segunda-feira, agosto 31, 2015

Brincando com a imagem


Que horas ela volta?, de Ana Muylaert


Assisti no Itaú, numa plateia de madames que provavelmente viam, pela primeira vez, através do cinema, o quarto de suas empregadas. Conheço bem aquelas personagens, empregada agregada, filha e patrãozinho adolescente. Com sutileza, as relações de submissão e falsa integração/condescendência à brasileira é pontuada no filme, ainda mais quando a filha da empregada chega do nordeste para se hospedar no quartinho destinado à mãe por que veio prestar vestibular para Arquitetura. Acho que nenhum filme diagnostica de forma tão precisa o Brasil atual onde tudo está certinho, desde que pobres não queiram galgar um espaço ao qual não estão destinados. Cazé está maravilhosa, mas quem não está neste filme? A patroa, Lourenço Mutarelli, a filha nordestina, o patrãozinho filho-postiço. Emocionante e nada banal. Para pensar o Brasil. 

A Incrível História de Adaline



Adaline Bowman (Blake Lively) nasceu na virada do século XX. Ela tinha uma vida normal até sofrer um grave acidente de carro. Desde então, ela, milagrosamente, não consegue mais envelhecer, se tornando um ser imortal com a aparência de 29 anos. Ela vive uma existência solitária, nunca se permitindo criar laços com ninguém, para não ter seu segredo revelado. Mas ela conhece o jovem filantropo, Ellis Jones (Michiel Huisman), um homem por quem pode valer a pena arriscar sua imortalidade. 

Baixei sem saber do que se tratava, achei bacana. Parece uma inversão da Incrível história de Benjamin Button, interessante, mas nada mais que uma história romântica para divertimento. 

sexta-feira, agosto 28, 2015

CXLIV - CARTA DE CAPITU

CXLIV - CARTA DE CAPITU

Que o homem se meça pelo que diz ou escreva, dá-se o valor da mulher pela virtude de bem calar. Mas o tempo se esvai, e em seu curso soçobram já velhas ilusões que só o ressentimento conservara em águas apodrecidas. Por isso escrevo o que deveria jazer em abismos, subterrâneos, fossas profundas, escombros de ruínas que no futuro seriam objeto de arqueologia e diversão dos moços. Contudo, Bento, se não lhe aprouver a carta, haverá sempre o recurso do fogo, a conversão em cinza e esquecimento a qual todos nós nos destinamos. Não escrevo, portanto, aos vermes, tampouco engendro filhos para dá-los ao destino dos santos. Sou a mesma, tal semente sob casca ilesa. Não me corromperam Portugais e Europas, tudo que sou é ainda Mata-Cavalos, é Glória. Já não coincide face a face comigo, o retrato da mãe de Sancha. Não o acusemos de infidelidade, visto que o quadro preserva-se, enquanto eu me perco em inconstância a ponto de já não mais, também, reconhecer-me. Tudo está na mão do artista, o efeito da tinta, e o tempo que sim, este também, muda não somente o retratado, mas gera outros olhos - e olhares - com que vê-lo. Minto? Por certo, a contragosto de intenção, no estilo haverás de saber-me menos doce, ainda que não amarga. Sossega-te, nada se reveste nas entrelinhas desta carta ao portador. Vai da minha à tua mão por um terceiro, mas sem conspurcar-se, sem correr à roda dos bondes e bater na rua do Ouvidor onde tudo se escuta e se cala. Sutilíssimo jogo esse, ter-nos-ia dito José Dias se fora vivo, embora soubéssemos fruto de má retórica. Perdoa e sigamos sem nos culparmos. Tudo se passou com o capricho da fortuna, aceitei-a, como escrito que não poderia ser outro. No último ato de Otelo, também Desdêmona sufocada sucumbe sem voz. Restasse, e o enredo seria outro. Joguetes do fado é o que somos, vozes e sons e fúrias: o que sabíamos ser, nunca o que viríamos a nos tornar. Há pouco soube que derruíste a casa para depois erigir outra, tal e qual. Acaso, abrigo de novos fantasmas, ou antigos, daqueles que vão dar ao mar? Reconstituis o folheto reerguendo cenário para fazer girar à roda, no Engenho Novo, o velho drama? Povoe tua casa de amigas, que não há liturgia ou ópera sem lírica. Muito mal fizemos em contrariar as Escrituras. Em algum canto há um negrinho que se fez padre à revelia, e de cuja história não saberemos, pois aos derrotados não estão reservadas tinta e pena. A verdade final é inatingível. E não há inocentes.
Da tua, sempre fiel amiga
Capitolina
1878





[Um conto meu, do livro Inferno Feliz.]

terça-feira, agosto 25, 2015

Fraga e sombra

Fraga e sombra

A sombra azul da tarde nos confrange.
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.

Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.

E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura.

Carlos Drummond de Andrade

Elegia 1938, de Drummond, por Caetano

No meio do caminho, de Drummond



Várias versões do mais famoso poema de Dummond, múltiplas vozes, pessoas, sons, línguas.

O elefante, de Drummond, na interpretação de Adriana Calcanhotto

Necrológio dos desiludidos do amor, de Drummond, na interpretação de Fernanda Torres

Amar, de Drummond, na interpretação de Marília Pera

segunda-feira, agosto 24, 2015

Canções do exílio - labareda lambeu tudo, documentário



Documentário sobre música e resistência durante o período da ditadura militar. Não consegui achar ainda, mas fica aqui marcada a existência pois quero assistir.

http://fmanha.com.br/blogs/imaginar/2011/12/28/cancoes-do-exilio-a-labareda-que-lambeu-tudo/

Blogs e sites maravilhosos sobre música e literatura

CINE PARA APRENDIZAGEM

http://cineaprendizagem.blogspot.com.br/


CAETANO COMPLETO

http://cineaprendizagem.blogspot.com.br/


FILMES BRASILEIROS

http://filmesbrazukas.blogspot.com.br/

quinta-feira, agosto 20, 2015

Uma redação feita em grupo na Paulista

Da rede às ruas: um Brasil que ama odiar

O mito de um Brasil pacífico, racialmente democrático e desinteressado em política não se sustenta diante da atual explicitação de ódio na rede mundial de computadores.
O Brasil sempre foi um país violento: exterminou índios, escravizou o negro africano, explorou os imigrantes e, com sua desigualdade socioeconômica extrema, segue submetendo os mais pobres a uma vida de carências. A internet ao garantir um aparente anonimato, liberou uma fúria, até então reprimida ou mascarada por um verniz de civilidade jamais exposto em nossa sociedade.
Recentemente, Maju, jornalista da Rede Globo, foi vítima de injúrias raciais no portal on-line da emissora. Embora a xenofobia nunca tenha por alvo os brancos imigrantes (sempre africanos, haitianos e povos latinos de ascendência indígena), o discurso de que somos receptivos e acolhedores permanece. A intolerância à diferença étnica se manifesta, contudo, na "predileção" policial em abordar negros e mulatos, já que estes normalmente pertencem às camadas mais pobres, marginalizadas e periféricas do país e, portanto, mais vulneráveis à repressão do Estado.
A Ditadura Militar instaurada no Brasil entre 1964 e 18985 reprimiu a reflexão crítica sobre política de toda uma geração. Há resquícios deste processo de alienação nos que pedem intervenção das Forças Armadas, destituição de representantes eleitos, separação de estados e nos que acreditam que vivemos atualmente em uma "ditadura comunista". Se as redes sociais permitem propagar ideias (e ideologias!), também favorece ao radicalismo de grupos extremistas, conservadores ou meramente ignorantes.

O ódio explicitado na "web" revela um outro Brasil, mais conflituoso, dividido entre interesses de classes e altamente intolerante. A mídia, como elemento doutrinador das massas e a serviço de banqueiros, empresariados, latifundiários, precisa urgentemente de regulamentação. Acreditamos, portanto, que um país mais igualitário, justo e menos vulnerável à manipulação política só será possível com cidadãos mais críticos e bem informados. Para isso, investir num ensino público de qualidade é o que fará de fato, do país, uma pátria educadora, com menos ódio na rede, e na vida.

