sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Eu, o reacionário do Gosto e da Cultura.

O mercado cultural de entretenimento é estupido e se presta à manutenção da imbecilização generalizada. Não me oponho aos 50 tons de cinza, por que vou assistir também (sem qualquer contradição), pois acredito que TUDO deve existir: o axé, o breganejo, a música de câmera, a ópera russa e a mpb de fossa, e cansada bossa-nova praieira e melancólica. O problema é essa cumplicidade do Jornalismo Cultural como mercado, seu fisiologismo descarado, sua obsessão pelo novidadeiro perecível, pelo espetacular, pelo polêmico, pelo fácil, pelo pop de entretenimento fingido de conteúdo. É um Jornalismo Cultural que apresenta à sociedade o que se produz no campo da criação artística e do entretenimento, e que deveria ter um compromisso não só de noticiar, mas difundir o gosto pela cultura além de fornecer - pela abordagem de um viés crítico - uma saída do raso factual e/o mero curti/não gostei. Mas o que faz, hoje, é nivelar tudo. Põe no mesmo balaio, o Shakespeare de Fernanda Montenegro e o stand up do Rafinha Bastos. O pop vazio de Madonna é tomado como acontecimento, programas são criados para discutir celebridades de novela e reality show. Ela desinforma, omite-se a ser ponto de formação, deforma. Separou a ideia de entretenimento como acesso também a uma cultura mais sofisticada. Apartou-a da ideia de educação. Entretenimento, hoje, tem que ser fácil, gratuito, nenhuma predisposição a conteúdo. Não acredito no "é assim" por que é o que as pessoas querem, "tem que ser assim" para se pagar. Por incrível que pareça, o mais comum é o público não saber de fato o que quer. Tudo no fundo são escolhas, e se hoje as pessoas escolhem o banal e o fácil, é por que foram expostas e cresceram (desde sempre) com uma só perspectiva. Quem cresceu julgando que Ivete Sangalo é a maior cantora do Brasil, terá uma dificuldade ímpar de ouvir Elis e Billie Holiday. Quando vão procurar o que ver/assistir/curtir/"consumir", são conduzidas pelo ritmo do axé. São, portanto, norteadas pela domesticação daquilo que foram expostas, e que chamam - equivocadamente - de GOSTO PESSOAL. Já quando vão para buscar o que ver/ouvir no mercado, as escolhas são feitas, normalmente por disponibilidade (o que o cinema oferece neste shopping), modismo (ai, o poder do marketing!!!), facilidade (pensemos nos dublados). O ser humano é preguiçoso, e apesar de TUDO estar acessivel numa rede de computadores, vivemos o império da baixa formação cultural/ignorância, da banalização do espetáculo que gerou a tão alardeada estupidez . O que acredito mesmo, é que todos somos livres para sermos idiotas, mas que "formar consumidores idiotas intencionalmente" é uma ação criminosa.

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