sexta-feira, julho 29, 2016

Investigação acerca (do crime) de Eduardo AT (um post antigo, do blog das 30 pessoas)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Investigação acerca (do crime) de Eduardo AT

Todas as janelas da casa dão para muros. Ele vive uma vida sem paisagem. 


Barrando a porta da sala de estar, uma mesa balcão com dois computadores. Empilhados: livros, revistas, dvds e cds, desordem de canetas, agendas. Fios entrecruzados à beira de um curto. Imaginam-se horas diante do escritório improvisado. Vida sem visitas. Caos no trabalho e nos dias. Utopia de alguém que insiste em ganhar a vida com escritos e filmes.

Estantes de metais encurvando livros. Burras de carga de um pretenso saber. Pouco mais que a metade com páginas anotadas a lápis, o que pressupõe que nem todas lidas.

Sobre a geladeira um boneco articulado em fuga. Adesivos em desordem. Lâmpada queimada na luminária dupla. Torneira estrangulada para não gotejar segredos martelando insônias na madrugada. Interruptores falhando em luz, impondo escuridão. [Na última gaveta da pia, interruptores e borrachinhas novas para o conserto que por preguiça, falta de tempo ou tédio não realiza.]

No guarda-roupa, calças tamanho 42 em harmonia com outras 48, assim como camisetas M com GG e XL (velhas e novas), o que pressupõe oscilação frequente de peso ou grave doença recente. O predomínio de camisetas pretas com gola V convivendo com outras, de cores diversas, nunca usadas. Luto ou equivocada forma de se fazer atraente. 

No cômoda, suplementos de academia em convivência com apostilas de cursinho. Anotações, rascunhos em papéis, planos de aula, lista de alunos, redações corrigidas, tudo denunciando a segunda profissão, que de mais antiga só perde para a das putas; mas sem igual prazer, igual reconhecimento e remuneração.

No criado mudo, a tristeza de contas por pagar e pequenos recibos com seu nome estampado em solidão, tudo reafirmando o fato de ser solteiro e estar por si.

Numa sacola, dúzias de preservativos tanto gritam dias de intensa promiscuidade ou de absoluta abstinência. Cuecas novíssimas, de marca cara dando indício de relacionamentos recentes, tudo a par de meias confortáveis da algodão, tênis diversos, bonitos, não-gastos, empilhados e que dizem, por isso, que ele precisa andar mais, viajar mais, buscar novos caminhos.

Na janela do banheiro, várias escovas de dente, pastas pela metade, pomadas para toda espécie de praga, alergias. Lâminas de barbear. Pinças. Cotonetes. O nonsense de pentes finos e xampu que  riem de sua cabeça raspada.

Na cozinha, o relógio que antecipa seus costumeiros atrasos, anuncia com seus ponteiros as 2:06 da noite, ao lado de um pinguim exilado que mira do alto a mesa onde pares de pratos comprovam um jantar noturno. O desleixo da mesa  e as panelas ainda quentes no fogão falam de uma noite compartilhada. Mas os cobertores e travesseiros em dois sofás distintos, voltados para tevê berram amizade (e não sexo) nesta noite fria de novembro.

Não há porta-retratos, imagens de santos na casa, poucos bibelôs (que desgosta), mas há um tarô no criado mudo cuspindo arcanos e destinos. Há também um baralho lacrado noutra gaveta, convivendo sem fé com uma bíblia, documentos postos em pastas e pequenos aparelhos eletrônicos, comprimidos para dores, gripe e azia. 

Agora pouco tocou o celular. São trinta e dois números listados na agenda. Seis ligam com frequência. Os torpedos mais recentes são de André, Cinha, Cristiane, Murilo, Matheus P e Lucas. Âncoras com mundo exterior que impedem que afunde em si? Trombetas que anunciam que a vida está lá fora, e se faz melhor nos encontros?

