sexta-feira, abril 29, 2016

Uma postagem, hoje, 29.4.2016 - antes do Golpe.

AOS POBRES DE DIREITA E PRÓ-IMPEACHMENT

Pensando no sentido do que julgam MERITOCRACIA. E ela só existe onde há oportunidades, ainda que mínimas, espero que o corte generalizado que pretendem implantar na Educação, com reduções também nos programas sociais e aumentos de impostos, não sucumbam com as oportunidades que as novas gerações tiveram durante o governo de esquerda sem que tivessem consciência de tais mudanças/benefícios.

Muitos atribuem o crescimento que tiveram (a mudança qualitativa da vida) ao mérito/empenho próprio, a Jesus/Universal (pensemos na ascensão dos evangelismos nas últimas décadas), quando não a mudanças "naturais" (como se elas existissem).

O eu-centro-do mundo/Deus-centro-do mundo cega o sujeito, como se estivesse à parte das mudanças politico-econômicas, uma espécie de alienação em que o sujeito não se vê como sofrendo os efeitos da ordem do mundo e de seu país, sem entender que seu "crescimento" só se fez possível (ainda mais num país historicamente desigual como o Brasil), por oportunidades abertas na politica do Estado. Em sua "cabeça", tudo vira o "poder do EU" ou de DEUS. Outro fator interessante é o apagamento da memória. O sujeito acredita que sua ascensão profissional e econômica o conduziu a outra classe, e passa a defender o discurso daqueles que sempre excluíram as classes mais pobres, daqueles que lutaram contra existência de universidades federais e públicas, Prouni, crédito educativo, bolsas, cotas, financiamentos, subsídios, isenções, bolsa família etc.

Aqueles que fizeram uso e puderam "crescer", tornam-se, paradoxalmente, críticos e hoje exigem menos-Estado. Tudo por que os que acreditam na SUA Meritocracia têm dificuldade de pensar na coletividade, ignorando/ou fingindo ignorar que existe um espaço social onde muitos atuaram politicamente para lhes propiciar oportunidades. O sujeito segue pensando no plano do eu. Egóicamente, se vê como centro absoluto da mudança e incapaz de entender que as garantias reais se produziram no escopo politico-social. E quando se acha em ameaça de retorno/retrocesso, passa a defender ideias contrárias às que o levaram onde está; ideias de uma classe/grupo politico que sempre o desprezou. Talvez nisto resida o enorme e continuo retrocesso da sociedade brasileira, quando há o apagamento da memória e "ex-pobres" passam a votar nos grupos mais reacionários, conservadores e predatórios da sociedade brasileira.

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