terça-feira, janeiro 19, 2016

The H8ful eight (Os oito odiosos), de Quentin Tarantino


Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.


Todo filme de Tarantino para mim, já é uma forma de alegria. Sei que ele vai, com seu humor, cinismo e inventividade na construção de excelentes cenas e diálogos me mostrar que o cinema é um lugar interessante. Adoro também o modo como ele ressuscita carreiras, e nos mostra como os atores atualmente são tão sub aproveitados pelo cinema. Aqui o foco em Jennifer Jason Leigh e Kurt Russel. Neste faroeste filmado em 70mm (para evocar o faroeste spagghetti, juntamente com a trilha de Ennio Morriconi), longo - 168 minutos - como são todos os filmes de Quentin, há na verdade muitos encontros, uma profusão de diálogos, poucos silêncios, muita blague, e aquelas explosões final típicas de seu cinema, em que a violência explode jocosamente, como uma fantasia divertida e jamais dolorosa. 



Por que Tarantino é um diretor farsesco, nele nenhum compromisso como real, mas com a tradição cinematográfica. Nem o verossímil lhe interessa, aposta na potência e engenhosidade da linguagem cinematográfica, em personagens exóticos e singulares em tramas que são puro nonsense. Mas suas obsessões estão de volta, encontros de personagens que convertem para um espaço confinado (Cães de aluguel) onde os conflitos dão lugar a intensidade verbal, calcada em astros que emprestam referências e trejeitos aos personagens que representam, como o personagem de Kurt Russel acenando para um dos seus sucessos, O enigma do outro mundo, onde pessoas presas no gelo do Ártico, não podem confiar uma nas outras.



Falastrões, excêntricos, desconfiados e vingativos confinados num cenário claustrofóbico, os personagens como que ascendem a um palco, e entre palavrões, porradas e tiradas delirantes, entremeadas por flashbacks reveladores, vão desfilar questionamentos sobre os EUA, o papel do negro na guerra da independência e desbravamento do oeste, e seus patriarcas fundadores (como a carta falsa de Lincohn que o veterano negro traz, a mentira também ajuda Tarantino a questionar a História americana. 



 Engraçada a entrada do "astro" Channing Tatum, que entra para fazer uma ponta para ter a cabeça explodida em seguida. 



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