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Por fim, esse espelho atrás da porta do quarto para ele se ver, para se saber, para se fotografar vezenquando. Espelho que é testemunha ocular do espetáculo monótono dos dias, e que não lhe questiona o certo/errado do viver. Assim, paremos neste espelho, que amplia a ilusão do quarto e de si, já que todos os mínimos indícios do dia  vão dar no sujeito frente à superfície: ele que é dele mesmo a (sua) mais frequente companhia. 

terça-feira, julho 19, 2016

Marguerite, de Xavier Giannoli


Delicioso filme francês sobre uma sociality riquíssima cujo grande amor é cantar. Ocorre que ela é absolutamente desafinada e simplesmente não percebe. É ludibriada por oportunistas e termina alugando um teatro para se apresentar ao grande público, pois até então tudo ocorria no âmbit de sua mansão. A interpretação deslumbrante de Catherine Frot, que confere dignidade, delicadeza, elegância e, ao mesmo tempo uma grande dose de humor à essa cantora desastrosa.



Stranger things, da Netflix


Série da Netflix indicada pelo Lucas Rios. Assisti meio solto com Gabriel Santos. Totalmente spielberguiana. Simula planos, movimentos de câmera, estilo, cliches e enredo do diretor e de outras referencias de filmes dos anos 80. A matriz é ET, Os goonies, Poltergeist, Tubarão; também, Conta comigo e o mais recente Super8. Trama que se passa nos anos 80, envolvendo garotos nerdzinhos com RPG, policial que sofreu morte da filha, mãe histéria, família disfuncional, escola e bullying. Ai, acrescente-se o fantástico, uma menina com poderes telecinéticos, um monstro medonho, conspiração do governo para ocultar. E estamos de volta aos anos 80 na roupa, cabelos, música. Sejam bem vindos.


Pedro e Gabriel cá em casa.


Como não amar absolutamente alguém que você conheceu no primeiro dia de vida. Meu sobrinho Pedro é meu amor incondicional. Precisaram passar 12 anos para ele poder finalmente vir aqui se hospedar na minha casa. Ele estava cheio de espectativa. Veio num uber de Santo André junto com Gabriel até aqui em casa. Comemos no Rong he da Liberdade - Gustavo estava aqui e nos acompanhou - e foi ótimo. Dia seguinte fizemos longo passeio pela 25 de março, Mercadão Municipal e acabamos no castelinho/Catavento onde tirei essas fotos. De lá fomos para Sé/Liberdade a pé, almoçamos e vimos um incrível desfile de comemorações do Ano do Macaco. Fomos comprar mochila, camiseta e cards pokemon de presente, e voltamos para casa. Gás acabou quando fazíamos arroz, mas improvisei microondas e os guiosas que comprei. Passei a manha de domingo assistindo com ele e Gabriel a série da Netflix e cortando figurinhas do pokemon que imprimi em papel fotográfico, depois de mil tentativas para acertar o formato. Pense em alguém feliz. Por fim, fomos a Avenida Paulista andar, ver mímicos, foodtruck e comer no Burger King com os tickets de desconto que ele trouxe para nós. Pegamos o metro, o trem e um táxi que o deixou em casa, depois de aguentar pacientemente meu esforço para comprar outro celular e cadastra-lo na Vivo. E foi uns dias ótimos, com ele e Gabriel.










Então me roubaram o celular

Então roubaram, ou para ser mais preciso, furtaram meu celular. Sem assalto, passaram a mão no meu bolso e foi-se. Um celular de 2.500 mangos, do qual eu paguei mil reais, pois o Paranex queria me presentear sem saber como fazê-lo. Isto a um pouco mais de dois anos. Ele andou dando uns paus, ameaçou não funcionar mais, fiz uma limpeza e ele estava perfeito, azeitadinho. 

Perder um objeto não é nada. O problema são as fotos não baixadas, a agenda atualizada com tantas pessoas cujo primeiro contato depende de mim. Perderam-se todas as mensagens, pois sigo não apagando nada. Putarias mil, nenhum nude (meu), conversas mais que íntimas. Anotações importantes, princípios de um conto ótimo de um sapo. E aquela resposta a mensagem que mandei, e que eu lia todas as vezes que tinha uma recaída tola, para entender de que matéria são feitas as desilusões amorosas e a decepção com as pessoas. Foi-se.

Fiz boletim de ocorrência online. Mudei todas as senhas. Bloqueei conta no Google. Mandei para Vivo o serial que inutiliza o aparelho. Mas perdi o número de gente cujo número deveria ter apagado e não apaguei. Então é o destino encerrando uma história. O que o destino nos manda, temos que aceitar. Deu prejuízo. Queria comprar outro aparelho igual ou versão mais atualizada: 3.500,00. Está louco! Por um celular?! Baixei na Paulista e comprei este  meio xingling meio nacional da marca BLUE, custou 750,00. Parece pouco, mas já é prejuízo. Demora horrores para carregar, mas gostei deles. 

