quinta-feira, setembro 15, 2016

Apologia Às Virgens Mães

Quantos tempos teceram teus vestidos de lã?
Quantas tranças os tempos fizeram traçar teus cabelos?
Quantos beiços beberam do teu peito o afã?
E dos seios sugaram o sulco sem dor, dos teus zelos
Senhora de saia, de ventre pré-destino
Quantos tempos cruzaram num ponto de cruz teu destino?

Mães de Jesus, oh virgens, todas virgens

Já choraram teu choro, prantos correm na história
Feito rio que erode do espaço às margens: trajetória
E dum traje contido, de branco e grinalda na média
Abusaram o desejo do corpo e teu sonho trajou de tragédia
Menina de saia de gozo pré-extinto
Quantos tempos bordaram o calado bordel de teu instinto?

Mães de Jesus, oh virgens, todas virgens

[Na sacola da feira, tem de besteira a feijão
Tem também muitas eras de carga alçada em tua mão
Pudera ter tempo, senhora, tanto tempo pudera e tem
Do fruto da feira, vambora, tempos colheitas de tempo têm
Deles, tantos puseram, oh dona, de peso no saco da feira
Se de Madalena o filho, Madona,
Pesa mais: Não tem eira nem beira

Não tem eira nem beira, nem eira nem beira.]


[Acho essa canção/blues de As bahias e a cozinha mineira, realmente EXTRAORDINÁRIA, como uma possibilidade de saída MAIOR para uma MPB que se apequenou na nova geração, com garotos anêmicos emulando Los hermanos e cantatrizes com voz de crianças de sete anos. A letra complexa e o cantar inteligente]

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