Baixar filmes torrent

https://yts.to/browse-movies?page=35

Mãe é sempre mãe

Meu pai quem é essa velha, que anda pela calçada
Servindo assim de chacota para toda a molecada
Coitada, parece mártir, sofrendo sem dizer nada

Meu filho já tem idade para saber do teu passado
Essa velha que hoje sofre tem seu destino traçado
Por deixar o seu marido e um filho abandonado

Nunca eu quis dizer nada, porque era um menino
Mas agora que é grande, saberá meu desatino
Essa velha é tua mãe te deixou bem pequenino

Eis, meu filho, a triste história, a quem dás tu a razão
A teu pai que foi honrado ou a ela o teu perdão
Responde filho querido quero ver teu coração

Meu pai, mãe é sempre mãe, nossa imagem tão querida
Como queres que eu despreze, ela que me deu a vida
Amarei eternamente, mesmo sendo uma perdida


A órfã na sepultura

Minha mãe, a noite é fria,
Desce a neblina sombria,
Geme o riacho no val
E a bananeira farfalha,
Como o som de uma mortalha

Que rasga o gênio do mal.
Não vês que noite cerrada?
Ouviste essa gargalhada
Na mata escura? ai de mim!
Mãe, ó mãe, tremo de medo.

Oh! quando enfim teu segredo,
Teu segredo terá fim?
Foi ontem que à Ave-Maria
O sino da freguesia,
Me fez tanto soluçar.

Foi ontem que te calaste...
Dormiste . . os olhos fechaste...
Nem me fizeste rezar! ...
Sentei-me junto ao teu leito,
'Stava tão frio o teu peito,
Que eu fui o fogo atiçar.

Parece que então me viste
Porque dormindo sorriste
Como uma santa no altar.
Depois o fogo apagou-se,
Tudo no quarto calou-se,
E eu também calei-me então.

Somente acesa uma vela
Triste, de cera amarela,
Tremia na escuridão.
Apenas nascera o dia,
À voz do maridedia
Saltei contente de pé.

Cantavam os passarinhos
Que fabricavam seus ninhos
No telhado de sapé.
Porém tu, por que dormias,
Por que já não me dizias
"Filha do meu coração?"
'Stavas aflita comigo?

Mãe, abracei-me contigo,
Pedi-te embalde perdão...
Chorei muito! ai triste vida!
Chorei muito, arrependida
Do que talvez f iz a ti.

Depois rezei ajoelhada
A reza da madrugada
Que tantas vezes te ouvi:
"Senhor Deus, que após a noite
"Mandas a luz do arrebol,
"Que vestes a esfarrapada

"Com o manto rico do sol,
"Tu que dás à flor o orvalho,
"Às aves o céu e o ar,
"Que dás as frutas ao galho,
"Ao desgraçado o chorar;
"Que desfias diamantes
"Em cada raio de luz,
"Que espalhas flores de estrelas

"Do céu nos campos azuis;
"Senhor Deus, tu que perdoas
"A toda alma que chorou,
"Como a clícia das lagoas,
"Que a água da chuva lavou;
"Faze da alma da inocente

"O ninho do teu amor,
"Verte o orvalho da virtude
"Na minha pequena flor.
"Que minha filha algum dia
"Eu veja livre e feliz! ...
"Ó Santa Virgem Maria,
"Sê mãe da pobre infeliz."
Inda lembras-te! dizias,
Sempre que a reza me ouvias

Em prantos de a sufocar:
"Ai! têm orvalhos as flores,
"Tu, filha dos meus amores,
"Tens o orvalho do chorar".
Mas hoje sempre sisuda
Me ouviste... ficaste muda,
Sorrindo não sei pra quem.

Quase então que eu tive medo...
Parecia que um segredo
Dizias baixinho a alguém.
Depois... depois... me arrastaram...

Depois... sim... te carregaram
P'ra vir te esconder aqui.
Eu sozinha lá na sala...
'Stava tão triste a senzala...
Mãe, para ver-te eu fugi...
E agora, ó Deus!... se te chamo
Não me respondes!... se clamo,
Respondem-me os ventos suis...

No leito onde a rosa medra
Tu tens por lençol a pedra,
Por travesseiro uma cruz.
É muito estreito esse leito?
Que importa? abre-me teu peito

- Ninho infinito de amor.
- Palmeira - quero-te a sombra.
- Terra - dá-me a tua alfombra.
- Santo fogo - o teu calor.

