segunda-feira, maio 30, 2016

Domingo e antes

Os dias parecem se repetir intermitentemente sem que eu consiga me livrar do looping. Sento para fazer o trabalho e acabo procrastinando, insatisfeito até a alma com a forma e o texto. Hoje, dia de feira, não fui ver a mãe nem os sobrinhos, mas comprei brócolis. Comprei aspargos, comprei shimeji, comprei shitaki. Sim, de repente o novo hobby é cozinhar. Fiz no forno legumes com azeite. Fiz cogumelos na manteiga. E fiz também um pão, na máquina que o vizinho me emprestou. Mais um quilo de pão quente que comi com manteiga. Arroz e vários grãos que comprei na zona cerealista. De sobremesa: caquis deliciosos, mexirica cheirosa. Tudo para queimar correndo na esteira amanhã cedo. Passei o dia lavando roupa, cuidando do Big, fazendo anotações de trabalho, lendo mensagens políticas no facebook. Hoje, uma boa conversa longa com Gustavo que segue em Madri. Abraços para Lucas, na Áustria. E para Dom, na Patagônia. Descobri que perdi o tesão de viajar. Caseiro até a alma. Boas aulas no dia anterior. E o looping dos dias. Alguma preocupação com 2017, em termos financeiros e de profissão. Sexta fui ver Guino, Duda e Renan na Roosevelt, naquele pilequinho noturno bom que praticamos. Agora 3 da manhã em ponto. Amanha, trabalho.

Últimas conversas e Entre os muros com Gabriel

Na sexta, Gabriel baixou aqui e assistimos juntos ao documentário:

Últimas Conversas, do Eduardo Coutinho.


 Adolescentes diante da câmera de Coutinho falando dos afetos e entendimento do mundo. A família sempre como centro, Deus, o amor, as difíceis relações com o outro, discriminação, sonhos e aspirações. O final, em chave ascendente, com Coutinho entrevistando uma garotinha de 6 anos (que era seu projeto inicial, abortado, já que não conseguiu autorização dos pais). Ao reassisti-lo entendo-o realmente como um filme menor, mas gosto do fato de sabermos tanto do diretor neste seu derradeiro filme. Adolescência dói.



Entre os muros, de Laurent Cantet (Palma de ouro de 2008)


Um filme inteiro que se passa em sala de aula. A relação tensa entre o professor de redação/Francês de uma turma multicultural. Muita tensão, muita agressividade, desentendimentos. Um painel interessante no meio universo de uma escola da periferia parisiense, a relação entre os professores e demais profissionais da escola, conselho, pais de alunos. Um comprometimento e uma seriedade incrível com a questão da educação e da ética professor/aluno, uma realidade impensável para o que acontece nas escolas brasileiras. Mas a intolerância, a agressividade, o bullying e a incomunicabilidade seguem as mesmas. Para mim, a melhor cena está ainda no desfecho, quando uma aluna silenciosa se aproxima da mesa do professor e diz que não "aprendeu nada", "nada compreendeu" de tudo que foi ensinado o ano todo. E nos seus olhos o medo e o desespero de não ter um futuro que não seja em profissões desprestigiadas. Forte.


[Mais engraçado é reassisti-los com Gabriel, no auge de sua adolescência angustiada.]

Cine Joia, show Ney Matogrosso


Minha irmã me ligou e pediu para eu comprar os ingressos no Cine Joia para uma festa com show luxuoso de Ney Matogrosso. Sábado à noite, na liberdade. Foi uma delícia.

Onça e camuflagem


Uma das fotos mais lidas que já vi nesta vida, clique magistral de Araquem Alcântara.

O testamento de Maria, na Aliança Francesa


Adaptado e dirigido por Ron Daniels, O Testamento de Maria inicia temporada no teatro da Aliança Francesa. Denise Weinberg vive a mãe de Jesus e mostra a figura humana complexa da personagem. O espetáculo fica em cartaz até 12 de junho, de quinta à domingo, com ingressos à R$ 50.
“As palavras de Maria, na minha peça, nascem do silêncio. Eu queria criar a ilusão de que eram palavras que nunca foram ditas e que jamais serão ditas de novo", comenta Colm Tóibín, autor da peça. Produzido originalmente na Broadway, o espetáculo procura dar voz a essa mulher pobre e perseguida, angustiada pela crucificação de seu filho.  Mas a obra ultrapassa a figura católica de Maria e mostra suas complexidades e fraquezas como ser humano.
No palco, Denise traz toda a força da mulher que, além de viver as dores pela perda do filho, sofreu com a crueldade dos romanos e dos anciãos judaicos. Com uma extensa carreira no cinema brasileiro, a atriz carioca é uma das fundadoras do Grupo Tapa e já trabalhou com importantes diretores de teatro. Em 2015, foi indicada ao Prêmio APCA de Melhor Direção por Máquina Tchékhov.
Ron Daniels, um dos sócios fundadores do Teatro Oficina, foi diretor associado honorário da Royal Shakespeare Company, na Inglaterra. Hoje mora nos EUA e trabalha como diretor de cinema, ópera e teatro. Seu último trabalho foi Hamlet, com Thiago Lacerda.
Aliança Francesa - Rua General Jardim, 182 - Vila Buarque, São Paulo
(11) 3017-5699 ramal 5602 
 
DOIDO PARA ASSISTIR.

