quarta-feira, novembro 30, 2016

Um post no facebook no dia do desastre com avião do time do Chapecoense.

A notícia do acidente e das mortes foi dada. A cobertura passo a passo em Chapecó ou publicações de vídeos pré e pós desastre servem a quê? Se interessar, é tão somente às familias. Sentir empatia pela dor dos outros, não implica curiosidade mórbida. A mídia expõe o espetáculo ganhando audiência e patrocínio. O desastre será explorado à exaustão, como chacais e abutres.

NENHUMA INFORMAÇÃO RELEVANTE JUSTIFICA A COBERTURA HISTÉRICA QUE SE FARÁ A SEMANA TODA, NUM DISCURSO EMOCIONAL E PIROTÉCNICO QUE NADA ELUCIDA.

Vi isto acontecer com Sena, Os Mamonas Assassinas, Montagner. E as redes sociais vão dar ressonância a isso. Ela não é uma alternativa a idiotia televisiva, também aqui estarão a espetacularização e pior: o cidadão comum com seus hashtags e fotos alteradas - achando que são sinceros, espontâneos, solidários ou empáticos - replicando o efeito da cobertura e, portanto, comprovando o quanto são influenciados pela TV/mídia. Os mortos seguirão mortos. A mídia enriquecerá.

E o CIDADÃO MIDIOTIZADO sentirá que contribuiu com seus LIKES num coletivo de dor vazio que não serve a nada, mas que é termômetro para novas manipulações. ENQUANTO ISSO MAIS UMA NOVA LEI NEFASTA SERÁ VOTADA E TORNARÁ O BRASIL UM PAÍS MAIS ATRASADO E DESIGUAL.

Maiúsculas por Airton dos Santos

segunda-feira, novembro 28, 2016

3%, série da Netflix




3% série da Netflix. Um texto crítico.

3% é uma série brasileira da Netflix. Uma ficção científica. Jovens em determinada idade são submetidos a um teste para viver no MarAlto, uma espécie de paraíso na Terra destinado a 3% da população de um planeta devastado. Os daqui vivem miseravelmente sem assistência, submetidos à violência e misérias mil, desassistidos do Estado. Submentem-se ao Processo, uma espécie de vestibular com entrevistas, testes de lógica, exames de índole/moralidade, provas físicas etc. Ser desclassificado significa ficar sem futuro, quase o que sentem os candidados da FUVEST. Em cada episódio, um personagem é eliminado como num reality show. Quase todo episódio começa com flashback (à maneira do Lost), é mostrado o passado do personagem e suas motivações. Infiltrados no grupo, há "terroristas" que pretendem destruir o sistema de dentro, mas sem grande convicção. Há claro um tirano, Ezequiel; tirano, pero o mucho. Há cenas de tortura em pau de arara. As referências são à ditadura e à imensa desigualdade de classe brasileira e mundial. A ideia não é original, há os filmes Elizium e a quatrologia Jogos Vorazes com mesma premissa, desenvoldos com maiores orçamentos. 3% é pobrinho de recursos em efeitos especiais com visual à Hans Donner, mas tem aquela qualidade 02, bem feitinho com o que dá dentro de uma estética de comercial/videoclipe televisivo. O roteiro é bom, os atores são competentes e tudo segue bem azeitadinho, embora haja vários furos quanto à verossimilhança, principalmente, quando se trata da psicologia dos personagens. Prende, entretem, mas, sendo uma alegoria tão próxima, rica para discussão de algo que vivemos tão intensamente no presente - desigualdade, opressão, conscientização política/de classe, - ela se restringe a esvaziar qualquer viés conscientizador, volta-se para o drama pessoal, tolo e melodramático. A motivação é uma vingancinha (da protagonista) pois o irmão foi morto pelo vilão. O particular suplanta qualquer ideal coletivo, aquém de ideologia, de desejo libertário, de esperanças utópicas. Embora a motivação política seja sustentada pelo personagem Rafael, o fato de ele ser um tanto amoral - por vezes, fútil - tira a potencia da "Causa". E tudo se dilui no lance de sempre, o coração ferido, mantendo-se mais do mesmo, nada para fora do mero espetáculo televisivo. Não querendo ser mais que "diversão", a série esvazia-se em si mesma, nada propõe e fica com o espectador, nenhum dilema, nenhuma associação permitida com a vida. Nenhum ganho de consciência. É a trama lá deles, individual, particular, assistivel, acomodada à fantasia sci-ficction. Condena-se, assim, ao 100% de esquecimento, logo após assistido.

