimes homofóbicos: matar algo que não morre

 Tirado do facebook, um texto de Matheus Rodrigues

O irmão do Zé Celso, Luís Antônio Martinez Corrêa, que era gay, foi assassinado em 1987 com 107 facadas. Quando fala sobre o assunto, sempre emocionado, Zé Celso costuma dizer que, para se matar uma pessoa, uma, três, cinco ou até dez facadas são mais que suficientes. Com cento e sete facadas o que se quer matar não é a pessoa, mas algo muito mais profundo, algo que não morre. É nisso que penso sempre que leio noticias sobre a morte de LGBTs. E foi isso que me veio logo à mente quando fiquei sabendo do atentado na boate LGBT na Flórida que matou 50 pessoas e feriu outras 53. Tentam matar algo que não morre. Algo que, por mais que queiram, por mais que tentem, não morrerá jamais. E o melhor exemplo disso está vindo lá dos EUA mesmo: a Parada do Orgulho LGBT de Santa Mônica, na Califórnia, acontece hoje, mesmo sob ameaça de bomba (um carro cheio de explosivos foi encontrado no trajeto da Parada). Esse ano a Parada está silenciosa, sem música, em luto pelos mortos da Flórida, mas o recado é claro: Não desistiremos. Tirem o seu ódio do caminho, porque o nosso amor vai passar.

Sobre o poder de dar nome às coisas


Em casa


Sobre o tempo

 

Que estranha percepção de tempo 
quando tudo é, 
tão cedo, 
já passado.










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Minhas fotos com Vittorino 10/06








segunda-feira, junho 13, 2016

Dois irmãos, de Milton Hatoum em quadrinho


É isto que leio no momento, Dois irmãos, de Milton Hatoum, adaptado para quadrinho pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá. Não acho Hatoum lá essas coisas, e obra-literária convertida em quadrinho sempre me parece empobrecedora. Mas resolvi arriscar. Acho a capa brasileira péssima, a francesa parece mais interessante, e os bons diálogos dão uma seriedade e densidade à trama que não pensei ser possível. O traço é magnífico, cheio de astúcia, não servindo de mera ilustração para o texto posto. Estou nas últimas páginas. De antemão, recomendo.




Jogos vorazes, quadrilogia (escrita por de Suzanne Collin)


Logo que saiu, tinha esboçado assistir aos primeiros 20 minutos, cansei, achei fake, hiper-estetizado, brega, para ser honesto. Nem me empolgou a raiz mitológica do enredo, dos jovens que deveriam ser levados à luta e ao sacrifício. Nem mesmo Jennifer Lawrence, que despontava, depois de um trabalho incrível - no filme terrível - Inverno da alma/Winter s Bone (2010) - que a levou ao Oscar e fez o mundo descobrir essa incrível atriz. 


Incrível mesmo, pois é impossível imaginar Jogos Vorazes sem ela, pois ela confere à um filme de ação enorme grandeza na interpretação heroína recalcitante Katniss Everdeenda, o Tordo. Eu que pensei que iam ser quatro filmes de pura pancadaria e a cafonalha do simulacro televisivo num futuro quase apocalíptico, me surpreendi com a trama bem urdida. Se a fantasia pop destoa da plebe miserável submetida a um tirano, o elenco estelar com excelentes atuações vai tirando o ranço do filme de ação medíocre e oco, para inserir complexidade ao universo político social que retrata e como tudo ecoa numa estranha trama de amor, que lhe serve de gancho.


Poderia falar do estranho triangulo amoroso Katniss, o insosso e frágil Peeta mellark e o viril Gale Hawthorne, para os quais os sentimentos da moça são absoluto mistério. Mas não é sobre nada disso Jogos Vorazes, a discussão que se estende, filme a filme é sobre o poder da imagem, do marketing, da mídia no jogo político, na alienação e manipulação das massas. Katniss sobreviverá se tiver carisma frente ao público, se obtiver patrocinadores e a eles for atraente, se seduzir a audiência, se convencer o tirano; posteriormente, se se permitir ser o Tordo, imagem-ícone da revolução, um mito a ser louvado e seguido.


Todo o tempo, a questão que se estabelece no filme é sobre a necessárias construção da imagem, da vestimenta, da postura, da voz, do cenário, da "narrativa" construída (seu romance/casamento com Peeta) para seduzir o público. Também como propaganda política, com seus discursos para mobilizar rebeldes e convencer os vacilantes a se entregarem e aderir à causa da libertação dos 13 distritos contra a capital. Então a alta estetização do filme é pertinente e amarra com perfeição a oposição entre a frágil/rustica Katniss e o glamour ostensivo da capital, assim como toda pirotecnia dada ao filme. A mídia/tevê constrói mundos e mitos para entorpecer/alienar os oprimidos de sua vida medíocre, para sustentação de uma elite fútil. Talvez por isso, o desfecho pareça tão insatisfatório, naquele Éden brega em que natureza, família e maternidade se encerrem como ideal pós-revolucionário, como se a vida real, no final fosse um comercial de resort ou de condomínio fechado circundado pela Mata Atlântica. Ainda assim, por tantas viradas e surpresas que apresenta, uma excelente quatrilogia. 



segunda-feira, junho 06, 2016

Capitão América, Guerra Civil.


Dinâmico e interessante. Só. Visto em casa. 


X-men Apocalipse



Assisti na Paulista com Gabriel, boa história, mais interessante do que parecia.

Os outros, de Alejandro Amenábar



Reassisti com Gabriel, pela Netflix. Uma beleza de filme. 


O testamento de Maria, de Colm Tóibín - na Aliança Francesa



5.6.2016. Às 19h.

Fui com Gabriel assistir a esse monólogo em que Maria, mãe de Jesus, apresenta seu ângulo - bastante realista e prosaico - sobre a crucificação.





A atriz Denise Weinberg numa perfôrmance inacreditável, monumental, impressionante. O musicista em cena, pontuando as falas de Maria de modo divinal. Único problema é que não me convence o texto, falas que não transcendem.