terça-feira, janeiro 05, 2016

Instinto Selvagem (Basic Instinct), Paul Vehroeven


Andei citando este filme em aulas no cursinho, quando tratava do modo como a mulher era retratada no cinema nos anos 90. Instinto Selvagem é de 1992, e eu assisti num cinema e vi a plateia estarrecida com as cenas tórridas de sexo (típicas da época e típicas de toda a produção de Vehroeven) entre Michael Douglas e a "novata" Sheron Stone. Aliás, a cruzada de pernas sem calcinha cataputou ao estrelado esta atriz incrível, que ia se revelar plenamente em Cassino (1995), de Martin Scorsese. Gabriel estava pousando aqui em casa, então sentamos e assistimos. Incrível como o filme sobreviveu, mostrou-se muito melhor com a passagem do tempo e se revelou ainda mais interessante e consistente de quando o assisti com olhar amador. Primeiro o fato de ser uma narrativa policial/noir, com todas as bases/clichês do gênero, a começar pelo investigador-falho (Douglas/Nick, investigador alcóolatra/cocainômano e atirador) que irá se permitir enredar pela femme fatale Sheron/Catherine Tramell. É claramente uma homenagem a Hitchcock, replicando cenas, emulando as cores, vários enquadramentos, os travellings mais longos, o olhar voyeur e o habilidoso uso da música. Para além das referências Hitchcoquianas, o simbolismo da mulher castradora, misto de mulher fera, masculina (por isso é bissexual a protagonista) e dominadora na cama. Catherine é uma escritora, e quando vários assassinatos passam a ser cometidos imitando seus próprios livros a põe como principal suspeita, ainda que lhe sirvam também de álibi. O cigarro em sua mãos é um símbolo fálico, o pênis masculino que ela manipula, consome, destrói; assim como o picador de gelo. Ela é a mulher predadora, que sabe enganar o detector de mentiras; que fala abertamente sobre o uso que faz dos homens e que está sempre ligada, maquiavelicamente, a mulheres assassinas. Manipuladora, sabe jogar/encenar com os clichês da mulher frágil, mas é sádica e manipuladora da primeira à última cena. Sendo escritora, ela domina o mundo, constrói de acordo com sua vontade, determina o destino do detetive que cumpre o roteiro exato que lhe determina logo na cena do carro quando diz que escreve sobre um detetive que se apaixona pela suspeita assassina. Trama cheia de reviravoltas, de trocas e simulações, e com fecho impactante e "inesperado" deveria conferir a este filme o título de obra-prima. Para mim, ele é. 












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