Rever filmes, é um outro prazer


Estava no Netflix, botei e acabei assistindo inteiro com Gabriel. Rever De volta para o futuro é estranho, pois foi o terceiro filme que vi na vida num VHS, no Zaíra, em torno da família. Constatar que o filme segue empolgante, e com um roteiro primoroso e conduzido com um talento preciso de Robert Zemeckis, que depois nos daria Contato, Forest Gump e O náufrago. Preciso sentar e estudar, ponto a ponto os encaixes deste roteiro. Uma aula.


Também, botamos para ver um pedaço, e de repente estávamos entregues a este filme apocalipse-zumbi empolgante. Adoro gênero suspense/ação/terror, filme que provocam efeito físico no espectador: roo as unhas, o coração acelera, fico ansioso, levo sustos. Um filme frenético, cheio de tensão. Tinha visto no cinema. Revê-lo foi um prazer.

Ontem, 27 de novembro de 2016, FIDEL CASTRO MORREU.


Viva o Comandante!

Eu sou Ingrid Bergman, documentário


Baixei. Há tantas belezas neste documentário sobre a estrela Ingrid Bergman. Mas o que fica é a absoluta entrega e liberdade que ela tem em relação à vida, tão fiel a si, seus desejos, suas ambições. Uma alegria imensa em viver - de alguém que perdeu os pais muito jovem, e se construiu por completo. Sem se anular como ser diante dos homens que amou e até dos filhos, ela avançou pela vida reinventando-se em línguas e lugares diferentes em ciclos da vida, buscando a excelência na arte, que a fazia mais viva. Como não ama-la?

quinta-feira, novembro 24, 2016

Animais fantásticos e onde eles habitam


Assisti na Paulista, sábado. J.K.Rowling provando definitivamente que é um gênio, inserindo no universo de Potter uma trama deliciosa, cheia de belezas, ações, inventividade. Delicioso filme.

XXY, de Lucía Puenzo (2007)

 

Alex nasceu com ambas características sexuais, ou seja, um pênis e uma vagina, ou seja, ela é hermafrodita. Seus pais se mudam para uma cidade pequena, protegendo-a da exposição. Muitas coisas mudam quando recebem a visita de um casal, cujo filho de 16 anos acaba se apaixonando por Alex.

Este filme estava entre as muitas pendências de filme, e a abordagem do tema me surpreendeu. Um belo filme que não fecha as questões. 

segunda-feira, novembro 21, 2016

Disputa será da direita com a extrema direita, afirma Haddad


Prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT)
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT)


O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP) afirma que a esquerda brasileira nunca conviveu com uma situação "tão adversa" como a atual. Para ele, a polarização brasileira se dará, nos próximos anos, entre a direita e a extrema direita.

Derrotado por João Doria (PSDB-SP) na eleição municipal, ele diz que se dedicará agora a "reorganizar a vida", mas sem deixar o "debate nacional". Leia os principais trechos da entrevista, concedida dias depois da vitória do republicano Donald Trump à Presidência dos EUA:

Folha - Há uma onda conservadora no mundo e no Brasil?

Fernando Haddad - Não dá para entender o Donald Trump sem entender o que foi a globalização. O que seus ideólogos defendiam? Que ela significaria a distribuição do welfare state [Estado de bem estar], que uma parte do bem estar do núcleo orgânico do sistema seria socializado.

