quarta-feira, abril 06, 2016

Manifestações em São Paulo pela Democracia e contra o Impeachment



Nunca vi tanto preto, mulher, viado, sapatão, traveca, hippies, toscos, hipsters, - pai, mãe, vó e avô, meu fio. Nunca tanto peão, aleijado, mãe solteira, sem terra, sem teto, nordestinos, gordos, esquálidos. Nunca, manos, estes rastas, estes perifas; velhos e velhas sem botóx. Jamais, tantos moleques, esqueitistas, esquerdistas, comunas, ciclistas, ex-curumins. Torcedores organizados com ou sem camisa Guevara, Ramones. Legião. Nunca, tantas feministas engajadas e ariscas feito pomba-giras. Nunca tantos tattoos e funkeiros, e macumbeiros, e batuqueiros, e maconheiros, e rappers, catimbozeiros capoeiras e nagôs. Nunca tantos veganos, ateus, vadios, insanos, sadios ou arredios. Bêbados, maluco. Toda essa gente que, bem, a sociedade aborta sem culpa ou pecado como danosos  à gente diferenciada, se não domesticados em uniformes brancos.

Vi os outros, os invisíveis, os que a casa-grande quer varrer para debaixo do tapete ou, engatilhados pela pm, na vala comum.

Vi o povo de hoje não representado pela gente de bem. Vi bem, muito bem! Preto no branco, tintim por tintim, retintos, a cara pálida na noite parda, alvos não captáveis pelas antenas de tv. 

Tão imperfeitos, diversos e variados.

E me senti representado.



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