sexta-feira, agosto 14, 2015

O capote, no CCBB


Adaptação do conto de Nikolai Gógol para o teatro. Exibida no Centro Cultural Banco do Brasil. A direção é de Yara de Novaes, com Rodolfo Vaz, Marcelo Villas Boas, Rodrigo Fregnan [Talvez "filhote" do Grupo 3 de Teatro]. Reassisti, agora na companhia de Gabriel e Cecile. Linda encenação que atualiza com inteligência o texto clássico do gênio russo. Fragmentam o narrador, colocando dois colegas de escritório como a voz autoritária que sufoca a mediocridade e o conformismo do copista Akaki. A trilha é executada em cena pela musicista Sarah Assis, com teclado pontuando ações e soando dissonante, ampliando a estranheza. Imagens entre surreais e expressionistas são projetadas no cenário, composto de elementos desconexos, fragmentados. De uma escada para canto algum, mas tudo pontuando e dinamizando as cenas, numa fantasmagoria bastante pertinente ao destino do "defunto narrador", que se emancipa até o final em que rompe sua passividade, para "vingar-se" da injustiça ao qual sempre esteve submetido. Kafka, Brecht, expressionismo, grandezas entremeadas com humor, fazendo caber até uma paródia de "Ouro de tolo", de Raul Seixas. Inventivo e sem medo de questionar não só a questão da burocracia e da síndrome do pequeno poder, mas a condição dos oprimidos e miseráveis que vagam pelas grandes cidades. 



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