Isso atingiria inclusive o Brasil. Essa era uma tese do [ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso, por exemplo. Mas o que de fato aconteceu? O capital se internacionalizou de uma maneira inteiramente nova.

Eu [empresa] produzo a sola do [tênis] Nike no Vietnã, o cadarço no Camboja, monto em Manaus e exporto para a Europa. Só que quem fica com o superlucro é a marca Nike. Não são os trabalhadores, como se poderia imaginar.

A força de barganha diminui.

A base nacional da legislação e da organização sindical se esfarelam. E o capital passa a superexplorar a força de trabalho. Sobretudo no Sudeste asiático, que se industrializa com base na mão de obra barata, de pessoas que trocavam 12 horas de jornada por um prato de arroz.

A globalização significou ainda a desregulamentação dos mercados financeiros.

Em 2008, duas coisas se combinam: crise financeira com a explosão das bolhas na Europa e nos EUA.

O centro nervoso do sistema é atingido. Os trabalhadores de seu núcleo orgânico já sentiam os efeitos da desindustrialização pelo aumento da competição asiática. Mas, a partir de 2008, passaram a sentir na pele, como nunca.

Essa combinação começa a explicar a emergência da direita nos EUA e na Europa.

Trump é só um elemento a mais de reação da classe trabalhadora tradicional, europeia e americana. Que dá sustentação a Marine Le Pen, na França, ao Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia], a grupos radicais na Alemanha e na Áustria.

Nos EUA não há desemprego, por exemplo. Ao contrário.

Mas você tem a precarização [do trabalho], sobretudo no nordeste, que era uma das regiões de base industrial nos EUA. Ele sucumbe.

E você tem a emergência de forças ultraconservadoras de viés nacionalista, com a classe trabalhadora tradicional reagindo aos efeitos deletérios da globalização pela direita. Hoje a disputa, em escala global, inclusive na periferia do sistema, se dá entre a direita e a extrema direita.

E no Brasil?

A América Latina pegou um atalho interessante. A expansão do sistema abriu um ciclo de commodities e de crescimento que se combinou com a democratização da renda por governos que, sucedendo os militares, emergiram com discurso muito favorável ao combate à desigualdade.

E o Brasil conseguiu cumprir com certos princípios da Constituição de 1988, que foi o ponto alto a Nova Republica, que durou de 1985 a 2016.

A Nova República terminou. Vivemos hoje o começo de uma segunda República Velha, como deseja o establishment. [Irônico] Essa farra aí, de direitos, acabou. Vamos voltar ao padrão primário exportador do começo do século passado.

Como o país chega a essa crise tão aguda?

Com a crise de 2008, o ciclo de commodities teve que acabar. As economias centrais dependiam de matéria prima barata para recuperar seu dinamismo. A decisão da Arábia Saudita [de aumentar a produção de petróleo, fazendo o preço despencar] é política. Ela joga com os EUA.

Com o fim do ciclo das commodities, começa a crise na periferia, em governos [da América Latina] de matriz econômica cujas bases não são mais sustentáveis. Isso explica parte da crise do governo Dilma [Rousseff]. Obviamente não explica tudo.

E o que mais explica?

A leitura completamente equivocada do governo e do PT sobre [os protestos] de 2013. Ela foi a de que tínhamos garantido o pão e que o povo tinha saído às ruas para pedir a manteiga. Essa expressão eu ouvi, na época, de alguém muito importante.

Do Lula?

[risos]. É. Eu ouvi do Lula. E eu disse para ele "não é isso o que está acontecendo".

Nós tínhamos dez anos de crescimento real do salário, a menor taxa de desemprego, inflação relativamente controlada. Não tinha elementos para o povo estar na rua.

A não ser pelo componente psicológico de perda de poder e status relativos das classes médias tradicionais, espremidas entre ricos cada vez mais ricos e pobres menos pobres.

Elas que lideraram aquele processo. E já começava o fim do ciclo de commodities. O resultado foi uma crise institucional com a radicalidade que a crise política impôs.

A leitura errada se traduziu em medidas equivocadas?

