sábado, maio 30, 2015

Terremoto, a falha de San Andreas


Aqueles filmes catástrofes típicos. Pai ausente. Ex-esposa. Filha amorosa ameaçada pelo desastre. E o mundo desaba para unir de volta a família. Tudo no nível mais rudimentar e inverossímil. Mas efeitos e pirotecnia perfeito para quem não deseja pensar em nada. Como disse: perfeito. 

terça-feira, maio 26, 2015

DEIXANDO A USP PRETA




Vinicius Lima​ e Barbara Araujo​ foram meus alunos no Henfil. Traziam umas redações sempre inteligentes e cheias de acuidade sobre o Brasil, sobre exclusão, sobre negritude, sobre periferia. Sempre um pouco tensos para enfrentar essa peneira que é a universidade pública do pais, mas claramente corajosos e determinados. Agora, pelo Facebook soube que ambos (que são namorados) estão na USP Leste, cursando Gestão de Políticas Públicas. Eu sou meio idiota, e tenho um orgulho danado dos meus alunos, para mim sempre geniais. Esses então, que vão em frente, na contramão das dificuldades, e avançam, me deixam atordoado de alegria. A última deles é o objetivo de deixar a USP preta. E eu, que sou um sentimental, fico nessa alegria grande, como se fosse eu mesmo que tivesse passado, e estivesse pronto para sacudir as estruturas desse tempo horroroso, reacionário, conservador, elitista, ignorante, racista, discriminatório, excludente que estamos vivendo. E vendo esses dois seguindo em frente, consigo acreditar que o Brasil tem jeito, só pelo fato de eles existirem e estarem lá.


Eduardo em processo

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sexta-feira, maio 22, 2015

MASP, da janela


Autorretrato


Na Paulista, com Mauro


COMO FAZER UMA MANCHETE CANALHA

Na verdade, a manchete da Folha se não fosse canalha deveria ser: Com ação anticrack de Haddad, 6 em cada 10 dependentes encontram um novo caminho.

Além de ser otimista, é honesta. O próprio cidadão da foto, de quem pincelaram uma frase descolada do contexto, diz ter reduzido o consumo de dez para duas pedras diárias.

A prefeitura informa, na mesma reportagem, que queles que abandonaram a ação voltaram para suas famílias ou aderiram a outros programas de tratamento.

E o mais curioso, “especialistas ouvidos pela Folha dizem que a desistência segue o padrão de outros tratamentos”, ou seja, nada de anormal.

A reportagem ainda afirma que esse modelo de tratamento foi exitoso no Canadá e nos Esteites, portanto não se trata de nenhuma invenção bolivariana tresloucada.

A prefeitura informa também que houve redução de 80% nas aglomerações de viciados, um problema que afligia a população e gerava insegurança.

No infográfico, a Folha mostra que entre 70% e 80% dos assistidos pelo programa municipal afirmam ter reduzido o consumo de crack.

Ao oferecer emprego para os viciados que moram nas ruas, a prefeitura lhes dá autonomia e eleva sua autoestima, além de garantir assistência social, de saúde e psicológica.

A única coisa realmente negativa na reportagem é a manchete canalha, típica de uma mídia que aposta no mundo-cão, na urubologia, no negativismo, na desinformação, e na fabricação de odiosos midiotas.

É com base nesse tipo de manchete que sociopatas midiotizados saem às ruas xingando e rezando o terço, batendo penelas, tilintando taças de cristais, ameaçando espancar bebês e ofendendo autoridades em estádios, hospitais, restaurantes e casamentos.

Como sabe que o brasileiro têm dificuldade em interpretar texto – e o midiota não vai além da chamada de capa- a grande mídia geralmente tem feito afirmações negativas em manchetes, mesmo que o conteúdo do texto desminta o que vem como epígrafe.

Um grande simulacro, diria Baudrillard.

Palavra da salvação.
Lelê Teles

Exposição fotográfica (abertura do diafragma combinado com obturador)


Das belezas de um cotidiano banal.







Now this is how use gopro



Clipe frenético, que imita tipo de jogo em primeira pessoa e parece ter sido feito com uma GoPro.

sexta-feira, maio 15, 2015

Glamourizando Márcia


Zaíra festivo





Minha irmã


Curso sobre contos de Mário de Andrade



Agonia e gozo nos contos de Mário de Andrade.