Turma de Sábado, na Paulista


Gosto da forma alegre e generosa com que eles me recebem aos sábados.


Eu e meu duplo


Blanche, do Antunes Filho


Como tudo que o Antunes dirige, louco para ver.

Série 11.22.63, de Stephen King


James Franco, Stephen King e J.J.Abrams se uniram para filmar esta série de uma única temporada sobre viagem no tempo. Nela, um escritor entra num armário e sai nos anos 60 onde deve evitar o assassinato de JFK. Muitas bem filmado, com boas peripécias e alguma encheção de linguiça, mas no cômputo geral dá uma boa série com alguns excessos meio estranhos. A facilidade com que o jovem escritor mata não me parece convincente e o desfecho, em chave melancólica, não permite a alegria de uma série, que no fundo, tem que entreter/divertir. Mas vale. 




quinta-feira, maio 26, 2016

Bacchiana n. 5 de Vila Lobos, por Egberto Gismonti

Festen e o Brasil



Os noticiários brasileiros estão parecendo tirados do filme FESTA EM FAMÍLIA, de Thomas Vinterberg. No filme a família toda sentada na mesa para comemorar o aniversário do papai, ouve o discurso do filho mais velho, que descreve como o pai o estuprava, assim como as irmãs quando era criança. Todo mundo se choca, levanta, depois volta à mesa e seguem com a festa como se nada tivesse acontecido. Tal qual as denúncias no noticiário: vem o choque, na sequência desculpas esfarrapadas dos envolvidos negando o que é audível, a Globo desconversa e, em dois minutos, mostra os patinhos que nasceram no zoológico. No dia seguinte, tudo reinicia, com revelações ainda piores. É o império da HIPOCRISIA.

Nota política.

De repente, na página do pessoal que publicava diariamente o Fora Dilma! simplesmente desapareceu todos os comentários sobre política. É que agora vivemos um novo Brasil sem corrupção, pôneis e unicórnios passeando em nossos jardins???? Ou por que começaram a perceber que os primeiros enrabados serão eles próprios e não o salvador Aécio?



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As sete coisas que Deus abomina


Da Bíblia.

Reversão de papéis


Das formas poéticas


Quando você nasce em um mundo onde você não se encaixa, é por que você nasceu para ajudar a criar um mundo novo. 

O genial poder de síntese dos chargistas


Globo e a manipulação da notícia


O que está escrito e o que significa.

Análise do discurso: as manipulações da notícia pela Globo


O genial poder de síntese dos cartunistas



A questão do racismo na repressão policial.

Luto pelos que não são de luta.




LUTO
PELOS QUE NÃO SÃO DE LUTA. 


[a ambiguidade em tempos de duplo sentido]





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Shakespeare Revelado, da BCC


Esta maravilha está passando na TVCultura. Não pensei duas vezes, fucei no facebook e encontrei os seis episódios legendados. Fantástico. 

segunda-feira, maio 23, 2016

Sabotagem - documentário

A manipulação da imagem e o humor no Photoshop





Intervenções no discurso do jornal


Forma de usar a palavra certa que o discurso jornalistico deturpa para enganar a população.

O humor inteligente dos chargistas


A charge dos camaleões. Poker não é um jogo popular entre os camaleões...

Um momento da História. Primeiro dia do Golpe de Estado.

12.05.2016.


