quinta-feira, agosto 20, 2015

Uma redação feita em grupo na Paulista

Da rede às ruas: um Brasil que ama odiar

O mito de um Brasil pacífico, racialmente democrático e desinteressado em política não se sustenta diante da atual explicitação de ódio na rede mundial de computadores.
O Brasil sempre foi um país violento: exterminou índios, escravizou o negro africano, explorou os imigrantes e, com sua desigualdade socioeconômica extrema, segue submetendo os mais pobres a uma vida de carências. A internet ao garantir um aparente anonimato, liberou uma fúria, até então reprimida ou mascarada por um verniz de civilidade jamais exposto em nossa sociedade.
Recentemente, Maju, jornalista da Rede Globo, foi vítima de injúrias raciais no portal on-line da emissora. Embora a xenofobia nunca tenha por alvo os brancos imigrantes (sempre africanos, haitianos e povos latinos de ascendência indígena), o discurso de que somos receptivos e acolhedores permanece. A intolerância à diferença étnica se manifesta, contudo, na "predileção" policial em abordar negros e mulatos, já que estes normalmente pertencem às camadas mais pobres, marginalizadas e periféricas do país e, portanto, mais vulneráveis à repressão do Estado.
A Ditadura Militar instaurada no Brasil entre 1964 e 18985 reprimiu a reflexão crítica sobre política de toda uma geração. Há resquícios deste processo de alienação nos que pedem intervenção das Forças Armadas, destituição de representantes eleitos, separação de estados e nos que acreditam que vivemos atualmente em uma "ditadura comunista". Se as redes sociais permitem propagar ideias (e ideologias!), também favorece ao radicalismo de grupos extremistas, conservadores ou meramente ignorantes.

O ódio explicitado na "web" revela um outro Brasil, mais conflituoso, dividido entre interesses de classes e altamente intolerante. A mídia, como elemento doutrinador das massas e a serviço de banqueiros, empresariados, latifundiários, precisa urgentemente de regulamentação. Acreditamos, portanto, que um país mais igualitário, justo e menos vulnerável à manipulação política só será possível com cidadãos mais críticos e bem informados. Para isso, investir num ensino público de qualidade é o que fará de fato, do país, uma pátria educadora, com menos ódio na rede, e na vida.

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