sexta-feira, março 20, 2015

Respondendo atravessado no FACEBOOK sobre NacionaZismo



Verde e amarelo são cores. Nacionalismo é coisa de otário. Nacionalismo gera xenofobia, rancores insensatos, como se morar na rua de cima te diferenciasse como ser de quem mora na rua de baixo. Outra coisa de otário. Fronteiras, divisões, rancores, norte sul, Nordeste (preto-índio) X sudeste (elite-branca/imigrante europeia). Zona Leste x Jardins. Em maior escala, nacionalismos acéfalos criaram ditadores. Massa de manobra otária a seguir Hitler, Mussolini, a Múmia de Lenin, Getúlios etc. Vermelho é uma cor linda, adoro. Cor de sangue, de alimento, de energia. Nem cor, nem patriotada pau-de-selfie, cantando hino nacional com olhos embargados (Saudoso do Castelo Branco? Como pode!). Cair nesse joguinho tolo de "defender o pau-brasil" é um atestado datado (ai ufanismo cristão casa-grande senzala). Mais Machado de Assis e menos José de Alencar, por favor!!!

O Brasil: palavra símbolo para um território amplo repleto de potencial. Mas o que há são as pessoas ocupando esses trópicos explorados, e nelas está o maior capital. E dentre essas, a maioria é composta de gente boa, honesta, trabalhadora (olha o clichê) mas com pouco acesso à saúde, à educação e à segurança. Belo tripé. Além disso, desigualdade histérica, pouca/nenhuma mobilidade. Pior: estão submetidas a condições precárias, não só porque há corrupção (essa bandeira fácil de se bradar, num discursinho vazio que não leva a nada, já que ninguém brada "reforma política!" e faz movimento para acabar com lobby e financiamento de campanhas); mas assim estão por que há uma elite sempiterna no poder (barões paulistas, banqueiros, empresários inescrupulosos, multinacionais, famílias midiáticas, 400tões, etc) que seguem mantendo privilégios, manobrando mídias, fazendo o terrorismo da crise e ameaçando a já tão depauperada experiência democrática que temos. Enchem a boca para falar de meritocracia, eles que sempre tiveram a vida "estofada" de privilégios. O que espanta é gente que sabe que o Brasil SEMPRE esteve em crise (não me lembro deste país fora de CRISE econômica, institucional ou qualquer coisa que fosse, um dia sequer ao longo dos meus 40 e tantos anos!), ficar histérica e bater a cabeça sebesta, no chão, por conta do período atual. Para quem viveu remarcação diária de preços, lista de congelamento no mercado, a privataria dos anos FHC, seu discurso econômico e sua política voltada tão somente para os bancos (ano em que todos os professores, literalmente, se foderam no Estado), as indefinições eternas do governo Lula, a quebra dos EUA arrastando todo mundo, vai realmente chamar a tal "crise da Petrobrás", de FIM DO MUNDO. Só um idiota absoluto que esqueceu dos consórcios para comprar VHS, da péssima merenda, de ter que dar a alma para comprar livros e material escolar antes nunca fornecido aos alunos pobres (na minha casa 6 adotivos!!!! estando só um só empregado), de ter estudado a vida toda em escola pública e ter que ralar o dia inteiro no trampo para PAGAR a faculdade (não baby, nao havia PROUNI), vai cair neste TERRORISMO de fim do mundo que a Globo noticia com pirotecnia e melodrama (no estilo morte de Airton Sena e Mamonas Assassinas). Pior é não ter discernimento, capacidade de fazer uma leitura da História, mais "realidade diária", mais vivência/experiência pessoal para mensurar alienação/manipulação via pensamento crítico, e sair numa sanha intestina, numa histeria coletiva (como um rato de laboratório adestrado por Skinner), num nacionalismo de botique da FIFA, gritando que é o fim do mundo, que o Brasil vai acabar e virar VERMELHO COMUNISTA (é tão ridículo isso) e que o PT e a Dilma são representante de Satã/Fidel Castro na terra. Imagino o Brecht revirando no túmulo.

 Não, não caio no joguinho fácil televisivo, nas palavras vazias de ordem, por que meu MUNDO é o MUNDO REAL. Estou vivendo o dia a dia dessas mudanças, vejo a ascensão da minha família, dos meus alunos de cursinho nesses dez últimos anos, tenho olhos para essa geração bem nutrida, com seus tablets, seu funk ostentação, seu sertanejo de mau gosto, sua alienação. Muitos acham que toda mudança se fez por mérito próprio ou à base da bíblia, como se programas de inclusão não fossem resultados de POLÍTICAS. É que nunca cai na ilusão do acesso ao cartão de crédito como entrada na classe média, como cidadania. Aliás, não tenho uma cegueira ideológica que me impeça de ver/ler a realidade e as mudanças positivas (muito mais que negativas para as classes pobres) do "Brasil varonil" nas últimas décadas. De como era triste e eterno o drama dos pobres-miseráveis secando de fome e sede no nordeste sendo narrados pela Fátima na Globo com olhos embargados por toda essa "gente boa nacionalista, branca, conservadora (ou pior, pobre e alienada), para quem Bolsa Família é assistencialismo gratuito. Talvez seja, mas muito provavelmente para quem não passa fome, e acha que o nordeste só existe para servir de tema para se escrever o VIDAS SECAS. Mas fico por aqui, porque amanhã vou para o meu cursinho cumprir uma função mais digna do que mimimi PATRIOTADA UFANISTA : fazer a minha militância prática, que é ajudar a levar a perifa-preta-mulher-gay-nordestina-pobre chegar às USPs, às Federais, às Fatecs e às particulares do PROUNI e FIES. Se a educação salva, e este é realmente caminho, creio que uns precisam voltar, urgentemente, a estudar.

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