sábado, novembro 05, 2016

Poema de Sérgio Vaz para Sabotage

Sabotage (O Invasor)

Mauro
Era um negro de asas.
Um pássaro
Com os pés no chão.
Som de ébano
Com pele de couro,
O mouro fez ninho no Canão.
O passado,
Que o futuro queria
Escrito em carvão,
Deixou de ser pó
Pra ser pão,
Ao se viciar em poesia.
O poeta
De plumas negras
E voz de pedra
Cravou seu canto
Preto e branco
Nas vidraças
Do mundo colorido.
Filho banto
Em carne e carcaça
Serviu a taça
Com vidro moído
Aos traidores da raça.
Navegante
De mares insolentes
Sua bússola
Apontava sempre para a periferia.
A rima era o rumo
O remo da sina.
No ar,
Como fumaça de fumo
E vermelha retina,
Era frio
Era quente,
Mas nunca banho-maria.
Um dia
Num voo curto
Depois de uma longa metragem
Um disparo sem rosto
Uma bala sem gosto
Calou o personagem.
Diante disso
E sem nos esperar
Desfez o compromisso
Seguiu de viagem
E foi cantar em outro lugar...
Num bom lugar.

SERGIO VAZ

*do livro "Colecionador de pedras" Global Editora

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