sábado, outubro 22, 2016

Elle, de paul Verhoeven


 Uma produtora de jogos violentos de videogame é estuprada em sua casa, mas não chama a polícia. Recusa-se a se apresentar como vítima, mesmo quando começa a receber no celular mensagens obscenas do seu estuprador. Arma-se, investiga, anuncia ao ex marido e amigos próximos o ocorrido durante um jantar, mas segue inflexível. Cercada por todos lados por pessoas que a desprezam, - a mãe e seu noivo michê, a nora, os funcionários no trabalho, o próprio amante (casado com a melhor amiga) - o mistério se instaura na investigação do criminoso, mas mesmo quando é novamente atacada e reage não compreendemos suas motivações. Assim o filme segue no desconcerto pois nenhuma reação é previsível.

Um filme estranhíssimo, ou seja, um filme à lá Isabelle Huppert, mas dirigido por Paul Verhoeven sem qualquer cacoete pop de sua produção hollywoodiana. O que se vê são as obsessões do diretor: sexo, violência, desejo e frieza, tramas de suspense em que ninguém é o que parece ser. Huppert entra para a galeria de suas femmes potentes sado-masoquistas, predadoras sem culpa e controladoras. As pervesões levadas a um limite incomum, e nenhum empenho de converter a protagonista em heroína, aliás, uma galeria de suas indiossincracias, mau-humor e cinismo: a antieronina total. Por isso o incômodo que se estabelece da primeira a última cena.  Perturbador.

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