quinta-feira, agosto 11, 2016

Marcelo ontem, 10.8.2016.


Marcelo morreu ontem. De ataque cardíaco. Irmão do Márcio, da Marcinha, filho de Maria e de Ataíde, que faleceu a poucos meses também. Eu o conheci no colo da mãe, quando bebê, os pés nasceram tortos. Minha mãe providenciou as marcações de cirurgias. Vi seus pé ingessados, pensava no enorme sofrimento da criança, a cirurgia dolorosa, o incômodo gesso. Seus pés nunca ficaram perfeitos, mas isso não evitou que jogasse bola, andasse por ai, na vida, sem neuras ou rancor. Durante anos nos encontramos esporadicamente, mas sempre perguntava ao Márcio por ele, que me narrava suas mil aventuras atrapalhadas. Era doce, um tanto ingênuo, o coração terno, como uma criança grande, dando mancadas na vida. Mas nunca o ouvi reclamar de nada, um otimismo imenso, um prazer enorme em viver. Encontrei-o há uns anos na estação de Prefeito Saladino, nos abraçamos. Fiquei muito feliz de vê-lo. Ele estava trabalhando na limpeza. Ele gostava muito de mim. Eu gostava muito dele. Mas o tempo nos distancia a todos. Hoje foi seu velório e enterro. Não pude ir. Não pude e não posso com um tanto de coisas. Não posso mirar aqui seu rosto na foto, não posso pensar em suas morte, por que isso me arrasa. Tento evitar tristeza, pois ando estranho, profundamente melancólico. Marcelo, querido, escanse com Deus. Amor.

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