segunda-feira, agosto 31, 2015

Que horas ela volta?, de Ana Muylaert


Assisti no Itaú, numa plateia de madames que provavelmente viam, pela primeira vez, através do cinema, o quarto de suas empregadas. Conheço bem aquelas personagens, empregada agregada, filha e patrãozinho adolescente. Com sutileza, as relações de submissão e falsa integração/condescendência à brasileira é pontuada no filme, ainda mais quando a filha da empregada chega do nordeste para se hospedar no quartinho destinado à mãe por que veio prestar vestibular para Arquitetura. Acho que nenhum filme diagnostica de forma tão precisa o Brasil atual onde tudo está certinho, desde que pobres não queiram galgar um espaço ao qual não estão destinados. Cazé está maravilhosa, mas quem não está neste filme? A patroa, Lourenço Mutarelli, a filha nordestina, o patrãozinho filho-postiço. Emocionante e nada banal. Para pensar o Brasil. 

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