Um percurso de leitura dos contos do mais polígrafo dos nossos escritores brasileiros. Em três encontros, propõe-se a discussão de como, sem descuidar da experimentação da linguagem, Mário teceu uma investigação profunda sobre o Brasil: da cordialidade e apadrinhamento perverso, passando pela desigualdade social e as relações entre desejo e castração, onde o homem comum vive dramas materiais, amorosos e éticos.

Programa: 1o encontro: A infinita infelicidade nas narrativas curtas de Belazarte (1934). 2o. Encontro: Desejo e agonia em Contos novos (1947). 3o. Encontro: narrativas poéticas e o conto marioandradiano.


[Estou acertando data (30, 1 e 2 de junho) para ministrar na Casa das Rosas um curso sobre os contos de Mário de Andrade.]


quinta-feira, maio 14, 2015

Microconto do facebook

DISTRAÇÕES

Ela estava nas nuvens.

Ele, no cel.















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Facebook, curtir e manual de conduta



Aprendendo a exercer o pensamento crítico no Facebook. 

Lição 1. Curta, não comente. 
Lição 2. Se comentar, elogie. 
Lição 3. Se seguir comentando (já um erro), circunscreva-se ao elogio da postagem inicial. 
Lição 4. Nunca comente um comentário, pois desvirtualizará a ideia chave do meio, que é a postagem original e o elogio, nunca o diálogo.
Lição 5. Fica na sua, face não é lugar de ideias, só de carão. 


Reflexão após as cinco lições: que estou fazendo aqui, no Facebook? Adoro discussões, e sou um provocador nato, tudo que anestesia o pensamento e imbeciliza o sujeito me entedia profundamente.

Conclusão: estou entediado. 

A evolução da ginástica feminina através do tempo

Puta Lapa, 2015.


Dr. Estranho


Um clique feito no MIS, pelo Mauro.

segunda-feira, maio 11, 2015

Lamentos, de Pinxinguinha



Absoluta poesia. Um dia desejo fazer uma cena e por essa canção.

domingo, maio 10, 2015

Exposição no MIS: o mundo revelado de Vivian Maier

















Então houve uma miríade de acontecimentos que me levaram a Vivian Maier. De uma matéria no Metrópoles, do qual me esqueci, a resposta de um aluno quando lhe enviei um link sobre fotografia: você conhece Vivian Maier. Na sequência, a busca no Google que me levou ao documentário, que baixei e assisti no mesmo dia, antes de saber que iria ao Oscar. Depois fui à Livraria Cultura com Mauro, e lá ficamos vendo o livro de Vivian Maier. Hoje, fui a exposição "O mundo revelado de Vivian Maier" com Mauro, e como que o ciclo se fechou, com essas fotos das fotos. Ainda não pude sentar para escrever mais sobre o assunto, mas isso acontecerá cedo ou tarde. Por hora fica o registro das fotos que fiz com a canon 60d, neste sábado em que tudo fluiu bem demais. 





Brincando no Photoshop





No Parque Klabin


Gostando de fazer fotos


Jocelene divando


Dr. Estranho.


