terça-feira, janeiro 19, 2016

Ex machina, de Alex Garland




Um cenário, quatro atores, efeitos digitais, nenhuma pirotecnia, direção econômica e precisa, um grande roteiro cheio de não ditos, com uma tensão crescente sem cambiar a narrativa lenta e bem pontuada do filme. Cheguei ao filme por indicação dos filmes que foram ignorados em 2015. Assisti em casa com Gabriel. Um filme genial, que põe em questão o pós-humano, máquinas capazes de pensar e interagir com o ser humano. a raiz do filme nos conecta com Blade Runner, o momento em que Deckard entrevista a androide Rachel. Mas ele está profundamente focado no presente, na recente evolução da inteligência artificial empregada na Internet e nos celulares em "seres virtuais" como SIRI e Google Now e nos super Gurus da tecnologia, como Steve Jobs. É igualmente reconhecível a ponte entre Ava/Eva e o robo HAL de 2001, uma odisséia no espaço, de Kubrick. 


Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem programador de computadores, ganha um concurso na empresa onde trabalha para passar uma semana na casa de Nathan Bateman (Oscar Isaac), o brilhante e recluso presidente da companhia. Após sua chegada, Caleb percebe que foi o escolhido para participar de um teste com a última criação de Nathan: Ava (Alicia Vikander), uma robô com inteligência artificial. Mas essa criatura se apresenta sofisticada e sedutora de uma forma que ninguém poderia prever, complicando a situação ao ponto que Caleb não sabe mais em quem confiar.


Novamente Ava/Eva vem trazer a desordem no paraíso artificial criado pelo "deus/criador" Nathan e jogar o mundo em desgraça. A ambiguidade, na linha dos escritos de Philip K. Dick, segue fazendo escola neste filme, não entre realidade ou mundo paralelo, mas na identidade dos próprios personagens.  




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