quinta-feira, abril 28, 2016

Sobre Gabriel e os meninos

Eu e Gabriel Santos, dos 9 aos 16. Conversas longas, divertidas, sérias, e monossílabos de celular. Ligo para ele e pergunto das novidades. Nunca há novidades. Nada acontece em sua vida: escola, livros, cursos, séries, filmes, canções, família. A inolvidável realidade. E em cada encontro, para além da barba e do cabelo enorme, ele sempre me surge outro com boas novas, infinitas pesquisas, inquietações, ar blasé e tédio. Mas tédio é o que menos sucede quando nos encontramos.


[Nenhum romance fica; amigos vão para o limbo; alunos, colegas de trabalho, tudo se perde no tempo. Não fiz filhos ou livros, árvores brotaram na minha mão. Só tenho esses sobrinhos postiços, para tornar possível algum legado. Eles preenchem os dias vazios, dando sentido ao sem sentido. Quando estou triste, me instigam, me sacodem o pó com o novo, nunca se espantam com meus gostos enraizados, muito atentos e interessados em tudo, mas nunca submissos ou cordatos demais ].



Gabriel e os sobrinhos fazem eu acreditar que tudo se fará melhor. Acenam bonito e inteligentemente para um futuro que parecem não temer. Para os de fora, a ilusão de que eu os estou guiando, quando o que faço é documentar a passagem, as descobertas, os encontros com a Arte, feito testemunha. Gosto mesmo é de pegar carona no rumo deles, não para protegê-los, mas para não ficar para trás. Hoje eles são meus melhores interlocutores. No mais, minha maior ambição: fazer as fotos mais bonitas e, intruso, marcar presença em suas vidas. E sinto um pouco que cresço, no amor que tenho por eles.





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