quarta-feira, março 02, 2016

Spotlight, segredos revelados


Ganhou o Oscar 2016 de melhor filme. Ele simboliza a qualidade da máquina de filmar hollywoodiana, tudo azeitadinho, com atores competentes, narrativa ágil, bem conduzida, clara, clássica, sem nada pendente ou fora do lugar. But... nenhuma grande cena cinematográfica, nada que o diferencie aos clássicos filmes de investigação de casos reais em que a importância do tema/conteúdo se sobrepõe à forma, que recebe a nota Zero em inventividade. Filme sério, contundente, revelando os meandros e negociatas escusas da Igreja católica para encobrir casos de pedofilia na América e no mundo. Os jornalistas visto como heróis que abdicam a vida pessoal por uma causa. Os advogados corruptos como sempre. A cobrança de posicionamento ético dos sujeitos. A praticidade com que questões de religião costurando o melodrama das vítimas. A racionalização da complexidade do mundo discorrendo numa nitidez e lucidez que chega a ofuscar. Podia ser filmado em p&b, sem meio tons. O mundo em preto no branco, o cinema como missão também de denúncia e depuração da realidade. A Arte exige mais que isso. A Arte não admite tanta linearidade e clareza. 

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