sábado, agosto 15, 2015

Mad Max, fury road - 2015


Mad Max - Estrada da fúria é uma obra prima do filme de ação. Deixou ano luz aquele Mad Max do meu Gibson. É um filme histérico, frenético, inventivo. Georde Miller compõe um universo terrível, quase surreal, exaltação de todos os excessos possível, chupando as bigas de Spartacus clássico, os filmes de John Ford sobre diligências, a desordem de um mundo sem Deus, que parece emprestado do Satyricon, do Fellini. E ainda assim, é profundamente pop, sem compromisso com a verossimilhança, Ao mesmo tempo constrói toda uma mitologia deste universo, que possivelmente será explorado até não sobrar nada. Tom Hardy e Charlize Theron, a beleza e do talento destes dois astros só abrilhantam o filme, que tem uma deliciosa levada feminista. O problema é seu desfecho, que está ali para permitir a satisfação de uma plateia tola que não se permite frustrar. Mas não precisa ser muito inteligente para entender que o filme acaba na chegada à terra prometida, e a constatação de que ela não mais existe. É um imenso deserto com meia dúzia de mulheres inférteis. O resto, até as cenas mais espetaculares que se seguem depois, parece um apêndice desnecessário a um filme e a um diretor que acaba de fazer um filme ontológico. 


Nenhum comentário: