segunda-feira, junho 13, 2016

Jogos vorazes, quadrilogia (escrita por de Suzanne Collin)


Logo que saiu, tinha esboçado assistir aos primeiros 20 minutos, cansei, achei fake, hiper-estetizado, brega, para ser honesto. Nem me empolgou a raiz mitológica do enredo, dos jovens que deveriam ser levados à luta e ao sacrifício. Nem mesmo Jennifer Lawrence, que despontava, depois de um trabalho incrível - no filme terrível - Inverno da alma/Winter s Bone (2010) - que a levou ao Oscar e fez o mundo descobrir essa incrível atriz. 


Incrível mesmo, pois é impossível imaginar Jogos Vorazes sem ela, pois ela confere à um filme de ação enorme grandeza na interpretação heroína recalcitante Katniss Everdeenda, o Tordo. Eu que pensei que iam ser quatro filmes de pura pancadaria e a cafonalha do simulacro televisivo num futuro quase apocalíptico, me surpreendi com a trama bem urdida. Se a fantasia pop destoa da plebe miserável submetida a um tirano, o elenco estelar com excelentes atuações vai tirando o ranço do filme de ação medíocre e oco, para inserir complexidade ao universo político social que retrata e como tudo ecoa numa estranha trama de amor, que lhe serve de gancho.


Poderia falar do estranho triangulo amoroso Katniss, o insosso e frágil Peeta mellark e o viril Gale Hawthorne, para os quais os sentimentos da moça são absoluto mistério. Mas não é sobre nada disso Jogos Vorazes, a discussão que se estende, filme a filme é sobre o poder da imagem, do marketing, da mídia no jogo político, na alienação e manipulação das massas. Katniss sobreviverá se tiver carisma frente ao público, se obtiver patrocinadores e a eles for atraente, se seduzir a audiência, se convencer o tirano; posteriormente, se se permitir ser o Tordo, imagem-ícone da revolução, um mito a ser louvado e seguido.


Todo o tempo, a questão que se estabelece no filme é sobre a necessárias construção da imagem, da vestimenta, da postura, da voz, do cenário, da "narrativa" construída (seu romance/casamento com Peeta) para seduzir o público. Também como propaganda política, com seus discursos para mobilizar rebeldes e convencer os vacilantes a se entregarem e aderir à causa da libertação dos 13 distritos contra a capital. Então a alta estetização do filme é pertinente e amarra com perfeição a oposição entre a frágil/rustica Katniss e o glamour ostensivo da capital, assim como toda pirotecnia dada ao filme. A mídia/tevê constrói mundos e mitos para entorpecer/alienar os oprimidos de sua vida medíocre, para sustentação de uma elite fútil. Talvez por isso, o desfecho pareça tão insatisfatório, naquele Éden brega em que natureza, família e maternidade se encerrem como ideal pós-revolucionário, como se a vida real, no final fosse um comercial de resort ou de condomínio fechado circundado pela Mata Atlântica. Ainda assim, por tantas viradas e surpresas que apresenta, uma excelente quatrilogia. 



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