quinta-feira, março 10, 2016

Considerações sobre FERRÉZ

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À revelia de intenções, por mais livre que se pretenda o sujeito, sua escrita, presa que está num espaço-tempo que o/a abarca, termina por traduzir determinada experiência de mundo. A eleição dos temas, a forma, o tratamento, a configuração de um estilo, de uma estética (posteriormente seguida por outros, como uma Escola) corresponderiam a uma síntese, obtida através desta visão particular de mundo contida num processo histórico-social dinâmico, móvel e fluido que a abarca e determina.

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A Literatura Periférica (ou Marginal) da qual Ferréz se faz precursor e principal representante, desponta e ganha potência com a ascensão da classe média, mas já despontantava nos últimos anos do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. É um período de crescimento econômico e de medidas que vão ter como foco determinadas políticas públicas que traz de modo distinto as classes mais baixas aos holofotes da mídia, do mercado, da cultura de massas, como tema e questão no plano da violência, dos direitos, das cotas, do bolsa família, da escola para todas, das ongs, dos editais de inserção, do surgimento do funk, do axé music, das questões de violência, do movimento hip hop.

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Entranhada na ascensão do RAP paulistano, nas figuras ponta-de-lança de  Mano Brown (Pedro Paulo Soares Pereira), Ice Blue (Paulo Eduardo Salvador), Edy Rock (Edivaldo Pereira Alves) e KL Jay (Kleber Geraldo Lelis Simões), integrantes do Racionais MCs e do movimento rip hop, durante ainda toda uma política neoliberal do governo de Fernando Henrique Cardoso. Ferréz, vivendo ainda numa profusão de sub empregos, produz um livro de poemas concretos.

 
Há algo de insolente na indignação das narrativas brutalmente explícitas de Ferrez. Falta-lhe a sutileza da literatura apartada na vida, estilizada e distante do falar das ruas, do tempo presente


Racionais MC's é um grupo brasileiro de rap, fundado em 1988, e formado pelos mcs Mano Brown, Edi Rock e Ice Blue e o dj KL Jay.[1] É considerado por muitos como o grupo de hip hop mais relevante e influente do Brasil.[2] [3] [4] [5] [6]

Suas canções demonstram a preocupação em denunciar como a destruição da vida de jovens negros e pobres da periferia de São Paulo é resultado do racismo e do preconceito, ao sustentarem a miséria diretamente ligada com a violência e o crime.[7] [8] [9] Temas como a brutalidade da polícia, do crime organizado e do estado, bem como o preconceito, as drogas e a exclusão social são recorrentes nas letras do conjunto.[10] [11] [12]

Embora inicialmente conhecido apenas na capital paulista, o grupo conseguiu alcançar sucesso significativo a partir dos álbuns Raio X Brasil (1993), Sobrevivendo no Inferno (1997) e Nada como um Dia após o Outro Dia (2002)


Álbuns de estúdio

    1990 - Holocausto Urbano
    1992 - Escolha o seu Caminho
    1993 - Raio X Brasil
    1994 - Racionais MC's
    1997 - Sobrevivendo no Inferno
    2002 - Nada como um Dia após o Outro Dia
    2014 - Cores & Valores

Coletâneas

    1988 - Consciência Black, Vol. I
    1994 - Racionais MC's
    2014 - Coletânea 25 anos

Álbuns ao vivo

    2001 - Ao vivo
    2002 - Nada como um Dia após o Outro Dia
    2006 - 1000 Trutas, 1000 Tretas



a sensibilidade/estilo

À revelia de intensões, por mais livre que se pretenda o sujeito, sua escrita, presa que está num espaço-tempo que o/a abarca, termina por sintetizar uma experiência-mundo. A visão particular de mundo como uma síntese de um processo histórico-social suplanta escapa traduz a um só tempo sua visão particular de mundo a escrita criativa traduz determinada sensibilidade do 

Não se trata de uma negação da natureza demiúrgica de todo criador, antes, a constatação de que a determinada sensibilidade de rasgo original é matéria alimentada de uma experiência pregressa da qual se alimenta  sua capacidade de produzir um objeto artísticosuplanta escapa traduz a um só tempo sua visão particular de mundo a escrita criativa traduz determinada sensibilidade do sensibilidade individual, 

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