quarta-feira, janeiro 06, 2016

Poema sobre o viaduto Santa Ifigênia


Santa Ifigênia
Há cidades escondidas e suspensas;
Os ladrilhos do viaduto já gastos pelo tempo,
pelas marcas de tantos passos.
A chuva um tanto ácida.
Não, o mundo não é um vale de lágrimas,
muito embora seja preciso garimpar qualquer felicidade.
Há muito que já não sei andar só pelos caminhos,
por isso tomo tua mão e conduzo essa dança,
enquanto o cigarro queima eternamente.
Há instantes de ternura e medo,
memórias de um tempo incerto.
lembranças do que não fui.
e silêncios que perfuram a alma
como a árvore cujas raízes romperam a calçada e o meio-fio.
(José de Arimatéia)

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