Mãe, minha voz já me assusta...
Alguém na floresta adusta
Repete os soluços meus.
Sacode a terra... desperta!...
Ou dá-me a mesma coberta'
Minha mãe... meu céu... meu Deus...

Castro Alves

Cativeiro

A história daquela cruz fincada lá no terreiro
Só Pai João que conhece seu passado verdadeiro
Ela é uma triste lembrança do tempo do cativeiro
Com os olhos rasos de lágrimas de amargura e desengano
Cansado de carregar o peso de tantos anos
Olhando para aquela cruz, Pai João conta chorando:

Onde essa cruz tá fincada também está meu coração
Há muitos anos passado, no tempo da escravidão
Eu vi o meu pai morrer, implorando salvação
Cortado pela chibata do ingrato senhor patrão.

Minha mãe já bem velhinha de mágoa também morreu
Pra carregar essa cruz no mundo fiquei só eu
Depois de tanto trabalho que muito tinha sofrido
Para outro fazendeiro como um animal fui vendido.

Já cavouquei terra dura trabalhei sem reclamar
A cicatriz no meu corpo até hoje tem sinal
Num dia 13 de maio que veio a libertação
Viva a princesa Isabel que acabou com a escravidão.

Só restou do cativeiro essa cruz que ali se vê
Onde o povo faz novena faz promessa pra chover
Sem saber que ali meu pai morreu de tanto sofrer
E neste mesmo lugá eu também quero morrer.

José Fortuna

[Passei toda a infância ouvindo minha mãe declamar esse poema, finalmente achei na internet, em breve posto a leitura linda que ela faz].

BISCATE

Vivo de biscate e queres que eu te sustente
Se eu ganhar algum vendendo mate
Dou-te uns badulaques de repente
Andas de pareô, eu sigo inadimplente

Chamo você pra sambar
Levo você pra benzer
Fui pegar uma cor na praia
E só faltou me bater, é
Basta ver um rabo de saia
Pro bobo se derreter

Vives na gandaia e esperas que eu te respeite
Quem que te mandou tomar conhaque
Com o tíquete que te dei pro leite
Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate

Faço lelê de fubá
Faço pitu no dendê
Sirvo seu pitéu na cama
E nada dele comer, ai
Telefone, é voz de dama
Se penteia pra atender

Vamos ao cinema, baby
Vamos nos mandar daqui
Vamos nos casar na igreja
Chega de barraco
Chega de piti

Vamos pra Bahia, dengo
Vamos ver o sol nascer
Vamos sair na bateria
Deixe de chilique
Deixe de siricotico

Chico Buarque

[AMO esta letra]

quarta-feira, agosto 19, 2015

A luz do Tom, de Nelson Pereira dos Santos



Se no documentário anterior, A música segundo Tom Jobim, não havia um depoimento sequer, apenas sequencia encadeadas das canções de Tom interpretadas pelos maiores músicos e cantores nacionais e internacionais - o que mostrava a um só tempo a beleza de sua criação e sua relevância para música mundial, A luz do Tom vai pelo caminho inverso. Este segundo documentário de Nelson, traz exclusivamente depoimentos, mais exatamente, da irmã e das duas esposas de Tom Jobim. Ao rememorar o Tom criança e adolescente, o Tom marido, entrando na vida adulta, pagando contas e criando filhos, trabalhando exaustivamente até a consagração; e o terceiro, já velho, mas revitalizado pelo nascimento da filha e por compartilhar com a nova mulher seu amor pela natureza, são Tons que vão, por que focado na intimidade, dando outras dimensões, nada míticas, do sujeito. E embora um pouco menos dinâmico  que o primeiro, foge ao lugar comum das biografias protocolares e óbvias. Tom não aparece no filme, nem em depoimentos que fez, que foram vários, ele se constrói através das palavras, dos causos mais prosaicos, divertidos e iluminadores, que nos faz compreender a sensibilidade do sujeito, sua alegria de viver, sua amor pela natureza, sua fidelidade aos amigos, seu amor pelas mulheres, a simplicidade de quem se manteve, sempre, apaixonado pelo mar, pelo Brasil e pela música. 

terça-feira, agosto 18, 2015

Emicida e Vanessa da Mata

Sobral, O homem que não tinha preço, de Paula Fiuza



Assisti quase por acaso, pelo Netflix. Grande documentário.

