sexta-feira, dezembro 16, 2016

Tróilo e Créssida, de Jô Soares



Consegui convites e fui ao Teatro Popular do Sesi com Gabriel e Ana para assistirmos Tróilo e Créssida, comédia sombria de Shakespeare, dirigida por Jô Soares. Fica difícil fazer uma crítica à essa superprodução bancada pela Fiesp, com um enorme elenco, duas horas de duração, atores conhecidos da tevê. Jô Soares disse que Shakespeare não tinha que soar erudito, que a atualização dos diálogos da peça numa linguagem mais contemporânea o tornava mais palatável e apreciada sua genialidade às novas gerações. Tróilo e Créssida está entre as piores peças atribuídas a Shakespeare e a encenação de Jô faz gritar todos seus problemas e vários outros. A falta de ritmo que entedia, a vulgaridade dos diálogos e do próprios atores, a canastrisse generalizada do elenco que confunde o fazer rir com fazer-se risível (ou ridículos), cria um espetáculo a se lamentar cena a cena, partindo da cenografia pesada, pouco plástica e feia, os figurinos à star wars. Adriana Galisteu escapa de ser a pior, talvez por suas quatro linhas de diálogos que a fazem entrar e sair de cena tão rápido quanto entrou. A esquálida Maria Fernanda Cândido não tem a mesma sorte, recitativa, despeja o texto em cena sem qualquer preocupação com o entendimento, sem qualquer convicção do que diz. Para fazer rir, o que se ve é uma galeria de machos com trejeitos afeminados, uma bicharada pavoneante, com o mesmo bom gosto de um programa de Renato Aragão. Aliás, essa é a melhor definição da peça na qual, para Ana Maria, Shakespeare é encenado na versão Didi Mocó. O que escapa a Jô Soares é que banalizar e vulgarizar uma peça inglesa clássica para, numa versão escracho - no nível do programa Ratinho - "dessacrizar Shakespeare", em nada contribui nem para o teatro, nem para o espectador.

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