sábado, março 05, 2016

A bruxa (The witch), de Robert Eggers






Nova Inglaterra, década de 1630. O casal William e Katherine leva uma vida cristã com suas cinco crianças em uma comunidade extremamente religiosa, até serem expulsos do local por sua fé diferente daquela permitida pelas autoridades. A família passa a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Um dia, o bebê recém-nascido desaparece. Teria sido devorado por um lobo? Sequestrado por uma bruxa? Enquanto buscam respostas à pergunta, cada membro da família seus piores medos e seu lado mais condenável.

A bruxa, de  Robert Eggers. Assisti ontem na Paulista com o Guino. Muita expectativa em torno deste filme depois de ver o trailler. Não me decepcionei. Uma narrativa tensa, paranoica, construída em torno de toda mitologia em torno das bruxas medievais. Inicialmente, parecia amparar-se em A vila, de Shammaylan, mas a condução é a de um filme de arte, muito tenso, seco. O horror se constrói pelos vãos, pelos não ditos, mas está ali, todo o tempo. Nenhum truque dos filmes banais de terror do tempo presente, uma reconstituição histórica impecável da América colonial, com o rigor da fé protestante de dor, pecado, culpa, repressão dos impulsos. A bruxa de fato existe e está na floresta, e ao raptar o bebê para um ritual macabro é o estopim da aniquilação da família. Fantástico. Uma obra prima. 

Por certo, aqueles acostumados com a pirotecnia tola dos sustos bruscos e gatos saltando de armários vao odiar The witch, mais psicológico e cerebral do que a tolice do terror pop e com estratégias esquemáticas reiteradas até a exaustão, e que já não causam surpresa. Tudo em desacordo com o perturbador e nada fácil The witch, que não deve ser assistido como terror, mas como cinema de alta qualidade. 



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