A grande expiação, por Vladimir Safatle


A grande expiação, por Vladimir Safatle

25
Na Folha
“Sete citados na Operação Lava Jato viram ministro e ganham foro privilegiado”, “Novo ministro dos Transportes é suspeito de desvio de verba de merenda escolar”, “Itamaraty fornece passaporte diplomático a pastor citado na Lava Jato”, “Brasil tem pela primeira vez presidente acusado de ser ficha suja”, “Gilmar Mendes [quem mais?] reenvia processo contra Aécio Neves à Procuradoria-Geral da República em menos de 24 horas”, “Novo líder do governo na Câmara é acusado de homicídio”.
Digamos que todo o processo de “impeachment” de Dilma Rousseff tivesse sido, de fato, impulsionado pela indignação popular contra a corrupção sistêmica no governo.
Se este fosse realmente o caso, teríamos, neste exato momento, um barulho ensurdecedor de panelas, milhares de pessoas iradas vestindo verde e amarelo nas ruas e a imprensa em coro pedindo a destituição do presidente interino e seu governo postiço de corruptos. Uma semana bastou para mostrar ao mundo o grau zero de comprometimento contra a corrupção da oligarquia que tomou de assalto o poder.
Mas não, meus amigos, vocês não estão ouvindo panelas, nem vendo seu vizinho urrar impropérios contra o governo, nem o senhor Sérgio Moro continua no noticiário com sua pretensa caça implacável e destemida contra usurpadores do bem comum.
Não há nada no horizonte das famílias que tiravam selfies com a Polícia Militar que indique um desejo incontido de gritar “agora, é fora Temer”. Na verdade, agora é “ordem e progresso”, ou se quiserem uma versão mais honesta do lema positivista, agora é “repressão e espoliação direta”, com direito a ministros falando sobre o fim da universalidade do SUS, cortes na construção de 11 mil casas populares e preparação da população para mais uma reforma previdenciária com limitação de direitos trabalhistas. Em outras palavras, a violência de sempre.
Mas se, de fato, toda esta história sobre indignação contra a corrupção era uma farsa tosca, o que realmente aconteceu? Digamos que o Brasil viveu nestes últimos meses uma grande expiação, uma espécie de Carnaval macabro de liberação da frustração social que tinha como única finalidade tirar dessa liberação sua potência de transformação real e transformá-la em uma ação espetacular e improdutiva. Como em uma terapia catártica, a frustração social foi expiada por meio da imolação de uma presidenta. E assim tudo pode depois voltar ao normal.
Era claro que o Brasil entrara, desde 2013, em um compasso insuportável de frustração. Haviam prometido ao povo brasileiro que nosso país seria a quinta economia do mundo, que a Copa do Mundo e as Olimpíadas seriam momentos mágicos de aquecimento da economia e reconstituição da infraestrutura de nossas cidades, que estaríamos nadando em dinheiro do pré-sal com 75% destes rendimentos aplicados em educação.
No entanto, o que se viu foram cidades cada vez mais excludentes com preços exorbitantes de imóveis, serviços públicos sucateados, desenvolvimento concentrado e aumento exponencial do endividamento das famílias. Contra isso, o governo Dilma só ofereceu imobilismo e o discurso de que “o Brasil tinha avançado muito, mas precisa avançar mais”.
Ninguém precisa ser PhD em psicologia social para perceber a situação explosiva em que nos encontrávamos. Duas saídas eram possíveis.
A primeira era a consolidação de uma dinâmica de transformações sociais radicais por meio da abertura de espaço à emergência de novos sujeitos políticos com clara força de atualização de visões alternativas de desenvolvimento social. Mas isto não ocorreu, a classe política brasileira estava completamente envelhecida para abrir tal espaço, até mesmo as forças oposicionistas eram incapazes de mobilizar alguém em prol de um projeto. Elas só conseguiam mobilizar as pessoas contra algo.
Sobrou então a segunda alternativa, a saber, a simples tradução deste desencantamento generalizado em frustração social bruta, com direito a rituais de expiação e espetáculos de liberação de falas “politicamente incorretas” contra inimigos imaginários. Falas que repetem o mero prazer infantil de enunciar palavras proibidas marchando ao lado de patos gigantes e bonecos infláveis que pareciam saídos de desenhos animados. A temática da corrupção foi apenas a senha para começar esse Carnaval impotente. Seu destino era terminar ali.
Expiada a frustração, sacrificados os inimigos, todos podiam então voltar para casa e se submeter aos mesmos políticos corruptos de sempre, enquanto eles espoliam ainda mais nossos direitos. Assim, a era das panelas em fúria terminou. Agora, a verdadeira era da indignação pode começar.

FONTE

Cinema novo, de Eryk Rocha


Mais um filme que estou louco para assistir, no caso, um documentário do Eryk Rocha sobre o Cinema Novo, e consequentemente, sobre o pai Glauber Rocha. 

A cara que tenho

Parei dia desses na padaria Portugal, em Santo André, e fiz esse clipe. Estou feliz com a cara que cheguei ao quarenta e tantos.


Deuses do egito


Uma bobagem pirotécnica, toda em fundo azul, cheia de lutas espetaculares, mirabolantes e tediosas. Discurso pomposo e vazio. Esvaziamento absoluto do mito, numa condução hollywoodiana de história em quadrinho para adolescentes de baixo QI e déficit de atenção. Nada se salva neste longo e acéptico videoclipe em que os deuses do Egito-afro são gauleses. Chato até não caber mais. 

Um quadrinho sobre resistência


O cinzento poder opressor da bota militar, ante a flor frágil e vermelha. O que pareceria delicadeza, por que feminina e esmagamento inevitável ante a força, surpreende no segundo quadro, pelo nonsense, pois a flor fura a bota opressora, simbolizando a resistência do feminino e dos ideais de liberdade. Belíssimo. 

