quinta-feira, setembro 15, 2016

Uma dedicatória a Lucas no Cem anos de solidão

Lucas,

este livro foi o primeiro livro do Gabriel Garcia Marquez que eu li; tinha 17 anos, estava no colégio e quem o apresentou para mim foi minha amiga Érica. A amizade passou, ou melhor, perdeu-se como se perde tudo com o tempo. A descoberta deste livro permanece, como permanece em mim a descoberta de Macondo e seus viventes que não são menos reais do que tantas pessoas que conheci. Uma boa definição de literatura não é o cânone; literatura é o que fica, não como as fotos, os filmes que ficam datados nas roupas, falas, modos: matéria do passado. Os livros são atos e pensamentos que permanecem vivos e se renovam a cada leitura, enquanto nós, viventes, vamos todos para o esquecimento. Se esta dedicatória se alonga demasiadamente é para que também permaneça este dia, este pensamento, este nosso encontro, iniciado também com palavras. Escrevo a você para continuar existindo e existo agora, neste livro, para além do esquecimento.

[A dedicatória escrita na página de rosto do tem uns 15 anos, por aí, e seguimos...]

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