quarta-feira, abril 06, 2016

Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho


Revi restaurado, como se o visse pela primeira vez. O impacto ainda maior, com os extras, mostrando o destino da família de Elisabete Teixeira. O latifúndio, a luta pelos direitos, o coronelismo, a perseguição, a repressão da Ditadura Militar, a censura, o destroçar de uma luta, a história da construção de um filme político ficcional, a desconstrução deste filme num documentário, a destruição de uma família, o resgate das lutas camponesas, a passagem do tempo agindo sobre os homens, a complexidade dos afetos familiares, a coragem e a ternura pendendo sobre tudo. Nunca houve um documentário como Cabra marcado para morrer, sua contundência como temática, sua sagacidade como forma fingida do fácil. Coutinho, o maior. Um filme sobre resistir e rever, para entender e mudar, os aspectos mais nefastos da sociedade brasileira. Nunca tão necessário, quanto hoje, quando um golpe - não apenas contra uma presidente de esquerda ou contra democracia - um golpe contra os mais pobres, contra possibilidade de justiça social num país. Estejamos atentos.



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