Dilma acreditava realmente que essa crise era temporária. E os ajustes que a economia precisava foram sendo adiados. Quando se confirma o diagnóstico contrário, ela dá um cavalo de pau. Imaginando que em 2018 a economia voltaria a crescer.

E dá tudo errado.

Dar um cavalo de pau pressupõe que você tem base parlamentar. Ela não tinha. A popular, perdeu. A classe média tradicional ganhou as ruas e aí nós promovemos algo que não está na Constituição: o tal do impeachment sem crime de responsabilidade.

O que foi esse casuísmo? A Constituição prevê a intervenção do Estado no município, do governo federal no Estado, mas não a do Congresso no executivo. Pois foi exatamente o que aconteceu.

E o que nós temos hoje é um governo de intervenção, com os seus atos institucionais. A PEC 241/55 [do teto de gastos] é o ato institucional número 1 do novo regime.

O pressuposto é o seguinte: qualquer aumento quantitativo dos serviços públicos, qualquer melhora qualitativa, e o enfrentamento da questão demográfica, do envelhecimento da população, vão ter que ser enfrentados com o aumento de produtividade do serviço público.

A conta não vai fechar.

O Estado vai sofrer pressão para racionalizar gastos. Isso não é positivo e necessário?

O problema é de escala. É imaginar que esses três desafios vão caber dentro da âncora fiscal. É imaginar que o interesse difuso vai prevalecer sobre o interesse corporativo. Olha a dificuldade de se cortar supersalários no Judiciário brasileiro, que é o mais caro do mundo. Olha a dificuldade que é você enfrentar as corporações.

O senhor costuma criticá-las.

Eu não me vejo vivendo numa República. As instituições republicanas funcionam ainda muito na base da facção. Pessoas que não poderiam têm lado. Alguns promotores, alguns jornalistas, juízes, desembargadores.

O problema não está no fato de um membro do Ministério Público, por exemplo, não agir republicanamente. E sim no fato de os mecanismos corretores não funcionarem.

Que motivos levaram à sua derrota em São Paulo?

A crise do PT foi muito severa. Só neste ano, três [ex] ministros do partido foram presos [Antonio Palocci, Paulo Bernardo e Guido Mantega]. Teve o impeachment. O Instituto Lula somou 13 horas de Jornal Nacional, neste ano, contra o Lula.

Houve também a fragmentação do nosso campo. Chegaram a me perguntar por que o PT tinha lançado três candidatos, eu, a Marta [Suplicy] e a [Luiza] Erundina.

E o Doria fez propostas objetivas que sensibilizaram o eleitorado: manter a tarifa [de ônibus] congelada, abrandar a fiscalização por radar e aumentar a velocidade das marginais. Eram as críticas que eu ouvia na periferia.

Mas, sinceramente, eu não reclamo de nada porque a experiência que vivi foi a mais rica que eu poderia ter.

Eu queria ficar mais quatro anos como prefeito. Queria. Do MEC [que comandou no governo Lula] eu sinto nostalgia. Daqui eu vou sentir saudades. Porque eu gosto de ser prefeito e queria ficar.

Por outro lado, vivendo essa turbulência toda e entregando a cidade melhor do que recebi compensa o sentimento de perda. A dívida de SP era 200% da receita. Hoje é 74%. A folha de pagamento está controlada, 70% do orçamento é de receitas próprias.

Quanto tempo a esquerda demora para voltar ao poder no Brasil, se é que volta?

A tendência é que também aqui direita e extrema direita sejam o polo das próximas disputas. O desafio da esquerda é maior do que nunca. A gente nunca conviveu com uma situação tão adversa.

Qual é o futuro do PT?

A chance de o PT manter a hegemonia na esquerda é difícil. Embora, mesmo muito machucado, ele ainda seja maior do que quase a soma de todos os outros [partidos de esquerda] reunidos. Vamos ver o que ocorre até 2018, em torno da candidatura do Ciro Gomes (PDT-CE), se o Lula vai ser impedido de disputar.