Só lamento as fotos, algumas mensagens não apagadas, anotações bobas como números de ônibus no Rio, e furtivos encontros. Mas a vida é para diante. E Deus é bom comigo. Está dizendo para eu descartar e seguir. Sigo.

quinta-feira, julho 14, 2016

Fim do amor ou Sobre a dor fantasma

Não me lembro como, mas soube, há alguns anos, de um estranho fenômeno psíquico chamado "dor fantasma". Ocorre em amputados. É que embora tenham perdido partes do corpo, muitos amputados sentem coçar e, mesmo, doer os dedos de uma mão que não está lá, joelhos ausentes, punhos, falanges imaginários. Toda vez que penso na dor fantasma, o que me vem a mente é o fim do amor. O amor amputado, tirado da gente, em recusa, segue com a gente, dolorosamente ausente de nós.






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Matéria Estelar, de Rhaissa Bittar


Há um bom tempo tenho escutado este cd desta cantora fantástica chamada Rhaissa Bittar. As letras na maior parte são de Daniel Galli, um compositor/poeta surpreendente. Galli compõe poemas narrativos absolutamente sofisticados, cheios de humor e fundamentados numa sonoridade composicional impressionante. O teatro musical deveria descobri-lo pois ele daria dignidade a versos muito mal traduzidos e que perdem no teatro o encanto do jogo e da sonoridade chapada desses musicais trazidos para terras tupiniquins. Este disco de Rhaissa Bittar é quase todo de histórias, com uma pluralidade de ritmos em que as letras casam-se perfeitamente às melodias, com muito humor, ironia.

O sacrifício



Onde se vê aquela torre, havia uma casa vazia
Foi lá que eu tombei quando tentei salvar a minha pretinha
Digo pretinha mas ela era bem mais alta que eu
Um pobre pangaré metido a puro sangue, deu no que deu
Vendo tudo em preto e branco, eu ou ela, não vacilei
Por cima de quem quer que fosse eu passaria, até de um rei

Dei um pinote, arranhei os cascos no lajedo e me pus
Na frente da minha dama, feito um bravo e destemido andaluz
Ninguém encostaria um dedo na minha rainha de ipê
Morreria se preciso fosse só pra ela viver
O mundo desabou em mim, enfim, me pôs fora de combate
Mas meu sacrifício foi o início de um belo xeque-mate.


Daniel Galli
(lindamente cantado por Rhaissa Bittar)

Ouça aqui

Uma pedra, de Rahissa Bittar

Sou só
Estou só
Fui criada solta
À beira de qualquer caminho
O pó da estrada é a minha maquiagem

A lua bate em mim com força
Vagarosamente
E eu devo brilhar muito nessa hora
Leitosa, única, lunar, difusa

O meu silêncio
Machuca
Um homem me tem nas mãos
Machuca
Atirada prum canto qualquer
Machuca
O meu silêncio
Machuca

Não sou de chorar:
Estou dura
Sou fria: Estou triste
Sou quieta: Estou incandescente
Inconscientemente
Eu fico opaca para ser mais preciosa
Pra ser mais precisa:
Estou rosa

A lua toca em mim de leve
Sinto claramente
A flor da minha pele
Enquanto empalideço

Então
Uma noite
Eu sonhei
Mais de uma vez
Que estou só

Que sou só

Uma pedra

quarta-feira, julho 13, 2016

Procurando Dory, da Pixar


Minha primeira decepção com a Pixar. Trama mirabolante, com alguns (poucos) bons momentos. Cenas forçadas até mesmo para um desenho. Um tanto oportunista, de olho na venda de bonequinhos, já que insere em cena uma profusão de personagens insignificatnes. Um filme que não deveria existir.