Vestimenta de homens e mulheres em pauta


Brasil e seu Golpe.


Com a mãe e Elaine no HC


Há poucos dias, na quinta passada - 19/05/2016 - fomos eu e Elaine levar a mãe no Hospital das Clínicas, para exame no Neurologista. Na saída fomos almoçar no Fly, e fiz essa foto. Tinha saído da clínica com péssimo humor, e voltou muito bem, apesar dos perrengues que levamos para conseguir chegar até o médico. Mas foi um dia lindo. 

As questões política no país, através de charges e quadrinhos

Com a extinção do MINISTÉRIO DA CULTURA e a resistência - com ocupação de prédios por manifestantes, muitos artistas foram chamados de vagabundos, de parasitas da Lei Rouanet. 



Uma famosa cantora evangélica ficou indignada diante de um anúncio da C&A que propunha que homens e mulheres trocassem de roupas uns com os outros, numa maior ousadia unissex. 


O Governo ILEGÍTIMO de Michel Temor propondo redução/extinção de programas,políticas, secretaria e ministérios, em poucas semanas pós-Golpe do Impeachment. 


Finalmente, o presidente afastado da câmara dos deputados Eduardo Cunha, 
depõe sobre suas contas na Suiça no Conselho de Ética. 


Sobre a cegueira ideologia dos "bate-panelas" que exigiram o impeachment da presidente, mas se mostram cegos/indiferentes às arbitrariedades antidemocráticas do governo ilegítimo de Michel Temer. 


A frase de um deputado (Tchau, querida!) para presidente Dilma no dia da votação recontextualizada. O tchau para a ser à urna, portanto ao voto e à democracia.


Virada Cultural - 2016 - dias 21, 22 e 23 de maio

Desanimado no começo, chamei Gabriel para vir sábado aqui para casa, para gente irmos à Virada Cultural de São Paulo - 2016.


Nem tinha visto a programação. Marcela viria de Minas, mas desistiu. E eu não me animei a chamar ninguém, a não ser Guino, que anda bem sumido. E foi ótimo.



Começou por Elis, a musical, exibido no Vale do Anhangabaú.




Guino preparou caipiroskas de vodka com kiwi e tangerina. Depois zanzamos a noite por diversos palcos, de música regional no Paissandu à forro no Arouche. Bebemos para caramba, chegamos estropiados. Mas no dia seguinte, saímos as 13h para ver vários palcos, sentir um pouco mais a cidade e fotografar. Terminamos almoçando aquele frango gostoso no Bar do Estadão. A chuva prometida para os dias da Virada, só chegou no último dia, depois do Show do Crioulo, na Júlio Prestes. Não me animei a ver Maria Rita. E ficamos vendo filme em casa, já na companhia do Renan, primo do Guino. E vimos Deuses do Egito. Jantamos aqui, omelete, salada, arroaz 7 grãos, suco de limão e foi bacana.



Diário de uma camareira, de Benoit Jacquot



Diário de uma camareira, Benoit Jacquot. Demorei a assistir, mas vi no Netflix. Adoro filme de época, ainda mais de adaptações literárias sofisticadas. Este filme francês é uma maravilha, dá a dimensão do lugar os pobres na história do século XX, as dificuldades vividas pelas mulheres. O filme tem essa atriz sensacional - Léa Sydoux - a mesma de O azul é a cor mais quente, e aquele ator que amor Vincent Lindon, no papel do capataz/jardineiro/faz tudo que elabora um plano para roubar a família com a qual viveu há décadas. Uma beleza de filme. 



10 cloverfield lane



Baixei, assistia aqui com Gabriel. Um filme sobre paranoia americana, confinamento, invasão alienígena, inimigo dentro e fora. Vários temas presentes no cinema atual. 

Moça sofre acidente de carro e acorda algemada numa cama, com soro e curativo na perna. Primeiro tenta enfrentar seu sequestrador, até este revelar que houve uma invasão de russos ou alienígenas, com lançamento de gás. O bunker é um espaço de salvação. Junto a ela está outro rapaz, que foi para o bunker (que ajudou a construir) por vontade própria. Desconfiada do discurso do sequestrador, consegue pegar a chave e vê, por uma janela, uma mulher desesperada e doente batendo a cabeça e implorando para entrar. Depois de semanas confinada, o sistema de refrigeração apresenta problemas, e ela descobre que seu capturador/salvador não é tão inocente, que havia, antes do ocorrido, sequestrado e mantido no cativeiro uma menina. Aliada ao rapaz confinado, começam a elaborar um plano de fuga, que inclui,montar um equipamento contra os gases tóxicos do exterior. 

Fraco, mas interessante.