E o senhor? Pode disputar [a Presidência] em 2018?

Eu não estou pensando em eleição agora.

Poderia tentar de novo a Prefeitura? Ou sair a deputado, a senador?

É difícil passar pelo mesmo lugar que eu já passei. E não me vejo no Legislativo. Vamos ver o que o destino me reserva. Agora estou empenhado em organizar a minha vida pessoal. Depois de 16 anos em vários governos, me descapitalizei completamente. Mas a vida inteira eu participei de política e só a partir de 2001 em cargos públicos. Vou continuar a participar do debate nacional, vou voltar, por exemplo, a escrever.

sexta-feira, novembro 18, 2016

18.11.16 - Zona Cerealista de SP


Metrô Rio, com Renato (fora do quadro)


Uma selfie do Pedrão


Igreja, Rio.


A biografia de Rita Lee


Rita Lee sempre foi uma das minhas artistas preferidas. A biografia dela tem frescor, nenhuma pitada de sentimentalismo ou autocomiseração. Capítulos curtos, cheios de lances jocosos. Elas escamoteia o entorno e foca em si, em suas aspirações, entradas e saídas das drogas, o mundo da família (pai, mãe, irmãs e agregadas) e depois o amor por Roberto, o nascimento dos três filhos; seus bichos de estimação. Vai passo a passo dizendo o que pensava e o que fazia quando elaborava cada um dos seus trabalhos. E pára para analisar os discos, dizer o que vale a pena e o que não. Mas seu dizer tudo é também uma forma de não ir a fundo, tudo parece demasiadamente exterior, resume em ações, sem que ela de fato mergulhe de fato em si. Seus dentros, só a ela pertence. E como a vida é épica e se faz no ato corajoso de enfrentamento do mundo, de desejo - as vezes autodestrutivo de gozar - só o à frente existe, o tempo inexorável agindo nos cabelos, brancos. Rita chega ao fim de si sem se gastar, sem se entregar. Escrutina-se sem se dar por completo, biografa-se sem vender sua história (sem se vender) e sai de cena se desmistificando, numa biografia sem grandes tintas, onde os dramas mais profundos são revistos e ditos sem gravidade. Jocosamente, sarcasticamente, tão rock roll quanto a vida que, Rita Lee, ao passar-se a limpo, finge esgotar a menina-mito, mezzo italiana-americana, a perfeita tradução de uma São Paulo que não há mais.

[Leio aos saltos, desde quando a comprei há quatro semanas. E o efeito que me provocou foi o desejo de ouvir cada um dos seus discos com toda a atenção].

quinta-feira, novembro 17, 2016

Livros comprados nas ruas do Rio

Renato Russo - o trovador solitário, de Arthur Dapieve
O irmão alemão, de Chico Buarque
Como criar personagens inesquecíveis, de Linda Seger
Millôr 100 + 100 desenhos e frases, de Millôr Fernandes
A posse da terra, escitor brasileiro hoje, de Cremilda de Araújo Medina
Polanski - uma vida, de Christopher Sandford
Uma biografia, de Rita Lee
Cem ideias que deram em nada, de Antonia Pellegrino

O rei da terra, de Dalton Trevisan
Guerra conjugal, de Dalton Trevisan
Abismo de rosas, de Dalton Trevisan
O esquadrão guilhotina, de Guilhermo Arriaga



Sobre o ódio aos professores



https://contraoescolasempartidoblog.wordpress.com/2016/11/14/o-odio-aos-professores-se-profissionaliza/

AQUI

Se eu fosse eu, de Clarice Lispector, por Débora Wainstock


Lava Jato e a destruição do Brasil

Vídeo e matéria, aqui.

http://jornalggn.com.br/noticia/documentario-mostra-como-a-lava-jato-destruiu-a-economia-em-poucos-meses

Banho dos homens


À meia-noite no Rio, em frente ao Teatro Municipal


Animação retrô genial



Clipe/animação retrô maravilhosa, para discutir a mudança de comportamento em decorrência dos avanços tecnológicos.