Urgente, Cia Luna Lunera


Cheguei quinta, e na sexta fui com Jocelene ao CCBB-Rio para assistir a Urgente, da Cia. Luna Lunera, a mesma do espetáculo maravilhoso "Aqueles dois". O palco repartido em quatro quadriláteros a representar minúsculos apartamentos, onde vidas um tantos recalcadas se refugiam, interagindo na tensão de vidas com muitas memórias e poucos horizontes. Não combina com o Rio, que ama comédias leves e surperficiais. O teatro meio ocupado, nenhuma empolgação da plateia. Mas, tirando sacadas excelentes, como o prólogo, um texto poético instigante, muito do que se ve é um arrastar monótono de vidas comezinhas difíceis de seduzir o público e até mesmo de comovê-lo. Mas Cia. Lua Lunera é sempre bela em suas experimentações, com atores que se entregam. A peça termina chocha, com o desabamento anunciado já no início, as lacunas nos dramas - para evitar os cliches metodramáticos - também não propõem nada além de saídas, e os espetáculo termina - sim - faltando. E nem pude culpar o público carioca.





Julieta ou Sliêncio, de Almodóvar

Marquei para amanhã, cinema com Ana Maria, Rubinho, Susana e Tininha (Clarice e Cecile não poderão ir), assistiremos no Conjunto Nacional a Julieta, de Pedro Almodóvar.

Eu, Gabriel e Pedro



Estivemos hoje no Zaíra, para clicar fotos encenando desavenças. Pedro e seu sorriso inquebrantável.

8 de julho, morte do Paulinho


Então recebi pelo whatts a notícia de que Paulinho estava internado com uma infecção severa, já comprometendo órgãos. Há alguns anos ele havia sofrido um acidente de carro e perdido o baço, o que reduziu sua imunidade. Então, no dia seguinte, veio já a noticia de sua morte. Estava no Rio. Não pude ir ao seu funeral e enterro. Achei na sua página esta foto que traz uma síntese do pessoa que foi. Braços abertos, feliz, na natureza, nos grandes mistérios mágicos do mundo. Ele que me levou para acampar ainda na época do colégio, e me elegeu para seu amigo, organizando viagens para Dudolândia, para Ilha Bela. Quando morava na viela, ficávamos sentados nos degraus conversando, a irmãzinha Fabíla passava; anos depois mudou-se para o fundo do Zaíra, e eu o visitava, e conversávamos longamente. Lembro de suas mandalas, do porão-quarto-toca onde imprimia seus desenhos e escaneava fotos das viagens. Cada ano eu o via menos, distante que estou de Mauá, mas sempre nos reencontrávamos com alegria. Sua alma tão sintonizada com os inumeráveis mistérios espalha-se na natureza efêmera das coisas, para intergrar-se ao mundo. Para mim, ele compõe minha história, minha descoberta do mundo e das pessoas e, por isso, está no sujeito que me tornei. Como se perde parte daquilo que é o que somos?

Descanse, meu lindo. 

Amor.

Du

quarta-feira, julho 06, 2016

Baixou a Janete Clair no eu facebook


Essa lindona aí, fez os melodramas mais lindos da televisão brasileira. Quase ninguém mais lembra dela. Resolvi aqui fazer uma homenagem a linda dama; também por que meu coração é dramático, dilacerado e ando cheio de amor pelo mundo e pelas pessoas.

Diálogos esclarecedores


- O que me incomoda mesmo é que hoje em dia os viados estão em todo canto.
- Se te incomoda, realmente, é provável que tenha um aí, dentro de você.


[Por que eu gosto de escrever coisas curtas]

Cleyton, Cadu, Marcela e Tiago vieram me visitar

Há uma semana, meu querido amigo Cleyton baixou em São Paulo com esse fofo do Cadu e fomos ao Riconzito peruano com Marcela (vinda de Minas) e Tiago (vindo do Brás), o pequeno Gabriel foi também, por que amamos o ceviche. E foi ótimo. Acabamos na doçaria portuguesa Matilda, no mirante da Paulista e Na Roosevel, comendo pizza 15 reais a caixa. E foi bom.

Casamento da Janete, em Nova Iguaçu















Então dia 3 de julho minha amada amiga Janete casou-se com João numa cerimônia linda em Nova Iguaçu. Fui um dos padrinhos com Jocelene. A festa foi impecável, sensacional mesmo. Tudo foi muito emocionante, amoroso. Em breve escrevo longamente sobre tudo e posto mais fotos.