domingo, agosto 14, 2016

As luzes do ocaso, teatro no CCBB


Assisti na sexta feira, as 20h com Cinha, Airton, Gabriel e Cecile, no CCBB. As luzes do ocaso trata de uma vedete, que envelhecida, vive reclusa numa praia no Rio Grande do Sul, na companhia de BB. A rotina consiste em cuidar de rosas e do velho figurino do teatro de revista. Um dia recebe a visita inesperada de um novo vizinho, um escritor que a reconhece: seu pai era apaixonado por ela. Envaidecida, Lanuza Mayer se permite desfilar canções, números e histórias do passado em jantares para o jovem visitante, envolvendo-se cada vez mais, seduzida e seduzindo-o. Um clima de suspense, de noir fundido ao escracho de marchinhas antigas, e números vulgares do teatro rebolado se entrelaçam, com a revelação de que o rapaz é o filho de um ex amante, por ela assassinado com veneno, BB é esse fantasma. No desfecho, quando o rapaz a obriga a retornar, entregar-se a polícia ou tão somente apresentar-se diante da mãe e do irmão para dizer que o pai não é um suicida, é envenenado por Lanuza. O desfecho, como grande parte da peça, traz referências a diversos filmes, mas Crepúsculo dos deuses, de Billy Wilder é sua principal fonte. A atriz Magali Biff usa as caras e bocas de Gloria Swanson/Norma Desmond, está entregue, sua interpretação é afetada, dramática, jocosa, perfeita para o papel. Giovani Tozi é péssimo, histriônico, com gestos imprecisos, artificiais, muito aquém do papel. Paulo Goulart Filho, o BB, foi substituído por outro ator, competente, mas insosso. O cenário, composto por enormes espelhos formando um camarim, mas que se transforma em armários, porta de entrada, e palco de apresentação, é belíssimo, e traduz perfeitamente a ilusão de estar eternamente em cena, da vedete e seu enorme ego. Um espetáculo bonito ainda que insuficiente, por redundar numa melodrama de viés espírita/psicológico, esvaziando a bela luz e o jogo de som fantástico, tudo meio cafona.



Mas melhor que a peça, foi a companhia. E acabamos no eterno Rong he. E foi ótimo.

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