Balada Literária - Homenagem a Caio Fernando Abreu


http://baladaliteraria.com.br/

Paradoxal


Conexão RJ-SP


Fui para o Rio e deixei o Gabriel na minha casa para cuidar do Big.

Coisas que acho bacana


Tem elogio maior?


Roda Viva com Michel Temer ou A morte do jornalismo


Roda morta. Uma morte horrível.

sábado, novembro 05, 2016

Ditadura

"A palavra “ditadura” pode parecer excessiva, mas é exatamente disto que se trata. Sem discutir extensamente o conceito, é possível afirmar que “ditadura” remete a dois sentidos principais, aliás interligados. Por um lado, como oposto de democracia, indica um governo que não tem autorização popular. Por outro, em contraste com o império da lei, sinaliza um regime em que o poder não é limitado por direitos dos cidadãos e em que a igualdade jurídica é abertamente desrespeitada. O Brasil após o golpe de 2016 caminha nas duas direções." - via Julian Rodrigues

Poema de Sérgio Vaz para Sabotage

Sabotage (O Invasor)

Mauro
Era um negro de asas.
Um pássaro
Com os pés no chão.
Som de ébano
Com pele de couro,
O mouro fez ninho no Canão.
O passado,
Que o futuro queria
Escrito em carvão,
Deixou de ser pó
Pra ser pão,
Ao se viciar em poesia.
O poeta
De plumas negras
E voz de pedra
Cravou seu canto
Preto e branco
Nas vidraças
Do mundo colorido.
Filho banto
Em carne e carcaça
Serviu a taça
Com vidro moído
Aos traidores da raça.
Navegante
De mares insolentes
Sua bússola
Apontava sempre para a periferia.
A rima era o rumo
O remo da sina.
No ar,
Como fumaça de fumo
E vermelha retina,
Era frio
Era quente,
Mas nunca banho-maria.
Um dia
Num voo curto
Depois de uma longa metragem
Um disparo sem rosto
Uma bala sem gosto
Calou o personagem.
Diante disso
E sem nos esperar
Desfez o compromisso
Seguiu de viagem
E foi cantar em outro lugar...
Num bom lugar.

SERGIO VAZ

*do livro "Colecionador de pedras" Global Editora

Você não está sendo oprimido...


Você NÃO está sendo oprimido quando outro grupo ganha os direito que você SEMPRE teve.

Tiro ao Álvaro, de Adoniran Barbosa (vetada por falta de gosto)


Solidão ou liberdade: uma questão de perspectiva


Pintocoptero e bambolê


Fala de Clara/Braga, no filme Aquarius:




"É impressionante o que se diz, que falta educação. E sempre se referem a gente pobre. Mas falta de educação não tá em gente pobre não, tá em gente rica e abastada como você, sabe? Gente de elite, que se fala "de elite", que se acha privilegiada, que não entra em fila. Gente como você, que fez "curso de Business" nos Estados Unidos mas não tem formação humana, não criou caráter, sabe? Quer dizer... O seu caráter é o dinheiro. Portanto, meu amor, você não tem caráter. Só o que você tem é essa carinha de merda."

Sobre ocupações das escolas pelos estudantes


Liberdade, de Paul Éluard


Liberdade

Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome

Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome

Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome

Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco da alvorada
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome

Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome

Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome

Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome

Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome

No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome

Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome

No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome

Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome

Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome

Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome

Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome

E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar
Liberdade

Tradução: Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira

Dom, no Canadá

Outono, a mais bela estação do ano no Canadá | enjoying last weeks of fall in the gorgeous Montréal. Saudades do Dom, e vem essa foto bonita dele.

quarta-feira, novembro 02, 2016

Ricardo Darin, fala no programa Sangue Latino


Um ator, um homem extraordinário e lúcido. Assistir a isto foi inspirador. Imperdível.

Assistir AQUI

http://canalbrasil.globo.com/programas/sangue-latino/videos/3928201.html