[O jurista Sobral Pinto (1893-1991) ganhou destaque ao lutar contra as injustiças e defender a democracia mesmo em um dos períodos mais obscuros de nossa história, a ditadura militar. Este documentário traz uma série de depoimentos e imagens de arquivo que mostram a trajetória do advogado e ressaltam a importância de seu trabalho na defesa da justiça e dos direitos humanos.

Em 1999, um jovem advogado tem acesso a arquivos secretos de áudio do Superior Tribunal Militar, e encontra registros impressionantes de defesas de presos políticos durante a ditadura, um raio X dramático dos anos de chumbo. Nas gravações, umas das vozes que mais se ouve, indignada e desafiante, é a do jurista Sobral Pinto.

A partir da descoberta destes arquivos históricos, o filme "Sobral -- O Homem que Não Tinha Preço" leva o público a conhecer a figura singular de Sobral Pinto: a coragem, a ética, o humor, a fé, a luta incansável pela justiça - sem cobrar honorários nem aceitar favores. Com depoimentos de personagens como Luís Carlos Prestes e sua filha Anita Leocádia, Zuenir Ventura, e do próprio Sobral, impagável em seus relatos e opiniões, o filme resgata um dos maiores advogados da história do Brasil, que colocou a justiça acima de qualquer ideologia e desafiou todos os ditadores brasileiros do século 20, tornando-se um dos maiores defensores dos direitos humanos de que já se teve notícia.]


Ônibus 174, de Luís Padilha e


Finalmente assisti. Abandono infantil. Criminalidade. Mídia, Inconsequência do Estado.

Ônibus 174 é um filme documentário brasileiro de 2002, dirigido por José Padilha. Lançado em 22 de outubro de 2002, o documentário é sobre o sequestro do ônibus 174, que aconteceu em 12 de junho de 2000, por Sandro Barbosa do Nascimento, em plena zona sul do Rio de Janeiro.

O sequestro do ônibus 174 foi filmado e transmitido ao vivo pela televisão, cujas imagens são mostradas no documentário, porém um dos argumentos sustentado pelo autor do filme é que o rapaz em foco tenha sido vítima de um processo de exclusão social a tal ponto, que ele tenha se bandeado para o crime, não por escolha própria, mas por abandono por parte das autoridades do Estado do Rio de Janeiro. O documentário mostra o processo de transformação da criança de rua em bandido e sugere as causas da violência nas grandes cidades do Brasil

Notícias de uma guerra particular, Katia Lund e João Moreira Salles



Finalmente assisti. Fundamental para entender o Brasil atual.

Notícias de uma guerra particular, Katia Lund e João Moreira Salles. [O documentário retrata o cotidiano dos traficantes e moradores da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro. Resultado de dois anos (1997 - 1998) de entrevistas com pessoas ligadas diretamente ao trafico de entorpecentes, com moradores que vislumbram esta rotina de perto e policiais, o documentário traça um paralelo entre as falas de moradores, dos traficantes e da polícia, colocando todos no mesmo patamar de envolvimento em uma guerra que não é uma "guerra civil", mas uma "guerra particular". 

 O título do documentário de Salles é encontrado no conteúdo de uma das entrevistas; na fala do ex-capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel. Outras falas importantes presentes nas entrevistas denunciam o apartheid social em que se encontra a população do Rio de Janeiro, como de uma autoridade de segurança pública: "(...)a polícia precisa ser corrupta e violenta, nós fazemos a segurança do Estado, (...) temos que manter os excluídos sob controle. Vivemos numa sociedade injusta e a polícia garante essa sociedade injusta (...)"

Missão impossível, rogue nation



Feito para enterrar a franquia. Tom Cruise está velho. A fórmula está velha. Corrida interminável e tediosa de moto. A única coisa bacana é a mocinha.  

Real Beleza, de Jorge Furtado


Assisti no cinema Frei Caneca, com Mauro. Jorge Furtado fazendo um drama, me pareceu que o filme seria um passo à frente em sua carreira. Confesso que fui com alguma expectativa, pois o Jorge Furtado nunca me decepciona, esta, uma exceção. Real Beleza é um filme insosso, e nem se finge pretensioso, segue morno, do começo ao fim, não surpreende, não empolga, não gera emoção. A literatura que sempre entra tão bem nos filmes de Jorge, aqui, irrita. Esquecível, pena. 

