segunda-feira, maio 30, 2016

Últimas conversas e Entre os muros com Gabriel

Na sexta, Gabriel baixou aqui e assistimos juntos ao documentário:

Últimas Conversas, do Eduardo Coutinho.


 Adolescentes diante da câmera de Coutinho falando dos afetos e entendimento do mundo. A família sempre como centro, Deus, o amor, as difíceis relações com o outro, discriminação, sonhos e aspirações. O final, em chave ascendente, com Coutinho entrevistando uma garotinha de 6 anos (que era seu projeto inicial, abortado, já que não conseguiu autorização dos pais). Ao reassisti-lo entendo-o realmente como um filme menor, mas gosto do fato de sabermos tanto do diretor neste seu derradeiro filme. Adolescência dói.



Entre os muros, de Laurent Cantet (Palma de ouro de 2008)


Um filme inteiro que se passa em sala de aula. A relação tensa entre o professor de redação/Francês de uma turma multicultural. Muita tensão, muita agressividade, desentendimentos. Um painel interessante no meio universo de uma escola da periferia parisiense, a relação entre os professores e demais profissionais da escola, conselho, pais de alunos. Um comprometimento e uma seriedade incrível com a questão da educação e da ética professor/aluno, uma realidade impensável para o que acontece nas escolas brasileiras. Mas a intolerância, a agressividade, o bullying e a incomunicabilidade seguem as mesmas. Para mim, a melhor cena está ainda no desfecho, quando uma aluna silenciosa se aproxima da mesa do professor e diz que não "aprendeu nada", "nada compreendeu" de tudo que foi ensinado o ano todo. E nos seus olhos o medo e o desespero de não ter um futuro que não seja em profissões desprestigiadas. Forte.


[Mais engraçado é reassisti-los com Gabriel, no auge de sua adolescência angustiada.]

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