terça-feira, maio 05, 2015

Um texto incrível sobre o massacre em Curitiba e sobre as palavras

No Paraná, um duelo entre silêncio e palavras

RENATO ESSENFELDER
04 Maio 2015 | 08:43

De um lado temos os professores em busca de um vocabulário para a sua luta, para narrar a sua história. Do outro, temos a Novilíngua Betoricheana, em que se aglutinam e comprimem palavras para reduzir o vocabulário e com isso castrar as possibilidades de fala. A cada grito, uma mordida. Cada sílaba, uma cacetada.
Não é um fato novo na história do governo paranaense – muito menos na história do país. Mas às vezes para fatos conhecidos, até recorrentes, faltam ainda palavras adequadas.
Faltam palavras para designar o massacre dos professores e servidores públicos no Paraná, assim como faltaram palavras ao governador para comentar o ato. No primeiro caso, é preciso que se crie um vocabulário completo que dê conta do ato de lançar policiais militares e pitbulls fora de controle contra cidadãos apavorados diante da perspectiva da perda de um direito. Ou melhor, da perda de um direito previdenciário, frise-se, porque a crueldade tem esse requinte: fustigar quem está em sua fase mais frágil, tomando-lhe os vencimentos, expectativas, perspectivas, paz. No segundo caso, parece convir ao governador que não haja mais palavras.
Chegar perto da aposentadoria e descobrir que não haverá o soldo calculado por anos deve ser, imagino, uma sensação para a qual não há palavra. Uma violência que dói mais do que qualquer cacetada, qualquer mordida, qualquer bala. Por isso tantos estiveram dispostos à agressão de hoje: para evitar a agressão de amanhã. A agressão silenciosa que o Estado perpetua diariamente, sob nossa complacência, terceirizando, precarizando, cortando ou restringindo benefícios e dignidades.
Em “1984″, o clássico sobre totalitarismo escrito por George Orwell, a ditadura total entendia que era perniciosa a criação de palavras para esses fenômenos todos, para todas as injustiças e violências que o Estado impunha à sociedade – e em especial às parcelas mais fragilizadas, os velhos sem aposentadoria e as crianças sem merenda, as mulheres sem voz e sem vez, os negros sem oportunidades, os miseráveis sem nada.
Palavras têm poder, e mais poder as palavras que designam uma opressão ou uma forma de se levantar contra ela. Palavras como luta, solidariedade, protesto, amor, têm poder. E palavras que ainda nem existem, mas podem estar sendo criadas neste momento, num gueto, num canto, numa escuridão em que os olhos não enxergam silêncio e dor, potencialmente podem abrir olhos ou cerrar punhos. Mudar tudo.
De um lado, portanto, temos os professores em busca de um vocabulário para a sua luta, para narrar a sua história. Do outro, temos a Novilíngua Betoricheana, em que se aglutinam e comprimem palavras para reduzir o vocabulário e com isso castrar as possibilidades de fala. A cada grito, uma mordida. Cada sílaba, uma cacetada. A nota de esclarecimento do Governo do Estado do Paraná sobre as agressões do dia 29 de abril é um exercício da Novilíngua imaginada por Orwell, de distorção e compressão de sentidos. Fala em ”confronto” quando não há confrontação entre homens armados e servidores desesperados, apenas ataque. Em “radicalismo” e “irracionalidade” quando se designa o ato de lutar para manter o direito à aposentadoria. E, como contribuição ao dicionário de política nacional, aponta o sentido último de “black block”: aquele que discorda de mim.
Nas ruas não há confronto, apenas trânsito livre de cassetetes, mas acima delas paira o duelo das palavras. Ou melhor, um duelo entre palavra e silêncio. A palavra que os manifestantes, os cidadãos, a história, vão criar para designar esse tipo de ação, de cães contra homens.
E um silêncio autoritário, sufocante, produzido por uma máquina de morder gente. «



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Novilíngua ou novafala1 é um idioma fictício criado pelo governo hiperautoritário na obra literária 1984, de George Orwell. A novilíngua era desenvolvida não pela criação de novas palavras, mas pela "condensação" e "remoção" delas ou de alguns de seus sentidos, com o objetivo de restringir o escopo do pensamento. Uma vez que as pessoas não pudessem se referir a algo, isso passa a não existir. Assim, por meio do controle sobre a linguagem, o governo seria capaz de controlar o pensamento das pessoas, impedindo que ideias indesejáveis viessem a surgir.
Não se deve confundir novilíngua com simples tabu a respeito de palavras. A ideia aqui consiste em restringir as possibilidades de raciocínio, não o simples proibir a menção a coisas, fatos ou pessoas indesejáveis.

Judy Garland, genial



Djalma me mandou por email. Judy Garland numa performance impressionante, arrebatadora. Assisti e perdi o ar. Como a Arte pode chegar a tanto, meu Deus?!

sábado, maio 02, 2015

Ainda sobre o massacre a professores, em Curitiba


Sobre o massacre a professores em Curitiba


Mau


Brincando com a própria imagem.

Os ricos também morrem, de Ferréz



O que li esta semana. Livro de contos, diversos. O olhar a partir da periferia deste Brasil contemporâneo, do oportunismo dos artistas e intelectuais, da polícia assassina, dos governantes corruptos, da imensa desigualdade social, da capacidade de resistência do cidadão da periferia, da fé ao desencanto, do papel da mídia canalha. Todos morremos. Todos perdem neste Brasil que insiste em ser para poucos. Relatos de um tempo presente, de um tempo de urgência. Um escritor cada vez menos ingênuo e competente no manejo da palavra. Uma literatura necessária.