Zaíra, Mauá


Um dia, um bolo





sábado, agosto 15, 2015

Mad Max, fury road - 2015


Mad Max - Estrada da fúria é uma obra prima do filme de ação. Deixou ano luz aquele Mad Max do meu Gibson. É um filme histérico, frenético, inventivo. Georde Miller compõe um universo terrível, quase surreal, exaltação de todos os excessos possível, chupando as bigas de Spartacus clássico, os filmes de John Ford sobre diligências, a desordem de um mundo sem Deus, que parece emprestado do Satyricon, do Fellini. E ainda assim, é profundamente pop, sem compromisso com a verossimilhança, Ao mesmo tempo constrói toda uma mitologia deste universo, que possivelmente será explorado até não sobrar nada. Tom Hardy e Charlize Theron, a beleza e do talento destes dois astros só abrilhantam o filme, que tem uma deliciosa levada feminista. O problema é seu desfecho, que está ali para permitir a satisfação de uma plateia tola que não se permite frustrar. Mas não precisa ser muito inteligente para entender que o filme acaba na chegada à terra prometida, e a constatação de que ela não mais existe. É um imenso deserto com meia dúzia de mulheres inférteis. O resto, até as cenas mais espetaculares que se seguem depois, parece um apêndice desnecessário a um filme e a um diretor que acaba de fazer um filme ontológico. 


sexta-feira, agosto 14, 2015

As férias passadas por aqui


Endividado, não viajei este ano nas minhas curtas férias de julho. Para compensar, fui buscar meus sobrinhos para passarem uns dias comigo aqui em casa. A proposta era andar pelo centro de São Paulo atrás de atrações culturais, tipo: Edifício Martinelli, CCBB, Museu da Lingua Portuguesa, Masp, Museu do Imigrante, Galeria Olido, Sesc, Teatro, Praça Roosevelt, Paulista, Itaú Cultural, Casa das Rosas, CCdaCAixa, MIS, Ibirapuera. No segundo dia, a escolha foi passar o dia aqui, na minha sala, sem fazer nada, vendo meus filmes e fuçando meus livros. Fizemos pipoca, coca-cola, pedi pizza a noite e Nicole Rios fez um bolo. Nunca sinto saudade de nada. Hoje estou com saudades deles ocupando minha sala, pois, parafraseando Rosa: a "felicidade se acha mesmo é em horinhas de descuido"



Capote / Shinel / 1926

Dancê, da Tulipa Ruiz




Não paro de ouvir "Proporcional", que letra, que sacada, que alegria dançante.

Dancê, de Tulipa Ruiz

O que ouço obsessivamente hoje na academia, enquanto tento perder os dez quilos a mais da deprê que me abalou no último mês. Parece que a música está falando comigo, sobre minhas necessidades atuais, e me botando para cima. 

O capote, no CCBB


Adaptação do conto de Nikolai Gógol para o teatro. Exibida no Centro Cultural Banco do Brasil. A direção é de Yara de Novaes, com Rodolfo Vaz, Marcelo Villas Boas, Rodrigo Fregnan [Talvez "filhote" do Grupo 3 de Teatro]. Reassisti, agora na companhia de Gabriel e Cecile. Linda encenação que atualiza com inteligência o texto clássico do gênio russo. Fragmentam o narrador, colocando dois colegas de escritório como a voz autoritária que sufoca a mediocridade e o conformismo do copista Akaki. A trilha é executada em cena pela musicista Sarah Assis, com teclado pontuando ações e soando dissonante, ampliando a estranheza. Imagens entre surreais e expressionistas são projetadas no cenário, composto de elementos desconexos, fragmentados. De uma escada para canto algum, mas tudo pontuando e dinamizando as cenas, numa fantasmagoria bastante pertinente ao destino do "defunto narrador", que se emancipa até o final em que rompe sua passividade, para "vingar-se" da injustiça ao qual sempre esteve submetido. Kafka, Brecht, expressionismo, grandezas entremeadas com humor, fazendo caber até uma paródia de "Ouro de tolo", de Raul Seixas. Inventivo e sem medo de questionar não só a questão da burocracia e da síndrome do pequeno poder, mas a condição dos oprimidos e miseráveis que vagam pelas grandes cidades. 



