terça-feira, março 03, 2015

Ida, de Pawel Pawlikowski


Uma noviça que cresceu num orfanato e está prestes a se ordenar é enviada para casa de uma tia que desconhecia. Juíza dos tempos sombrios da Polônia, hoje alcoólatra e compulsiva sexual, recebe a sobrinha e revela que Ida é filha de judeus. Desejosa de resgatar o corpo desaparecido dos pais, embarcam numa viagem onde conviverão, mostrarão as feridas e desvendarão trágico assassinato de seus pais, mortos no período de perseguição aos judeus por fazendeiros que deveriam protegê-los dos nazistas. A tia questiona sua sua vocação ao celibato (ao apresentar-lhe a um jovem saxofonista) e mostrando-lhe o mundo exterior, põe em cheque a fé de Ida. Daqueles filmes poloneses repletos de silêncios, de personagens duros, angustiados e de fé amaríssima. A fotografia mais bela que já vi, num preto e branco que explora tons mais cinzentos (sic). Foi indicado ao oscar de melhor fotografia, e melhor filme estrangeiro. Levou o segundo, vencendo Leviathan e Relatos selvagens, talvez pela temática judaica. O ritmo é lento, com planos fixos e enquadramentos belos e desconsertantes. Cada cena parece um quadro. Apesar de severo, emociona e flui maravilhosamente. Memorável. 












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