Profetas da Science fiction, série comandada por Ridley Scott



Assisti ao episódio sobre Philip K. Dick, o único que realmente me interessava, e foi decepcionante. 

Caveira, Hamlet


Uma boa imagem.

Sabotagem, maestro do Canão


No Cine Olido.

Magician the astonishing life and work of Orson Welles


Documentário sobre Orson Welles, explora pouco os dados da sua biografia e nem avança sobre sua produção cinematográfica extraordinária. Aquém do mito, aquém o autor. Decepcionante. 



domingo, agosto 09, 2015

Instantâneo poético


Dia dos pais com os meninos


Então, hoje é dia dos pais, e resolvi postar aqui o meu pai preferido: meu irmão Sérgio, com Vittorino no colo e Pedrovski no braço.

Lucas, super heroi


Então achei no Google esse super heroi que é a cara do Lucas.

O capote, no CCBB-SP, com Gabriel e Cecile



Então fui ao teatro do CCBB-SP, hoje, domingo, assistir novamente a O capote, só para ter a companhia deste dois. E claro, eles adoraram a peça. 



Mãe e Pai


Hoje foi o dia dos pais, mas quero-os juntos, hoje, neste poste, pai e mãe.

sábado, agosto 08, 2015

Santos heróis


Enquanto o golpe se elabora


As estratégias de manipulação de Goebbels, hoje usadas no Brasil

Há 70 anos o senhor ai da foto, Herr Goebbels, convenceu um país inteiro a cometer um dos mais horripilantes crimes coletivos da história moderna. E fez escola. Você reconhece a velha tática nazista? Então larga essa panela e pensa quanto você acredita no que pensa acreditar.

1.- Princípio da simplificação e do inimigo único.

Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.

2.-Princípio do contágio

Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.

3.-Princípio da Transposição

Transladar todos os males sociais a este inimigo.

4.-Princípio da Exageração e desfiguração

Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”

5.-Princípio da Vulgarização

Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.

6.-Princípio da Orquestração

Fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’.

7.-Princípio da Renovação

Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.

8.-Princípio do Verossímil

Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.

9.-Princípio do Silêncio.

Ocultar toda a informação que não seja conveniente.

10.-Princípio da Transferência

Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes

11.-Princípio de Unanimidade

Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.

Wolverine, de Thiago Provin


sexta-feira, agosto 07, 2015

quinta-feira, agosto 06, 2015

Corações a mil

Minhas ambições são dez
Dez corações de uma vez
Pra eu poder me apaixonar
Dez vezes a cada dia
Setenta a cada semana
Trezentas a cada mês

Isso sem considerar
A provável rebeldia
De um desses corações gamar
Muitas vezes num só dia
Ou todos eles de uma vez
Todos dez desatarem a registrar
Toda gente fina
Toda perna grossa
Todo gato
Toda gata
Toda coisa linda
Que passar

Meus dez mil corações a mil
Nem todo Brasil vai dar

Gilberto Gil


Laerte, sempre agudo


Cartum indo fundo numa análise, com muito pouco.

Do lado direito do hemisfério



"Do Lado Direito do Hemistério", da Cia. Afeta, inspirada em livro do neurologista Oliver Sacks. Assisti no CCBB-SP com Janete e João, numa sexta feira. Uma peça incrivelmente ruim, confusa, enfadonha, pretensiosa,  apesar do esforço colossal dos atores para fazer da bobagem em cena, algo divertido, emocional ou contundente. Nada. 




Tá tudo bem, mas tá esquisito.



"Quadro negro", de Estevão Haeser: impressões sobre o racismo


Obra "Quadro Negro" (2015), de Estevao Haeser, 

A beleza do leão


Sobre as obsessões do selfie.


Indo visitar Valentina



Então, depois de muito adiar, fui com o Aírton na casa do Marcos e da Rose, rever a Valentina. Rever, pois eu a conheci no dia do nascimento. E ela é essa beleza, me viu, abriu os bracinhos, rio para mim. Pronto. Amor pra toda vida. E ela é essa versão viva da Boo do Monstros SA.